Irrigando a consciência

Por Francine Leite, repórter da série

Seguindo a série sobre a crise hídrica, nós continuamos falando sobre o uso da água no campo. Não à toa. Já mostramos que 70% do recurso hídrico disponível vai para a agricultura. Eu não sei vocês, mas eu fiquei impressionada com esse número. Sempre soube que o gasto era exorbitante. Não imaginava unnamed (5)tanto. Tá certo que a mídia e as grandes campanhas para uso racional colaboram para esse pensamento. Poupe água, poupe a natureza quando chega o verão já virou jingle na cabeça de muita gente. É claro que evitando o desperdício ninguém vai ficar na mão. Mas será que tem que estar só na mão da população urbana essa lição?

Diretamente, 10%, sim. Essa é a quantidade de água destinada hoje ao uso doméstico. Só isso. O resto vai para o campo e para as indústrias.

A gente consegue imaginar rapidinho os 3/4 da agricultura sendo gastos quando fazemos umas contas e vemos que uma simples lavoura consome milhões e milhões de litros d’água por mês. Os produtores, como não poderia deixar de ser, estão cortando um dobrado, tentando conviver com a estiagem.

unnamed (4)Bom, e foi lá pelos cantos do interior mesmo que disseram uma vez: a necessidade faz o sapo pular. A consciência agora pesa, mesmo que na marra. E os agricultores têm se virado e se reinventado para sobreviver à seca. Nesta última viagem de gravação vimos, mais uma vez, cenas tristes demais. Por outro lado, uma pontinha de esperança. Depois de décadas e séculos explorando irracionalmente o recurso hídrico para agora vê-lo descer por água abaixo, alternativas sustentáveis começam a surgir para ajudar na economia de água. Seja um truque, uma bússola ou um guru.

E que sejam mais! Que venham mais! Os 70% também são nossos. O produto irrigado na terra é o alimento na mesa.

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