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Após polêmica, Igor Kannário tem apoio do governo e agita carnaval na Bahia

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Após polêmica, Igor Kannário tem apoio do governo e agita carnaval na Bahia

Salvador - O cantor Igor Kannário, auto proclamado "príncipe do gueto" e bastante popular nas periferias da Bahia, foi o protagonista da maior polêmica pré-carnavalesca deste verão em Salvador. Detido mais de dez vezes por delitos diversos - de infrações de trânsito a posse e consumo de drogas -, acusado de fazer apologia às drogas e à violência em suas músicas e frequentemente envolvido em polêmicas e discussões públicas com outros músicos (Daniela Mercury foi uma de suas vítimas), o 'cantor-problema' foi agraciado pela Prefeitura com um desfile sem cordas e um show em um palco alternativo neste carnaval.

O prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto justificou a contestada contratação como sendo fruto de "um clamor popular" e disse que a oportunidade dada a Kannário de se apresentar no palco mais conhecido da música baiana, o trio elétrico em um circuito da folia na cidade, era "mais uma chance" que era dada à carreira do cantor.

"Não posso fazer censura prévia", argumentou o prefeito. "Mas acho importante que artistas que atraem grandes públicos tenham a consciência de pedir para que seus fãs pulem em paz." Magalhães Neto chegou a dizer que, se em algum momento da apresentação dele houvesse incitação à violência, o trio pararia no meio do circuito. "Esse pode ser o grande momento da carreira dele. Tenho certeza que ele vai levar uma mensagem de paz para o desfile."

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Brandão, também entrou na discussão para defender o cantor. "Não podemos criar a ideia de que o Igor Kannário é nocivo", explicou. "Também havia essa preocupação (de atos de violência nos circuitos) com a pipoca do Chiclete, alguns anos atrás, e com o Psirico, mais recentemente, e hoje essas bandas são o que são."

Apesar dos discursos, Kannário iniciou seu show, no Circuito Osmar (Campo Grande), na tarde desta segunda-feira (16), cercado de forte esquema policial. Integrantes de batalhões de choque da PM podiam ser vistos em formação nas proximidades de onde o trio passava.

No comando do trio, o cantor incendiou a pipoca (foliões sem abadás) que aguardava sua chegada. Apesar de ter apenas uma apresentação nos circuitos do carnaval, ele tem uma das músicas mais tocadas da folia deste ano na cidade, 'Tudo Nosso, Nada Deles'. "É a música do carnaval", disse o cantor.

No início do desfile, ao passar pelos camarotes da Prefeitura e do governo do Estado, ele disse que "a favela ganhou voz" e agradeceu a chance de fazer a apresentação, que chamou de "momento da vida". "Me sinto abençoado, vou ser um ser humano melhor", prometeu.

Não foram registrados atos violentos no início do percurso, mas o forte calor da tarde de Salvador e a grande quantidade de pessoas no local, acompanhando o desfile, causou desmaios em alguns foliões.