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Após mortes de saguis, Ufes deve analisar todos os macacos do campus de Goiabeiras

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Após mortes de saguis, Ufes deve analisar todos os macacos do campus de Goiabeiras

Um dos macacos mortos na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) foi recolhido, porém, o avançado estado de decomposição do animal impede a possibilidade de análises

Dois macacos da espécie sagui da cara branca foram encontrados mortos na Ufes, durante a manhã desta quinta-feira (02) Foto: Reprodução

Os macacos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, serão recolhidos para análises. A informação é do professor Sérgio Lucena, coordenador do Projeto Muriqui - que realiza estudos desde o início de surto de febre amarela no Estado.

De acordo com o professor, dois macacos da espécie sagui da cara branca foram encontrados mortos na Ufes, durante a manhã desta quinta-feira (02). Um deles foi recolhido em avançado estado de decomposição, que impede a possibilidade de análises. "Os macacos da Ufes serão recolhidos para análise para sabermos se algum deles está infectado com febre amarela", afirma.

Segundo Lucena, um outro macaco foi visto morto na Ufes. "Outro macaco morto foi visto por um funcionário da gráfica da Ufes na universidade, porém, quando chegamos para recolher o corpo do animal, ele não estava lá", diz. 

Ufes e Seama assinam convênio para estudo sobre febre amarela

Com o objetivo de investigar os aspectos biológicos e ambientais relacionados à febre amarela que está atingindo o Espírito Santo, um grupo de pesquisadores da Ufes propôs à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Seama) a realização de um aprofundado estudo, com especial atenção na forma como a doença está se espalhando e sua relação com a morte de macacos e a infecção de mosquitos.

O convênio tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e será assinado nesta sexta-feira, 3 de março, às 9 horas. O evento terá a presença do reitor Reinaldo Centoducatte, do secretário estadual de Meio Ambiente Aladim Cerqueira e do coordenador do projeto e professor do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes Sérgio Lucena. A assinatura ocorrerá na sala dos Conselhos Superiores, localizada no prédio da Reitoria, no campus da Ufes em Goiabeiras. 

Força-tarefa 

A Universidade, por meio do Projeto Muriqui, realiza estudos nesta área há mais de dez anos e, desde o início do recente surto de febre amarela que afeta o estado, participa da força-tarefa por diversos municípios. O projeto recolhe amostras e alerta a população sobre os riscos e a prevenção à doença.

O que será realizado a partir de agora é um aprofundamento na identificação das localidades em que primatas estão morrendo; a coleta de amostras de vísceras e carcaças de animais para testes; a coleta de mosquitos transmissores do vírus; a adoção de medidas preventivas e ações de conservação visando à recuperação das populações de primatas; e a difusão de informações que esclareçam a população sobre a natureza desses eventos e a importância da preservação dos macacos.

O projeto envolve professores, técnicos, pesquisadores e estudantes das áreas de Biologia e Saúde da Universidade, e conta com a parceria de entidades como as secretarias estaduais de Meio Ambiente (Seama) e de Saúde (Sesa), do Museu Mello Leitão, do Instituto Evandro Chagas e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Como principal impacto, segundo o professor Sérgio Lucena, "o projeto espera que, considerando o ineditismo e peculiaridades do atual surto de febre amarela e a possibilidade de o estudarmos ao longo de seu desenvolvimento, esperamos dar contribuições inéditas sobre a ecologia desses fenômenos, que possam ajudar a prevenir eventos semelhantes no futuro, de maneira a contribuir com a saúde pública e a conservação de espécies de primatas impactadas".