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Argentina tem ato contra violência e fraudes

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Argentina tem ato contra violência e fraudes

Buenos Aires - A violência e um impasse numa votação regional para o governo de Tucumán, a menor província do país, no norte da Argentina, desviaram o foco da campanha presidencial. Milhares de opositores locais culparam na noite desta terça-feira, 25, o kirchnerismo pela falta de transparência no sistema eleitoral. Foi uma reação a indícios de fraude e à queima de 40 urnas no domingo, 23, bem como à repressão policial a um protesto na noite de segunda-feira, 24.

O candidato a governador que segundo apuração parcial (81%) perdeu a eleição pediu nova votação. José Cano, apoiado pelos presidenciáveis opositores Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, e o ex-kirchnerista Sergio Massa, tinha 40% dos votos. Juan Manzur, ex-ministro da Saúde de Cristina Kirchner, alcançava 54%. "Como vamos reconhecer (a vitória de Manzur) se os resultados das atas não coincidem com o da Justiça Eleitoral?", questionou Cano, que garantia ter registro de adulterações em 200 atas de votação. Um cinegrafista foi agredido por gravar a distribuição de comida em comitê kirchnerista.

Pela ampla diferença, o candidato governista à presidência, Daniel Scioli, pressionou Macri a admitir o resultado. O conservador, principal oponente na disputa de 25 de outubro, negou-se a fazê-lo enquanto não se recontassem os votos. "Não foi uma eleição normal", afirmou Macri. "Quando se perde, não se pode levar adiante esse tipo de ação que desatou a violência", rebateu Scioli, responsabilizando a oposição pelo conflito na noite de segunda-feira.

O confronto iniciou quando antikirchneristas derrubaram grades que isolavam a sede do governo no centro de San Miguel de Tucumán, capital da província, a 1.082 quilômetros de Buenos Aires. Ao se aproximar da escadaria, foram alvo de balas de borracha disparadas à queima-roupa e bombas de gás lacrimogêneo. Parte se dispersou e outra reagiu atirando pedras e laranjas contra os policiais. A repressão a grandes atos é incomum na Argentina desde a crise de 2001, quando se registraram 28 mortes em protestos.

No que foi apelidado "tucumanazo", a mesma praça recebeu ainda mais manifestantes na noite desta terça. Nas imagens transmitidas ao vivo por canais críticos ao kirchnerismo, havia mais bandeiras de partidos que na noite anterior, mas predominavam manifestantes não identificados. Os mais velhos levavam velas, enquanto os jovens saltavam e entoavam gritos de futebol. "Que todos saiam, que não fique nenhum." Os canais governistas ignoraram o protesto, atribuído por eles à falta de reconhecimento da vitória kirchnerista.

É improvável que a oposição consiga repetir a votação em Tucumán. A lei permite que apenas os eleitores que tiveram suas cédulas queimadas participem de uma nova votação, disse ao Estado. Esses votos representam 0,8% do total da província, a segunda mais povoada, depois de Buenos Aires (70 hab./km2).

Os candidatos opositores à presidência se reunirão nesta quarta-feira, 26, para pressionar o kirchnerismo e a Justiça Eleitoral, que registrou 32 denúncias formais de fraude. A imagem de Macri e Massa juntos deve ser usada também como um sinal aproximação entre as forças antigovernistas.