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"O velho mundo da sustentabilidade traz pra gente uma ideia de que tudo é um mundo de escassez", afirma darwinista digital

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"O velho mundo da sustentabilidade traz pra gente uma ideia de que tudo é um mundo de escassez", afirma darwinista digital

Carlos Piazza

Carlos Piazza Foto: ​Breno Ribeiro

O conceito de sustentabilidade está sendo ressignificado com o passar do tempo e com os avanços tecnológicos. Cada vez mais se vê presente a economia do compartilhamento, que é aliada à preservação do meio ambiente. Nesse contexto, o darwinista digital Carlos Piazza lança uma provocação: "será que em um prédio com 160 apartamentos é necessário que haja 160 máquinas de lavar?".

Segundo Piazza, o ser humano precisa desconstruir a necessidade de ter tudo. Ele afirma que a necessidade de lavar roupas, por exemplo, não precisa ser resolvida com a compra de uma máquina de lavar. "Isso afeta o varejo, o marketing e afeta a comunicação. Com essa ressignificação, eu não vou ter mais um número grande de pessoas loucas para comprarem coisas virgens", diz.

Sustentabilidade é o assunto da vez do Arena VOS (Vários Olhares Singulares), iniciativa da Vale, que possui o objetivo de abrir novos horizontes sobre diversos temas relevantes para o Espírito Santo. Para imergir no assunto, o Folha Vitória conversou com o darwinista digital. Veja a entrevista abaixo:

Folha Vitória:  Piazza, fale mais sobre a importância de debater sustentabilidade nos dias atuais.
Carlos Piazza: A gente traz esse assunto aqui, porque é uma questão tensa hoje. O velho mundo da sustentabilidade traz pra gente uma ideia de que tudo é um mundo de escassez. Vai faltar água, vai faltar comida, a gente vai viver um tempo de madmax onde todo mundo vai sair se matando por gasolina. Essa vida não está confirmando da forma que a gente está enxergando, porque justamente a densidade digital está fazendo com que a gente se aproxime de um conteúdo para a sustentabilidade e isso precisa ser investigado. 

F.V.: Como será o futuro da sustentabilidade alidada à tecnologia na sociedade?
C.P.: A alta tecnologia muda todo o conceito conhecido até então de sustentabilidade. Então, falar de sustentabilidade na era digital, é falar sobre um mundo de abundância onde a gente pode ter tecnologias muito novas e disruptivas no meio disso. Tudo isso requalificando a jornada humana que a gente tem. A quarta revolução industrial traz pra gente algo que vai mudar demais a experiência humana em relação as coisas. Primeiro porque a gente passa a não ter mais precedentes históricos, as coisas vem acontecendo completamente novas e o ser humano passa a ver coisas completamente novas que nunca viram, mas a gente não está preparado pra ver esse tipo de coisas. Que tipos de coisas que a gente está falando? Por exemplo, você ser capaz de viver 500 anos. As pessoas comemoram aniversários todos os anos, que é sempre um ano há menos de vida. Então, quando você olha que vai ter a possibilidade de viver 500 anos, é uma coisa que o humano não quer. Não quer porque tem medo do que pode acontecer. Todo mundo me pergunta: como que eu vou pagar minhas contas se eu tiver de viver 500 anos? 

F.V.: Pode explicar sobre essa requalificação da jornada humana?
C.P.: Aqui a gente toca em um ponto em que nós esquecemos de ser humanos em algum momento, porque a gente gostou de fazer matérias repetitivas, a gente ficou parecendo com máquinas, a gente adora o mundo competitivo do mata-mata como se tudo isso fosse um filme dos transformers. Quando temos um mundo que é cheio dos paradoxos e complexo como a gente nunca viu, eu preciso das opiniões. Cada pessoa representa hoje um nicho completamente diferente e essa multiplicidade de opiniões passa a formar o todo. A jornada humana ficou em apenas três coisas. Viver, trabalhar e aprender passam a ser uma instância única. Quando a gente é muito feliz, quando temos paixão no centro, você não sabe nunca se você está trabalhando ou se divertindo. Você só sabe que está vivendo aquilo que você gosta. O tempo voa. A paixão tem que estar no centro. Temos que perguntar o que nos move. O profissional tem que abandonar lógicas e lógicas, um pouco revolucionário para abraçar novas tecnologias...

F.V.: Qual é o papel das empresas nesse processo?
C.P.: Quando você tem um propósito muito claro, tudo aquilo que você faz está na raiz dessa árvore que você representa. Então quando a gente fala que as empresas tem um propósito e fazendo tudo de propósito, é alguma coisa que está na raiz dela e alimenta o seu jeito de ser. Então você deixa de ser uma empresa, para ser uma empresa que toma uma posição. Essa tomada de posição é que faz a gente se aproximar das pessoas hoje. 

F.V.: Menos tecnologia representa melhora ou piora na vida humana?
C.P.: O grande paradoxo que a gente traz é a questão de que quanto mais de tecnologia cortada nós tivermos, mais humanos vamos ser. É uma coisa muito doida isso né, porque quando as máquinas fizerem tudo aquilo que um dia a gente gostou de fazer, você vai ter tempo de viver. Isso é humano, mas a gente esqueceu o que é isso. A gente perdeu o que é isso. A escalada do tempo sobre nós é mortal. Todo mundo tem a sensação de que o tempo está comendo a gente por uma perna. Isso acontece porque essa velocidade das coisas que nós estamos sendo submetidos, é uma velocidade exponencial. Isso acontece porque a tecnologia dobra sobre ela mesma há cada dois anos. Então você imagina, a gente tem aí tecnologia que não acaba mais, ressignificando as coisas todas que nós temos.