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Mortes durante greve da PM ainda continuam sem esclarecimento

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Polícia

Mortes durante greve da PM ainda continuam sem esclarecimento

A polícia não informou o número de crimes que ainda não foram solucionados

Um ano após a greve dos Policiais Militares no Espírito Santo, as Associações de Policiais Militares e Oficiais reclamam da falta de diálogo com o Governo do Estado. Segundo eles, foram 11 policiais oficialmente afastados. Sobre os crimes que aconteceram no período, o Estado diz que as investigações continuam e que as mortes não serão esquecidas. 

"Eu vejo muita desesperança, desânimo, vejo desmotivação. É um cenário ruim de se trabalhar. No período anterior àquela crise, a gente encaminhava ofícios e mais ofícios indicando a insatisfação. Hoje a gente faz a mesma coisa, mas é pior: nem resposta se tem. Está muito pior no sentido de conversa e dialogo", afirmou o sargento da PM e presidente da Associação dos Cabos e Soldados do Estado, Renato Martins Conceição. 

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O sentimento é o mesmo para o presidente da Associação dos Oficiais do Estado, Rogério Fernandes. "Temos muita dificuldade com governo atual. Não há diálogo. Imputar a responsabilidade aos policias militares, colocá-los como culpados, é muito fácil, é muito mais simples, mas antes disso tem toda uma conjuntura que implica no que aconteceu em fevereiro do ano passado", explicou.

Mas para o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia, essa relação melhorou. "Aos poucos fomos retomando essa relação de antes, de respeito. As insatisfações vão sempre existir, há reivindicações, algumas são justas, outras não. Vamos buscar atender as justas. Há um esforço muito grande por parte da secretaria, do comando, do governo como um todo, no sentido de melhorar as condições e isso vem sendo feito de fato, para que o militar hoje se sinta feliz e contemplado em sua dignidade", destacou.

Ao todo, foram instaurados 66 inquéritos, nos quais são investigados 2.747 policiais militares. Existem também 53 procedimentos administrativos disciplinares que apuram a conduta não criminosa de 261 praças e três oficiais, segundo o relatório enviado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp) à Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o que aconteceu no Espírito Santo. 

"Esses processos já começaram todos com um destino pronto: praticamente serão todos excluídos por maior que seja o esforço da defesa. As garantias de ampla defesa e do contraditório não estão sendo respeitadas. É um jogo de cartas marcadas. É uma pressão para que esses militares sejam excluídos e sirvam de vitrine para toda a tropa", informou o advogado de parte dos policiais processados, Tadeu Fraga de Andrade.

Das mulheres que encabeçaram o movimento, duas ficaram presas por uma semana. Atualmente, nove respondem a processos na Justiça comum por associação criminosa, atentado contra segurança de serviço de utilidade pública e apologia de fatos criminosos. 

"A maioria delas já apresentou a defesa prévia. Estamos ainda em uma fase embrionária desse processo. Está muito longe do fim, no caso das mulheres. É difícil chutar, mas deve durar uns cinco anos ainda", disse o advogado.

Foram 204 mortes durante a paralisação. Todas as mortes estão sendo identificadas pela Polícia Civil, mas o fato é que até o momento, a polícia não diz quantos casos foram esclarecidos e se as pessoas envolvidas com os assassinatos foram presas. A única certeza que se tem é de que a maioria das vítimas eram negras, homens jovens e moravam na periferia. "Nós acreditamos que destes 200 e tantos homicídios, o índice de resolutividade vai ser muito baixo, porque nós não temos pessoas suficientes e também porque o perfil da classe é mais pobre", afirmou o vice-presidente do Sindipol-ES, Humberto Mileip.

O governo afirma que se interessa em entender cada caso e não deixar nenhum impune, mas pode ser que algumas famílias fiquem sem resposta. "Eu acho difícil que todos sejam esclarecidos. São investigações diferentes das outras, porque a quantidade de recurso material de indícios disponíveis para tocar uma investigação é em numero muito menor do que normalmente", disse o secretário de Estado de Direitos Humanos, Julio Pompeu.

O Ministério Público chegou a fazer uma força tarefa para investigar os crimes. Foram quatro meses de trabalho. Neste período, foram identificados pelo menos 50 suspeitos.

"O que nos tínhamos era um cenário que limitava a possibilidade de concessão de aumento salarial e isso foi colocado claramente. Já há previsão para a concessão de reajuste agora em 2018, porque as condições permitem que o faça. Uma anistia para situações como esta eu acho totalmente descabido. É pensar em desrespeitar a memória das pessoas que morreram por força desse movimento", destacou o secretário de segurança.

Para o presidente da Associação dos Oficiais do Estado, não dá para colocar toda a responsabilidade nos policiais. "Imputar a responsabilidade a policias militares, colocar como culpados, é muito fácil, é muito mais simples, mas antes disso tem toda uma conjuntura que implica no que aconteceu em fevereiro", disse.

Para uma capixaba de 71 anos, que presenciou todo o medo vivido no Estado, o cuidado agora é para que isso não ocorra novamente. "Você não pode dizer que a culpa foi de fulano, foi de beltrano, do soldado porque não recebeu, do governo porque não olhou... O importante é não acontecer de novo, né? Porque nós precisamos viver em paz, todo mundo: rico, pobre, branco, negro... Todo mundo precisa ter paz", disse a dona de casa Silvia de Almeida.

Assista a reportagem na íntegra: