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Operação Paralelo: PF explica como funcionava esquema de câmbio ilegal no ES

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Polícia

Operação Paralelo: PF explica como funcionava esquema de câmbio ilegal no ES

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Vitória, Vila Velha, Serra e Nova Venécia

Após ser deflagrada a Operação Paralelo, para combater o câmbio ilegal de moedas estrangeiras no Espírito Santo, três pessoas foram presas. De acordo com o delegado da Polícia Federal, Vitor Moraes, responsável pelas investigações, tudo começou após denúncias sobre uma empresa de turismo.

"A investigação começou com denúncias de que uma empresa de turismo estaria realizando o câmbio ilegal. Com as investigações a gente identificou que havia uma relação entre essa empresa de turismo com uma determinada casa de câmbio", informou o delegado.

Segundo Moraes, essa casa de câmbio fornecia as moedas estrangeiras para a empresa de turismo. "A empresa de turismo fazia o câmbio paralelo, pois não tem autorização para fazer a venda de moeda estrangeira. Para auxiliar a casa de câmbio, a empresa de turismo fazia a venda de pacotes de turismo, pegava os dados dessas pessoas que compravam os pacotes e fornecia para a casa de câmbio, e a casa de câmbio rastreava vendas de moeda estrangeira com a documentação dessas pessoas que jamais adquiriram qualquer moeda estrangeira", contou.

Ainda de acordo com o delegado, as pessoas que adquiriram pacotes de turismo foram chamadas para prestarem depoimento sobre o caso. "Essas pessoas foram chamadas na Polícia Federal para que confirmarem se compraram de fato moeda estrangeira nessa casa de câmbio. Elas confirmaram que jamais adquiriram".

Charlene é procurada pela Polícia Federal

Além dos três suspeitos que foram presos, uma mulher, identificada como Charlene Muzy Savergnini, está foragida. A polícia divulgou a foto dela para que a população possa ajudar nas buscas. 

Operação

Segundo a PF, 19 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Vitória, Vila Velha, Serra e Nova Venécia. Além disso, três casas de câmbio tiveram as atividades suspensas. Foram 76 policiais que participaram da ação.

Com o avanço das investigações, a PF informou que foi possível identificar que o fornecedor de moeda estrangeira da agência de turismo era o proprietário de uma correspondente em operações de câmbio localizada em Vitória. Estima-se que, apenas em 2016, a agência de turismo recebeu cerca de R$ 9 milhões de clientes interessados em comprar dólares e euros.

Apesar de possuir autorização do Banco Central para operar na compra e venda de moeda estrangeira, a casa de câmbio fornecia dólares e euros para a agência de turismo de forma ilegal, no mercado paralelo ou utilizando-se de dados falsos para registrar as operações. Outra irregularidade observada era o fracionamento de operações de câmbio com o objetivo de burlar o limite para venda de moeda estrangeira sem necessidade de comprovação de renda.

Mais uma correspondente em operações de câmbio com autorização de funcionamento do Banco Central foi identificada atuando na compra e venda de moeda em espécie no mercado paralelo, sem registro das transações no Banco Central, bem como promovendo transferências internacionais por meio de operações de dólar-cabo.

Foram identificadas ainda outras duas empresas que atuavam de forma clandestina no mercado de moeda estrangeira, sem autorização do Banco Central. No caso dessas empresas, todas as operações de câmbio eram ilegais.

Durante as investigações foram apreendidos aproximadamente 200 mil dólares negociados no mercado paralelo, que estavam sendo transportados sem documentação comprovando a origem do dinheiro.

Crimes investigados

Os investigados responderão pelos seguintes crimes previstos na Lei dos Crimes Contra o Sistema Financeiro Nacional: operar instituição financeira sem autorização (para o caso das empresas clandestinas), gestão fraudulenta, movimentar recurso ou valor paralelamente à contabilidade exigida pela legislação, atribuir a terceiro falsa identidade para realizar operação de câmbio e efetuar operação de câmbio não autorizada, bem como responderão pelo crime de lavagem de dinheiro, cujas penas poderão alcançar de 4 a 36 anos, se somadas.