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Brigas em terminais: ambulante é autuado após ameaçar cobrador; discussões entre categorias têm se acirrado

Polícia

Brigas em terminais: ambulante é autuado após ameaçar cobrador; discussões entre categorias têm se acirrado

Um cobrador afirmou para a polícia que o vendedor ambulante ameaçou agredi-lo e atear fogo no ônibus no Terminal Campo Grande. Rodoviários relatam que hostilidades têm se tornado frequentes

Iures Wagmaker

Redação Folha Vitória
Foto: Agência Brasil

Empadas, balas, carregadores, fones, chocolates... São muitas as opções de produtos vendidos por ambulantes em terminais e ônibus coletivos na Grande Vitória. O que para muitos é uma fonte de renda, para outros, especialmente os rodoviários, é motivo de problema, confusão e dor de cabeça.

Na noite desta quarta-feira (11), mais uma confusão do tipo foi registrada. Dessa vez, no Terminal Campo Grande, em Cariacica. Policiais militares foram acionados para ir até o local, devido uma desavença entre um cobrador e um indivíduo que estava vendendo doces dentro de um coletivo.

De acordo com a Polícia Militar, a situação se estendeu e presenciada por várias pessoas. O vendedor disse que havia sido agredido por outro cobrador que estava no local, já este cobrador afirmou que foi ameaçado e que o ambulante ameaçou atear fogo no coletivo. Todos os envolvidos foram encaminhadas à 4ª Delegacia Regional de Cariacica.

A Polícia Civil informou que duas pessoas foram conduzidas à delegacia. Um adolescente, de 15 anos, foi autuado por ato infracional análogo ao crime de ameaça e encaminhado à justiça. O outro conduzido foi ouvido e liberado.

Rodoviários ouvidos pela reportagem do jornal online Folha Vitória relatam que já presenciaram, várias vezes, vigilantes dos terminais proibindo as vendas e ainda ameaçando jogar a mercadoria no lixo. Dentro dos ônibus, quando estão nas ruas, a responsabilidade de proibir a venda nos veículos fica por conta dos motoristas e cobradores.

Um motorista, que não será identificado, contou que as empresas orientam que peçam para o vendedor descer ou, até mesmo, desligar o ônibus e não seguir viagem com o ambulante a bordo. "Houve um caso que um motorista parou o ônibus e disse que iria sair só depois que o vendedor saísse. Os passageiros pagaram a passagem do ambulante, mas o motorista continuou dizendo que não iria sair, agredindo o rapaz com palavras de baixo calão", disse.

Os relatos de problemas envolvendo rodoviários e vendedores são muitos. Outro motorista contou que, muitas vezes, as brigas acontecem entre os próprios ambulantes. "Presencio todo santo dia: discussão entre vendedores, por estarem no mesmo ônibus; nos terminais, entre eles mesmos. Ao entrarem sem autorização pela porta traseira e sem pagar a tarifa, eles alegam que estão trabalhando, mas a empresa não autoriza o embarque que não seja pela dianteira", relatou.

Alguns rodoviários, no entanto, contam que deixam as regras da empresa para, de alguma forma, colaborar com o trabalho do ambulante. "Quando estou trabalhando, às vezes eu deixo eles entrarem. Tem hora que dá vontade de pedir eles para descerem, mas eu sei que são pais de família e acabo deixando passar", contou um motorista.

No início desta semana, cerca de 230 empadas que eram comercializadas pelo vendedor ambulante Igor Rodrigues foram parar no chão do Terminal Carapina, na Serra. Resultado de uma discussão com um agente da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES), que queria coibir a venda no local, proibida por lei estadual.

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Por conta de problemas como estes, rodoviários relatam que colegas estão sendo punidos pelas empresas e, sabendo disso, alguns ambulantes chegam a provocar motoristas e cobradores. "Alguns funcionários já foram penalizados com advertência por este motivo. Alguns deles [ambulantes] se juntam para agredir os rodoviários. O de ontem [em Campo Grande] falava para o rodoviário 'me bate, que você ainda toma uma justa causa', além de dizer palavras de baixo calão", contou um cobrador, que também não será identificado.

Por ocasião do problema registrado no Terminal Carapina, a Ceturb divulgou uma nota afirmando que comercialização de produtos dentro dos terminais é proibida, conforme Decreto Estadual 3.549-R, de 2014, que trata do regulamento dos terminais. Além disso, segundo a nota, a lei de licitações determina que espaços públicos sejam explorados mediante licitação.

Pelos motivos citados, a Ceturb informou que a fiscalização da empresa aborda diariamente vendedores ambulantes que insistem em usar o espaço para comercialização.

No final do ano passado, o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) distribuiu uma cartilha aos motoristas e cobradores em reunião de orientação para apresentar, como norma, a proibição de realizar vendas no interior dos veículos.

Na época, o GVBus afirmou que um levantamento identificou que o pulo de roleta, as fraudes às gratuidades, o embarque irregular pela porta do meio e as "caronas" representam um prejuízo de cerca de R$ 960 mil por mês às empresas concessionadas, sendo R$ 375 mil decorrente do pulo de roleta.

O GVBus foi procurado para comentar sobre os casos recentes e sobre as orientações passadas aos motoristas e cobradores com relação aos ambulantes, mas não retornou a demanda até a publicação da reportagem, que será atualizada imediatamente após a resposta.