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Mais de 2.700 medidas protetivas foram expedidas contra suspeitos de agredirem mulheres na GV

Polícia

Mais de 2.700 medidas protetivas foram expedidas contra suspeitos de agredirem mulheres na GV

Apenas na delegacia de Cariacica 119 descumprimentos foram registrados

O número de homens que descumprem a medida protetiva no Espírito Santo subiu neste ano. Ela é estabelecida para proteger mulheres, que já foram ameaçadas ou que sofreram agressões dos seus companheiros. Na Grande Vitória, de janeiro a novembro deste ano, 2.788 medidas protetivas foram expedidas.

Na Delegacia de Atendimento à Mulher de Cariacica, 119 descumprimentos foram registrados, sendo 29 a mais do que os ocorridos em 2016. Um dado que preocupa as autoridades é que o Estado é o sexto do país no ranking de feminicídios. De acordo com um levantamento do Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), no Espírito Santo, somente neste ano, 103 mulheres foram vítimas de feminicídio em cidades capixabas.

“A gente percebe que muitas vezes elas denunciam, e não é na primeira agressão, e essa violência vai progredindo. Esse agressor que as vezes só ameaça, só bate, pode sim ser um autor de um feminicídio. Por isso a importância da mulher se desvincular da pessoa e sair desse ciclo de violência”, disse a delegada Michele Vieira.

A delegada contou que são vários os fatores que influenciam para o descumprimento da medida protetiva por parte do agressor, desde a educação machista recebida, até a recaída da mulher, que mesmo depois da queixa, procura o ex-companheiro.

“Quando a mulher possui a medida protetiva e o homem está descumprindo, ela pode acionar o 190 imediatamente quando o agressor estiver no local. caso isso não seja possível, ela deve comparecer na unidade policial e informar esse descumprimento para que a gente informe ao juiz “, explicou a delegada.

Medida protetiva

Foram dois anos de ameaças e agressões físicas e verbais, até que uma dona de casa tomou a decisão certa. Ela procurou ajuda, denunciou o ex-companheiro, recebeu auxílio, e de posse de uma medida protetiva, expedida em janeiro pela justiça, sentiu-se mais segura.

A medida estabelecia que o ex-marido se afastasse do domicílio de convivência e ficasse 500 metros de distância dela. Só que as determinações não foram cumpridas e mais uma vez ela foi agredida. Ela estava grávida e acabou perdendo o bebê. “Eu cheguei para mostrar a ultrassom para ele, mas ele já estava alterado. Mostrando ele já começou a me agredir. Não quis ver e chegou a me ofender. Ele me agrediu e eu chamei a polícia”, contou a dona de casa

O ex-companheiro foi detido e permanece preso preventivamente até que o inquérito seja concluído. Mas a dona de casa tem medo que ele saia da cadeia e volte a se aproximar dela. “Eu preciso de ajuda mesmo. Ele sabe todos os meus passos, sabe tudo da minha vida. Eu preciso de algo que não deixe ele fazer nada comigo, como o botão do pânico”, fez um apelo.