Especialistas analisam pesquisa de Aracruz

A semana começa com a divulgação de mais uma pesquisa eleitoral Rede Vitória/Futura. Desta vez, os eleitores de Aracruz foram entrevistados para apontar como está a corrida eleitoral no município. Após a divulgação dos números, nesta segunda-feira (19) especialistas analisaram, ao vivo, os detalhes do levantamento feito com eleitores da cidade no programa Especial Eleições 2020.

Os dados referentes à pesquisa foram tema do programa com a mediação do jornalista Edu Kopernick. Participaram do especial a comentarista de política Gabriela Cuzzuol e o sócio-diretor da Futura, José Luiz Orrico. O vídeo com a análise completa pode ser conferido na página de vídeos Eleições 2020.

A pesquisa apontou que dois candidatos estão empatados em primeiro lugar na intenção de voto dos eleitores de Aracruz. Dr. Coutinho, do Cidadania, tem 17,5% da preferência do eleitor. Já Alcântaro, do PSD, tem 13,8%. Como a margem de erro é de 4,9 pontos para mais ou para menos, os dois concorrentes lideram o levantamento. Em terceiro aparece Jones, do Solidariedade, que tem 7%.

Logo em seguida estão Major Wallace Vieria (PRTB), com 4,5%; Evilasio Costa (PDT), com 1%; Adilson Simão (PT), com 0,5%; e Paulo Neres (PSC), com 0,3%. Não sabe, não respondeu, indeciso, aparece com 36,3%. Ninguém, branco e nulo tem 18,3%. Outro, tem 1%.

Lideranças

Mesmo com a ausência de lideranças históricas e tradicionais na disputa em Aracruz, a comentarista Gabriela Cuzzuol acredita que essas figuras estão representadas na disputa pelo comando do município. “Não temos as lideranças com décadas de carreira, mas temos candidatos que são apoiados por essas lideranças. O Dr. Coutinho, por exemplo, conta com o apoio do Marcus Vicente, que é uma liderança muito tradicional e muito importante na região. Então uma liderança que faz muita diferença. O Alcântaro, por sua vez, é um vereador em atividade, faz oposição ao atual prefeito, Jones Cavaglieri, e conta com o apoio importantíssimo do presidente da Assembleia Erick Musso, que é do Republicanos, partido também do ultra popular Amaro Neto”.

A comentarista também chamou a atenção para o peso que o partido e o apoio do governador do Estado podem ter no pleito. “Só ressaltando que o PSB, o partido do governador, e o Cidadania têm estado em papel de destaque em primeiras posições nas intenções de votos em pesquisas que temos apresentado”, considerou.

Polarização

O sócio-diretor da Futura, José Luiz Orrico, citou a chance de polarização no município, diante dos números da pesquisa. “A eleição começa um pouco mais distribuída em Aracruz, mas à medida que ela vai caminhando, que dois candidatos começam a ter mais chance de vencer a eleição, há uma tendência de o eleitorado entrar em uma polarização em cidades onde não há dois turnos. Então, Aracruz é um município de um turno só e a tendência é que esses dois candidatos acabem polarizando a eleição”.

Gabriela Cuzzuol acrescentou que o motivo dessa polarização está na insatisfação da população com o atual prefeito, Jones Cavaglieri. “Esses dois candidatos estão disputando em virtude dessa insatisfação manifesta com o atual prefeito”.

Rejeição

Um dado que chamou a atenção dos comentaristas foi a rejeição. “Aqueles candidatos que estão com índices acima de 40% de rejeição têm muita dificuldade em se eleger e participar do processo com chance de se eleger. O que chama a atenção em Aracruz é que o líder, Dr. Coutinho, está em penúltimo na rejeição. Então fica mais fácil para ele captar votos”, disse José Luiz Orrico.

“Me parece que a disputa vai ficar entre os 19% dos eleitores que disseram que não rejeitam nenhum candidato. Deve haver alguma pulverização entre os candidatos minoritários. Mas, os dois candidatos que parecem polarizar os votos devem disputar esses eleitores. Vão polarizar naquilo que a população desaprova”, completou Gabriela.

Jovens

Os dois comentaristas apontam o voto jovem como o mais difícil de ser conquistado, muito em função da desilusão desse público com a política. “As intenções mais expressivas entre os jovens estão com os dois primeiros candidatos. Talvez por isso temos um número tão expressivo de indecisão nessa faixa. Esse voto mais jovem é mais difícil de ser conquistado. Especialistas apontam um desencanto de eleitores mais novos com a política, com esse processo. Sobretudo com o que envolve a política partidária”, explicou Gabriela Cuzzuol.

Talvez por isso os candidatos devam investir em uma comunicação eficaz. Para O sócio-diretor da Futura o eleitor tem acesso a uma quantidade maior de informações, o que pode facilitar a decisão. Para ele, por isso, a figura do formador de opinião não tem mais tanta força para decidir uma eleição.

“Hoje a informação está tão disseminada que o formador de opinião, a não ser que seja muito forte, que tenha passagem, seja um prefeito muito bem avaliado, por exemplo. Esse teria condição de ajudar o seu candidato a crescer. Hoje a formação do voto do eleitor se dá com base na entrada de muitas fontes de informação”.

Já Gabriela Cuzzuol acredita que alguns segmentos ainda têm o poder de influenciar o voto, principalmente por causa do poder de mobilização. “Penso que o voto das classes A/B é de influência, que mobiliza setores, muitas vezes um voto de militância. Então, eu percebo que o apoio nessas classes é importante. E essas classes têm um acesso à informação muito elevado, então costuma ser um voto mais crítico”, ponderou.

Dados técnicos

A pesquisa foi realizada pela Futura para a Rede Vitória e contemplou 400 entrevistas, com margem de erro de 4,9 pontos percentuais para mais ou para menos e confiabilidade de 95%. As entrevistas foram realizadas no dia 14 de outubro de 2020, face a face com o eleitor, respeitando todas as normas de saúde recomendadas pelas autoridades sanitárias. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o número ES-03279/2020.

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