Análise: se oposição “não colar”, Serra pode definir em 1º turno

Analistas convidados comentaram a segunda pesquisa eleitoral Rede Vitória/Futura no município da Serra. O programa Eleições 2020, no Folha Vitória, destrinchou os números do novo levantamento no município com o maior colégio eleitoral do Espírito Santo.

A pesquisa revelou que o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) ampliou a vantagem frente ao segundo colocado, Fábio (Rede), que tem o apoio do atual prefeito Audifax Barcelos (Rede). Na intenção de voto estimulada, Vidigal aparece em primeiro com 46,8% das intenções. Em seguida, Fábio (Rede) tem 17,8%. Vandinho Leite (PSDB) tem 12,8%.

“O resultado dessa pesquisa aponta que a decisão pode ser no primeiro turno, mas a campanha está aberta. Se o segundo colocado continuar crescendo na mesma tendência, pode forçar um segundo turno. Mas nesse momento, o cenário que se encaminha é o de definição na Serra com um turno”, afirma a analista de pesquisas da Futura, Simone Cardoso.

Programa foi ao ar nesta quarta-feira (4)

Para a comentarista de política, Gabriela Cuzzuol, a participação do atual prefeito nas campanha deve se intensificar para forçar um segundo turno no município.

“A disputa na Serra neste momento é para o segundo turno. O atual prefeito Audifax Barcelos, que é bem avaliado na Serra, começa a atuar com mais presença na campanha. O Sérgio Vidigal é uma liderança tradicional na Serra. Desde 1989 ele vem acumulando mandatos e é muito conhecido pela população”, comenta.

O mestre em sociologia política Hudson Siqueira, também analisa a possibilidade de definição no primeiro turno na Serra.

“Ter um segundo turno na Serra é muito difícil. O crescimento do Vidigal é muito consistente. Os números indicam a dificuldade do candidato Fábio em disputar com um personagem político como Vidigal. A pesquisa não pode ser analisada apenas nesta eleição. Audifax e Vidigal se alternam no poder em pelo menos seis mandatos”, conta.

Campanhas “não colaram”

Com nove candidatos à Prefeitura, Serra caminha para uma polarização entre os dois candidatos primeiros colocados: Vidigal e Fábio. Para a analista Simone Cardoso, as outras campanhas não “colaram” no eleitorado.

“O crescimento dos candidatos nas duas primeiras colocações vem dos eleitores que estavam indecisos ou que iriam votar em branco ou nulo. A pesquisa também mostra que os demais candidatos não conseguiram deslanchar nas campanhas”, analisa.

A comentarista de política Gabriela Cuzzuol, lembra que a campanha curta dificulta que candidatos pouco conhecidos ganhem projeção. “Essa é uma campanha diferente de ‘tiro curto’ com muita indefinição. O recall faz toda a diferença para o eleitor. O candidato Fábio que é apoiado pelo atual prefeito não é muito conhecido pela população”, Gabriela.

Rejeição

O líder em intenção de voto também é o líder em rejeição. O ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) aparece com 24,8%. Bruno Lamas (PSB) vem em seguida com 16,5%; e em terceiro Vandinho Leite (PSDB) tem 13,5% de rejeição.

“À medida que as campanhas avançam, a opção do eleitor em não rejeitar nenhum candidato diminui. De acordo com que as pessoas conhecem a campanha, elas se posicionam. Nesse quesito, o candidato Fábio tem menor rejeição justamente por não ser muito conhecido”, afirma a analista de pesquisas da Futura, Simone Cardoso.

O mestre em sociologia política, Hudson Siqueira, faz a comparação entre rejeição e intenção de voto de Vidigal. “O crescimento de Sérgio na rejeição é desproporcional em relação ás intenções de voto na estimulada. E a rejeição de 25% é baixa”.

Para alterar o cenário, Siqueira aposta em campanhas mais incisivas. “Devemos ter um acirramento na campanha com participação do Audifax. Pode ser que o Fábio ganhe musculatura, mas a população, ao que tudo indica, não aposta no novo mantendo o padrão de gestão já estabelecido”, completa.

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