Nésio vai à Itália em busca de parceria para desenvolver vacina italiana no ES

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, viajou para a Itália na última quarta-feira, em missão oficial do governo do Estado, para conhecer a empresa italiana ReiThera que produz a vacina de combate à Covid GradCov2. O objetivo da visita foi alinhar os detalhes para uma parceria de longo prazo de desenvolvimento e produção da vacina italiana em solo capixaba.

A parceria consistiria também em transferência de tecnologia e execução da fase 3 – que é a fase para avaliar a eficácia e permitir o registro definitivo nas agências reguladoras – no Estado. A GradCov2 é parecida com a Astrazeneca, conta com a mesma tecnologia de vetor, mas usa adenovírus de gorila – já a Astrazeneca usa adenovírus humano. Segundo Nésio, a vacina já concluiu a fase 2 com eficácia de 93% de imunogenicidade na 1ª dose.

“A decisão de sermos parceiros já está tomada. Agora é redesenhar a fase 3 e apresentar à Anvisa. Sendo viável, devemos consolidar a parceria”, disse Nésio à coluna De Olho no Poder. Se a parceria vingar, o ICEPi – Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde – será o representante da vacina no País assim como a Fiocruz representa a Astrazeneca.

Oito meses de negociação

O secretário contou que desde março vem fazendo reuniões, em plataformas online, e debatendo, à distância, sobre a possível parceria com o laboratório italiano. Neste mês (novembro) foi marcada, então, uma visita para conhecer a estrutura da empresa, os CEOs e os coordenadores de desenvolvimento e produção em massa da vacina. “Visitamos a planta que a ReiThera construiu, em 6 meses, capaz de produzir 100 milhões de doses de vacina por ano”, disse Nésio.

Além da visita à empresa, a agenda contou também com uma reunião com o Ministério da Saúde Italiano e com seu braço científico, o Instituto Superiore di Sanitá (ISS – Instituto Superior de Saúde), para debater sobre o cenário da pandemia e sobre avaliações da vacina. Como resultado do diálogo, o secretário informou que foram firmadas intenções de estabelecer cooperação mútua entre o ISS e o ICEPi. Na agenda também foram apresentados os resultados da experiência capixaba de enfrentamento à Covid-19 e também do projeto “Viana Vacinada”.

A comitiva brasileira, que contou também com técnicos do ICEPi e da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Sectides), concluiu a missão oficial sendo recebida pelo embaixador do Brasil em Roma, Hélio Vitor Ramos Filho, que, segundo o secretário, se colocou à disposição para colaborar e apoiar nos trâmites para as iniciativas capixabas.

Investimento

Questionado sobre o custo de desenvolver a fase 3 da vacina italiana no Estado, Nésio disse que só terá o valor após redesenhar a fase 3. “O custo da fase 3 na Europa é de 15 milhões de euros (aproximadamente R$ 95 milhões), acreditamos que nacionalizar a fase 3 derrubaria esse custo em grande medida”.

Esse valor seria para custear a logística de aplicação, análise de laboratório, pagar pesquisadores, entre outras coisas. “Nesse momento estamos muito interessados em viabilizar a fase 3, se tudo ocorrer bem – tivermos o novo desenho, a possibilidade de financiamento, a autorização da Anvisa –, novos passos poderão ser dados na colaboração para produção e desenvolvimento da vacina no Espírito Santo”, explicou Nésio.

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