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MP vê falha em laudo de queda de helicóptero que vitimou filho de Alckmin

Política

MP vê falha em laudo de queda de helicóptero que vitimou filho de Alckmin

Investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela polícia apontaram que o perito responsável por apurar a causa do acidente de helicóptero que matou o filho mais novo do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) em abril de 2015, na Grande São Paulo, mentiu em seu laudo. A nova conclusão é que a queda da aeronave foi provocada por falha material e não por falta de manutenção. Além de Thomaz Alckmin, quatro pessoas morreram na tragédia.

Em março deste ano, o perito Hélio Ramacciotti, do Instituto de Criminalística (IC), foi denunciado pela promotora Camila Moura por utilizar informações falsas no laudo que concluiu, em setembro de 2015, que o acidente foi provocado pela desconexão de duas peças (alavanca e flexível) na cadeia de comando da aeronave. A denúncia foi aceita em 24 de abril pelo juiz Renato Siqueira, da 1.ª Vara Criminal de Carapicuíba. O perito pode ser condenado a até quatro anos de prisão.

A conclusão de Ramacciotti sobre a queda da aeronave modelo EC 155 B1, da Airbus Helicopters, seguiu a mesma hipótese apontada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) em relatório preliminar divulgado dois meses após o acidente.

As peças estavam desconectadas antes da decolagem, configurando falha humana. O perito, segundo a denúncia, teria até copiado trechos do documento da Aeronáutica. O laudo do IC resultou no indiciamento por homicídio culposo de cinco funcionários da empresa Helipark, dona do hangar de onde a aeronave partiu.

As suspeitas sobre o laudo do perito levaram o IC a refazer a investigação. Nova perícia concluída em setembro do ano passado e a qual a reportagem teve acesso constatou "o fator contribuinte para a queda da aeronave foi certamente a ruptura de uma das pás do rotor principal".

Segundo o novo laudo, houve problemas em uma manutenção realizada pela Helibrás nas pás da aeronave dois dias antes do acidente. A empresa não teria respeitado o prazo de secagem de uma semana após a pintura do equipamento.

Vítima

Depois da nova perícia do IC, comandada por uma comissão de cinco peritos, os funcionários da Helipark foram desindiciados. "Não há a menor dúvida de que Helipark foi vítima e por sorte seus funcionários não chegaram a responder a processo penal", afirmou Laércio Farina, advogado da empresa que ainda é processada na Justiça por uma seguradora em uma ação de R$ 55 milhões.

Em nota, a Helibrás, responsável pela manutenção das pás, afirmou que a alegação do MPE "é desprovida de embasamento técnico e não segue o devido critério para investigações de acidentes aeronáuticos".

Segundo ela, "o trabalho de manutenção de baixa complexidade realizado nas pás da aeronave não contribuiu para o acidente". A empresa ressalta que tanto o Cenipa quanto especialistas "não encontraram quaisquer anormalidades nas pás do helicóptero acidentado".

Responsável pela defesa do perito, a advogada Maria Luisa Domingues afirmou que vai contestar a denúncia do MPE na Justiça. "Não houve nenhuma falsidade, nenhum erro", disse..

Na ação penal, o MPE havia pedido o afastamento do perito das suas funções no IC, mas o juiz rejeitou o pedido. Em nota, a Secretaria da Segurança Púbica informou que tanto Ramacciotti quanto os peritos que emitiram o segundo laudo "estão sob análise na Corregedoria da Polícia Civil". Ramacciotti, segundo a pasta, não foi afastado.

A assessoria do ex-governador Geraldo Alckmin informou que ele não vai se pronunciar sobre o caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.I