Precisamos falar sobre suicídio

Setembro Amarelo. Esse mês é dedicado à conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio e o Ministério da Saúde focará em ações voltadas para o público jovem, uma vez que vem aumentando o número de casos e tentativas. O nosso blog Mente Sã não poderia deixar de tratar de um tema tão delicado e relevante no Brasil e no mundo.

Apresento para você alguns dados de instituições confiáveis. De acordo com os estudos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 2006 e 2015, esse índice teve aumento acumulado de 24%. Um cenário que levou o Ministério da Saúde a divulgar em 2017 pela primeira vez um “Boletim Epidemiológico de Tentativas de Suicídios e Suicídios Consumados no Brasil”. Entre outros fatos, evidencia-se que, entre 15 e 29 anos, a taxa é maior entre os homens, correspondendo a nove mortes por 100 mil habitantes; entre as mulheres, o índice é de 2,4 por 100 mil.

O suicídio acomete 800 mil pessoas por ano. É a segunda maior causa de morte no planeta entre pessoas de 15 a 29 anos, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) – a primeira é a violência. No Brasil, o Mapa da Violência de 2014 mostra que entre 2000 e 2012 a taxa de suicídio de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos aumentou em 40%, enquanto entre jovens de 15 a 19 anos o índice cresceu 33%.

Os dados apresentados nos levam à necessidade de falar sobre o assunto, especialmente com jovens e adolescentes. A adolescência é uma fase de transição. Além das mudanças físicas, há uma nova forma de conhecer o mundo e de se reconhecer nele em um processo de elaboração. As relações interpessoais e os laços estão sendo construídos. O psicanalista Françoise Dolto comparou a adolescência a uma espécie de “complexo de lagosta”. A lagosta, de tempos em tempos, precisa fazer um novo exoesqueleto, e tem um momento em que ela fica sem a carapaça, que é a sua proteção natural.

No caso dos adolescentes, eles são lagostas sem carapaça. Eles estão mais vulneráveis e menos protegidos contra as dores do mundo e dessa forma são mais impactados. Por essa razão, é importante que esteja cercado de afeto e apoio não só da família, mas também que possam contar com outros laços sociais e afetivos como os amigos.

 

SAIBA COMO AGIR QUANDO ALGUÉM APRESENTAR SINAIS DE COMPORTAMENTO SUICIDA

Especialistas estimam que cerca de 90% dos suicídios são evitáveis. A Suicide Awareness Voice of Edcucation (Save) dá algumas orientações sobre como agir nesses casos.

  • Não deixe a pessoa sozinha
  • Remova álcool, drogas, medicamentos ou objetos afiados que possam ser usados em uma tentativa de suicídio
  • Procure ajuda médica. Leve a pessoa a um pronto atendimento ou busque ajuda de um especialista em saúde mental

 

MITOS SOBRE O SUÍCIDIO

 

Mito: Quem fala não faz

Não ignore nem mesmo referências indiretas à morte ou ao suicídio, como por exemplo: “não vejo nenhuma saída”.

 

Mito: Se uma pessoa estiver determinada a se matar nada irá impedi-la

A pessoa possui sentimentos conflitantes sobre a morte. A maioria dos suicidas não quer morrer, quer apenas cessar a dor.

 

Mito: Falar sobre suicídio pode “dar a ideia” para quem não tinha pensado nisso

Falar abertamente sobre o assunto é uma das coisas mais úteis que você pode fazer.

 

Fontes:

  • Revista Galileu, Suicídio. Maio de 2017.
  • Ferreira, Cínthia. O suicídio na contemporaneidade: questões psicanalíticas. Vitória, 2018
  • Save – Suicide Awareness Voices of Education

 

Centro de Valorização da Vida

cvv.org.br

Telefone: 188

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