A presença paterna na pandemia

No último domingo (9) foi comemorado o Dia dos Pais. Provavelmente, alguns pais passaram longe dos seus filhos devido à pandemia, enquanto outros estiveram cada vez mais perto dos seus, justamente por causa dela.

De acordo com a pesquisa “A Situação da Paternidade no Brasil”, realizada pelo Instituto Promundo, a maioria dos pais brasileiros relata brincar com as crianças (83%), no entanto, atividades como dar banho (55%) e cozinhar (46%), são bem menos citadas e acabam sendo destinadas majoritariamente às mães. Por outro lado, a pesquisa revela que mais de 78% dos entrevistados acreditam que os pais deveriam tirar a licença paternidade e 64% informaram que estariam dispostos a fazer um “curso de pai” para aumentar sua licença de cinco para 20 dias.

A pandemia de coronavírus possibilitou o contexto desejável para a maioria dos pais: mais tempo com e para os filhos. Ela impôs uma nova dinâmica no cotidiano das famílias. O pai que saia para trabalhar todos os dias, agora está em casa, no trabalho home office, e dividindo as tarefas domésticas e os cuidados das crianças e/ou adolescentes, que vão além do brincar e entreter.

O vínculo que se estabelece com o advento da pandemia é uma oportunidade de reaproximar pais e filhos, criar novas conexões, acompanhar processos de crescimento e aprendizagem, compartilhar experiências e conhecimentos, e também aprender a partir da visão de mundo do seu filho, seja ele um bebê, uma criança, um adolescente ou um jovem adulto. Uma vez filho, não importa a idade. Uma vez pai, sempre pai, independente das fases que a prole esteja.

Como já dissemos no artigo publicado em 2019 de acordo com os estudos da paternidade pelo viés da psicanálise, o pai na sua relação com o filho a construirá o elo deste com o próximo e a importância que este tem no seu círculo social. A autoestima que vem de fora, o senso de valor que o outro oferece está estritamente ligado ao relacionamento com o pai, pois este é o primeiro outro que existe na vida da criança que passa a conviver com ele. A relação com o pai será a pedra angular ou em outras palavras o alicerce no qual a criança construirá sua relação na sociedade e com o mundo.

Ou seja, diante de um cenário de isolamento social e consequentemente maior convívio familiar, a presença do pai é fundamental para passar segurança, acolhimento e afeto. E é fato que os filhos reconhecem esses sentimentos no dia a dia, o que fortalece os laços entre ambos e contribui para uma relação de mais intimidade e confiabilidade.

Sendo assim, a pandemia nos leva a repensar o papel dos pais e aproveitar ao máximo os momentos ao lado dos nossos companheiros de vida.

*Dedico esse artigo em homenagem ao pai da Nina.

 

2 Respostas para “A presença paterna na pandemia

    1. Olá, Marcus!
      Obrigada pelo retorno e fico muito feliz em saber que a sua convivência com seu “Guto” tem sido com tanto afeto.
      abraços,
      Cínthia.

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