Dez 2023
2
Felipe Mello
COLUNA ESG

porFelipe Mello

Dez 2023
2
Felipe Mello
COLUNA ESG

porFelipe Mello

Papéis contraditórios

O sr. Sultan Al Jaber, presidente da Adnoc e da COP 28 é o principal responsável pelo aumento na produção de petróleo da estatal árabe. Sob sua liderança desde que o Acordo de Paris foi firmado na COP 21 a empresa aumentou sua produção de 3,6 milhões de barris de petróleo por dia para 4 milhões em 2022, segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo, organização que reúne 13 grandes produtores de petróleo e que acaba de convidar o Brasil a fazer parte).

O sr. Jaber também está a frente do plano de expansão da empresa planeja que dobrar a produção para 5 milhões de barris por dia até 2027, antecipando em três anos a meta inicial.

O principal argumento de Al Jaber em sentido contrário é que ele está em uma posição estratégica para cobrar ação dos demais países produtores de petróleo e que não podemos lidar com a grave crise climática que enfrentamos sem envolver a indústria dos combustíveis fósseis.

No entanto críticas surgem de todos os lados: ativistas dizem que o lobby da indústria de combustíveis fosseis conseguiram infiltrar um grande líder e importante representante na ONU e na maior conferência para enfrentamento à crise climática do mundo. Afirmam que perderam a esperança no evento.

Documentos vazados

Poucos dias antes do início da conferência, documentos vazados pelo Center for Climate Reporting em parceria com a BBC de Londres revelaram que os Emirados Árabes, país sede da COP 28, planejavam usar de sua posição de anfitriões do evento para fazer acordos comerciais com outros países envolvendo combustíveis fósseis. O país não negou o fato quando confrontado. A lista de países alvo das negociações é grande e envolve inclusive o Brasil.

O primeiro dia de COP 28 também envolveu o Brasil em polêmicas. O país recebeu convite para ingressar na Opep+, grupo ampliado da Opep, entidade que reúne os principais países exportadores de petróleo o que gerou críticas e preocupação nos defensores da transição energética. O Brasil tenta liderar uma aliança mundial que visa a descarbonização da economia. Para alguns, se associar ao grupo de países que lideram o lobby em favor dos combustíveis fósseis pode minar essas ambições.

Por outro lado, há quem defenda que entrar nesse grupo seria positivo justamente para pressionar os países membro a acelerarem o processo de transição energética. Mas essa é a mesma defesa usada pelo sr. Al Jaber.

Vamos acompanhando o desenrolar dessa história por aqui!

E por falar em petróleo, amanhã contaremos uma história fantástica, de um grupo de pessoas que se uniram para mudar os rumos de uma das maiores empresas de petróleo do mundo, a ExxonMobil.

Nao percam!!

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