Sisu é o caminho a seguir na escolha para o ensino superior?

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Michel Batista

Até 2009, os processos seletivos para ingresso nas instituições de educação superior eram os famosos vestibulares. Cada faculdade ou universidade organizava suas próprias provas e quem quisesse concorrer em vários lugares tinha que ficar peregrinando pelo país.

Foi quando o Ministério da Educação (MEC) criou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que foi desenvolvido com o objetivo de facilitar o acesso dos estudantes ao ensino superior público federal, permitindo que candidatos concorressem a vagas em instituições de ensino superior, por meio da nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O Sisu é um mecanismo muito interessante, pois oferece aos estudantes a oportunidade de se candidatar a vagas em cursos e instituições de todo o país de forma gratuita e online.

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Os participantes escolhem até duas vagas, em cursos ou instituições diferentes e podem mudar suas escolhas durante o período de inscrição. 

As notas de corte, que representam o menor desempenho necessário para conseguir a vaga, são divulgadas diariamente a partir do segundo dia de inscrição, o que permite aos candidatos avaliar suas chances de aprovação.

Isso democratiza muito o acesso, o que é positivo, mas, há sempre o outro lado a ser analisado.

Como as vagas pelo Sisu estão disponíveis para todos os candidatos do país, em tese, a concorrência se torna muito alta, o que tende a aumentar a pressão sobre os candidatos, visto que, diferente do modelo tradicional, os estudantes disputam qualquer vaga no Brasil.

Apesar de isso ter contribuído para o aumento da migração interestadual de estudantes universitários, essa mobilidade é mais potencial do que real. Normalmente os candidatos dão preferência a instituições mais próximas de casa.

Além disso, as faculdades particulares e as estaduais Brasil afora não fazem parte do SISU, apesar de algumas usarem a nota do Enem como critério de seleção.

Ou seja, para concorrer a uma vaga nas universidades federais, normalmente, é necessário fazer o Enem e participar do Sisu, pois há ainda universidades federais, como UFRGS, UFSC e UFPR, em que as vagas são divididas entre vestibular próprio e pelo Sisu.

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Mas para todas as demais vagas (em particulares e estaduais) é necessário participar de vestibulares próprios e específicos, cujos sistemas avaliativos, normalmente, não se assemelham ao Enem.

Não bastasse isso, há alguns anos teve início um processo de saída do Sisu. UnB (Universidade de Brasília) e todas as instituições de Tocantins e de Rondônia não disponibilizam mais suas vagas por essa via. 

Esse é o dilema em que se encontram os estudantes do ensino médio. Precisam escolher qual caminho seguir, já que o sucesso no Enem e, consequentemente, no Sisu exige uma preparação diferente daquela necessária para os vestibulares específicos, que muitas vezes também têm demandas muito peculiares, exigindo preparações ainda mais singulares.

É fundamental conhecer todas as opções e começar, o quanto antes, a eliminar as opções menos interessantes, de acordo com as expectativas e possibilidades, a fim de otimizar o processo de preparação, sempre focada nos objetivos principais, e minimizar a tensão e a insegurança típicos dessa fase.

E olha que nem considerei nessa complexa equação as opções de estudo no exterior… mas isso é assunto para outro momento.

Uma coisa é certa, nunca foi fácil ser adolescente.

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Michel Batista

Coordenador de currículo brasileiro na Escola Americana de Vitória. Sócio-proprietário do Mendel Cursos. Professor de Biologia do Ensino Médio com ampla experiência no preparo de alunos para a entrada na universidade, em especial nos cursos da área biomédica.