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Confira nosso papo

Quem tem filhos sempre diz que a chegada daquele serzinho muda definitivamente a vida. E quando o filho é neurodivergente? Muda tanto a vida que a pessoa vai fazer podcast para falar sobre o assunto.

Foi exatamente isso que o Vinícius Ribeiro e a Jeane Cavalli fizeram. No Neurodivergente (@podcast.neurodivergente no Instagram e no Youtube), eles conversam com profissionais de diversas especialidades sobre autismo. Eles lançaram em novembro de 2023, e acabaram de encerrar a primeira temporada.

Tanto Jeane quanto Vinícius têm filhos autistas, e são unânimes em dizer que o aprendizado adquirido durante a produção do podcast mudou a relação com os filhos. A segunda temporada já está sendo preparada, e será lançada durante a Semana de Conscientização sobre o Autismo, de 1 e 5 de abril.

Confira no papo.

1 – Como surgiu a ideia do podcast Neurodivergente?

Vinicius – A ideia de produzir conteúdo sobre autismo surgiu da necessidade de me tornar um pai melhor para o Léo, meu filho, que é autista. Como tinha muita dificuldade em conseguir informações sólidas e confiáveis, e observava que outras famílias também tinham a mesma dificuldade, comandar um projeto como esse se tornou a melhor forma para aprender e deixar um legado que pudesse ajudar outras famílias.

2 – Vocês dois são pais de crianças atípicas. O mergulho no universo do autismo mudou de alguma forma a relação com eles?

Vinicius – Com certeza. O aprendizado tem sido diário desde que começamos a pensar nos episódios. Antes de cada gravação fazemos uma pesquisa detalhada sobre o tema em questão e elaboramos as perguntas base para a entrevista. Isso tem ajudado muito a entender melhor como posso ajudar meu filho de forma mais eficaz.

Jeane – Nos trouxe mais entendimento para compreendermos suas formas de ser, agir, se expressar e de enxergar o mundo. Hoje nossas percepções de vida, de mundo, de perspectiva são bem diferentes. Celebramos muito mais por muito menos, lutamos muito por coisas que parecem tão pequenas e tão naturais aos olhos dos outros. Ouso dizer que, mantidas as devidas proporções, todos os que convivem intensamente com uma pessoa com autismo acabam por sentir um pouco suas características autisticas, seja como mecanismo de defesa para antever situações ou protegê-los.

3 – Mesmo com mais informação disponível, ainda somos uma sociedade preconceituosa com os neuroatípicos?

Vinicius – A disseminação de informações tem ajudado muito a quebrar os pré-conceitos, mas ainda temos muito terreno a percorrer. Quem não tem contato com pessoas neurodivergentes, ou mesmo pessoas com deficiência, ainda tem dificuladade em se colocar na pele do outro para saber o que passam no seu dia-a-dia, e isso muitas vezes gera situações complicadas, principalmente quando envolve questões de preferência e prioridade, seja em bancos, parques, transporte público e outros.

Jeane – Sim, estamos caminhando para diminuir a desinformação, mas infelizmente o preconceito acontece até mesmo dentro da comunidade autista. Há muito julgamento e muito preconceito especialmente quando falamos em intervenções e tratamentos.

O nosso intuito, como pais e como rede, é poder levar informação de tudo o que há de ciência, inovação, tecnologia por esse mundo afora para que cada família seja formadora da sua própria opinião e tome suas decisões do que é melhor para si. Cada autista é único, assim como as respostas de cada tratamento.

4 – A internet é uma boa ferramenta na luta contra o capacitismo?

Jeane – A internet é um veículo que colabora para a informação e para a desinformação. Infelizmente os dois crescem de forma exponencial. Portanto temos que dar ainda mais voz para quem utiliza essa ferramenta tão poderosa de forma a combater o capacitismo, que está tão enraizado na nossa cultura.

5 – Indiquem, por favor, outros produtores de conteúdo sobre neuroatípicos e pessoas com deficiência que vocês acham importantes de serem acompanhados.

Mayra Gaiato https://www.instagram.com/mayragaiato/

Amanda Ramalho https://www.instagram.com/amandaramalho/

João Carlos da Costa – https://www.instagram.com/joaocarlos_dacosta?igsh=Mm1zanltaTM2cDFs

Fernando Murillo – https://www.instagram.com/murilo_ciclistea?igsh=MWd6NWRtdmRmeGk1aQ==

Autispod – https://www.instagram.com/autispod/

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As informações/opiniões aqui escritas são de cunho pessoal e não necessariamente refletem os posicionamentos do Folha Vitória

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