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Confira o estudo

Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em Minas Gerais, publicada no periódico científico “Portuguese Journal of Public Health”, da editora Karger, trouxe à luz a influência de fatores socioeconômicos e demográficos no diagnóstico do transtorno do espectro autista em crianças e adolescentes. Os resultados deste estudo, realizado na última década (2014 a 2023) na cidade de Montes Claros, revelaram que características como raça e idade da mãe, assim como o tipo de cuidado recebido durante a gestação, desempenham um papel determinante nesse diagnóstico.

Ao envolver 1134 crianças e adolescentes com idades entre dois e 15 anos, dos quais 248 foram diagnosticados com autismo e 886 não estavam no espectro, os pesquisadores puderam analisar de perto a relação entre esses fatores e o transtorno. Descobriu-se que mães brancas tinham 49% mais chances de terem filhos diagnosticados dentro do espectro em comparação com mães de outras raças. Além disso, crianças que receberam cuidados pré-natais em clínicas e hospitais privados, bem como filhos de mães com mais de 25 anos, apresentaram o dobro de chances de serem diagnosticadas com o transtorno do espectro autista.

Marise Fagundes Silveira, autora do estudo, ressaltou que esses resultados evidenciam possíveis desigualdades no acesso aos serviços de saúde, sugerindo que as diferenças no diagnóstico entre mães brancas e não brancas podem estar relacionadas às disparidades de acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento.

Além disso, o estudo também destacou a relevância do gênero da criança no diagnóstico do transtorno. Meninos apresentaram uma probabilidade quatro vezes maior de serem diagnosticados com o distúrbio no nascimento em comparação com as meninas. Esse fenômeno pode ser atribuído à influência dos hormônios masculinos no desenvolvimento fetal e comportamental.

Gabriel Mangabeira, coautor do estudo e pesquisador do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão sobre o Transtorno do Espectro do Autismo da Unimontes, explicou em entrevista a Agência Borí que as características mais comuns em meninos, como inflexibilidade cognitiva e emocional, podem dificultar o diagnóstico em meninas, levando a equívocos nos diagnósticos de saúde mental na idade adulta.

Este estudo, considerado inédito na América Latina pelos pesquisadores, pode desempenhar um papel crucial na formulação de políticas destinadas a reduzir as disparidades no acesso ao diagnóstico e tratamento adequados do transtorno de espectro autista. A equipe agora busca apoio para implementar um instrumento de baixo custo, idealizado durante o estudo, para auxiliar no diagnóstico e nas avaliações clínicas de crianças com autismo.

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