Sara Peisino, mãe do pequeno José, o recém-nascido que teve o pé esquerdo queimado logo após o parto no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, informou que registrou a criança e mostrou nas redes sociais a certidão de nascimento.
A ausência do registro acabou atrasando por toda a situação vivenciada pela família nos últimos dias: José nasceu em 19 de agosto, foi colocado em uma incubadora por estar com a temperatura corporal abaixo do ideal (36,2°C) e sofreu queimaduras graves no pé esquerdo após um procedimento de uma técnica de enfermagem.
Pelas redes sociais, Sara informou que registrou o filho nesta sexta-feira (29) e mostrou a certidão de nascimento do recém-nascido. “Hoje vim registrar o neném, deu certo graças a Deus”, comemorou.
No vídeo, a mãe também falou que o bebê retornaria para o centro cirúrgico nesta sexta para trocar o curativo e avaliar as lesões.
Hoje ele vai passar pelo centro cirúrgico de novo, às 13h, e provavelmente só vai trocar o curativo e ver como está a evolução das lesões do pezinho. Dia de centro cirúrgico o meu coração fica apertado porque não sei o que vai acontecer e só fico sabendo depois, mas é para o bem dele.
Sara Peisino
Veja vídeo da mãe:
Bebê segue internado no hospital
Na última sexta-feira (23), o bebê passou por um procedimento de debridamento, que consiste na retirada de tecidos necrosados. Já na segunda-feira (25), a expectativa era de que José passasse por nova cirurgia, mas os médicos optaram por não realizar o procedimento, trocando apenas o curativo.
De acordo com a mãe, os profissionais de saúde explicaram que a pressa pode ser prejudicial ao processo de cicatrização, e que é necessário observar como o corpo do bebê vai reagir antes de seguir com novas intervenções.
O médico me explicou que, no caso do José, a pressa pode acabar atrapalhando. Eles fizeram um curativo para ver como o corpo dele vai reagir. Pode ser que a lesão piore ou que a pele comece a se regenerar.
Sara Peisino
Nesta quarta-feira (27), José foi novamente ao centro cirúrgico, mas mais uma vez foi realizada apenas a troca do curativo. A boa notícia é que ele está estável e reagindo dentro do esperado, segundo os médicos.
Ele permanece sedado, internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) e ainda sem previsão de alta.
Me falaram que ele continua com um pouquinho de pele necrosada no dedinho e na lateral do pé, mas eles vão acompanhando para ver qual procedimento será melhor.
Sara Peisino
Relembre o caso
José nasceu no dia 19 de agosto no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra. Por estar com a temperatura corporal um pouco abaixo do ideal (36,2ºC), foi colocado em uma incubadora.
Segundo a família, uma enfermeira teria utilizado algodão de forma irregular, aquecendo-o em uma lâmina da incubadora antes de colocá-lo dentro da meia do bebê. O procedimento provocou queimaduras graves no pé esquerdo do recém-nascido.
O bebê foi transferido para o Hospital Infantil, em Vitória, passou por procedimentos e segue internado na Utin sem previsão de alta.
Investigações em andamento
O Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) informou que está apurando a conduta da profissional envolvida, uma vez que não existe qualquer protocolo que recomende o uso de algodão para aquecer recém-nascidos.
O Hospital Jayme Santos Neves abriu um processo interno para investigar o caso, lamentou o ocorrido e informou que está colaborando com as autoridades. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) determinou o afastamento dos profissionais envolvidos e instaurou uma auditoria que deverá ser concluída em até 30 dias.
Além disso, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) também abriu procedimento investigativo e notificou o hospital, além dos conselhos de Medicina e Enfermagem.