
Aos quase 90 anos, Uylton dos Santos, conhecido como Budé, segue uma rotina que poucos mantêm: trabalha todos os dias da semana, sem folgas, como barbeiro em Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo.
São mais de sete décadas de atividade, iniciadas ainda na adolescência, em uma profissão que exige atenção, precisão e longas horas em pé.
Prestando serviços no mesmo ponto comercial há décadas, Budé se tornou mais que um profissional conhecido: virou personagem da história da cidade. A barbearia, localizada no Centro, é espaço de encontros, conversas e memórias compartilhadas entre gerações.
Trajetória
Budé começou a trabalhar aos 14 anos, em atividades diversas, como vendedor, ajudante de serraria e entregador de marmitas. Aos 16, iniciou o aprendizado como barbeiro, passando por diferentes mestres até consolidar o próprio estilo.
Com incentivo do antigo proprietário do imóvel onde atua até hoje, abriu a barbearia própria, primeiro alugada, depois comprada com financiamento. Desde então, nunca mais parou. “Sempre aparece um cliente. Minha obrigação é esperar o freguês”, afirma.
O barbeiro que nunca fecha
Budé construiu uma reputação que atravessa gerações. Sua barbearia já recebeu políticos, empresários, trabalhadores e personagens folclóricos da cidade.
A dedicação ao ofício é ininterrupta: “Na Sexta-feira da Paixão, antigamente, as mulheres nem varriam a casa para guardar o dia Santo. Mas para mim sempre foi dia de trabalho”, lembra.
Pai de 11 filhos, Budé criou parte deles sozinho após o fim do primeiro casamento. Hoje, mora com a filha mais velha, Oliverina, que o acompanha no dia a dia. Apenas um dos filhos, Aglailton, seguiu a profissão do pai e divide com ele a rotina da barbearia.
Sobre aposentadoria, Budé é direto: não faz parte dos planos. “Aqui o tempo passa rápido. A gente conversa, recebe gente. Enquanto eu estiver ativo, vou continuar sendo barbeiro.”
E assim, entre o som da tesoura, histórias repetidas e novas conversas, Budé segue fazendo do trabalho o seu incentivo para viver.