Foto: Canva
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O pedido nasce na rua, no olhar atento de quem vive o bairro todos os dias. Pode ser uma lâmpada apagada, um buraco no asfalto, uma poda necessária ou uma intervenção para garantir mais segurança.

Da demanda feita pelo morador até a execução do serviço, há um caminho que envolve escuta, triagem técnica e encaminhamento aos órgãos responsáveis. É esse percurso que explica como as solicitações da população chegam às prefeituras da Grande Vitória e se transformam em atendimento.

A demanda nasce na rotina do bairro

A Avenida Coronel Manoel Nunes, em Laranjeiras Velha, na Serra, concentra o fluxo diário de estudantes de uma escola estadual da região. Mesmo durante o período de férias, o movimento já chama atenção. Com o retorno das aulas, a circulação de crianças e adolescentes se intensifica, o que acendeu o alerta entre moradores.

Foi a partir dessa rotina que o líder comunitário Huanderson Depiante percebeu a necessidade de uma faixa elevada para aumentar a segurança viária no trecho. Segundo ele, trata-se de uma demanda antiga da comunidade, motivada pelo risco constante de acidentes. A solicitação surgiu da vivência no território e da observação direta do problema.

Huanderson Depiante, líder comunitário, explica como funcionam as solicitações na Serra (Foto/reprodução: TV Vitória)
Huanderson Depiante, líder comunitário, explica como funcionam as solicitações de moradores na Serra (Foto/reprodução: TV Vitória)

A gente acompanha essa movimentação todos os dias. Vê criança atravessando, carro passando rápido. É uma demanda antiga e nasce da rotina de quem mora aqui e conhece o risco.

Huanderson Depiante, líder comunitário

Na Serra, o caminho formal da solicitação passa pelo Colab, plataforma utilizada pela Prefeitura para registro e acompanhamento de demandas. Qualquer morador pode acessar o aplicativo, descrever o problema e anexar imagens, sem necessidade de ofícios ou intermediações.

Antes era preciso ofício, muita burocracia. Hoje qualquer morador consegue registrar a demanda direto pelo aplicativo, acompanhar e cobrar. Isso aproxima muito mais a população da Prefeitura.

Huanderson Depiante, líder comunitário

Do registro à análise técnica

Na Serra, assim como em outros municípios da Grande Vitória, as solicitações de serviços urbanos feitas pelos moradores passam por uma central de atendimento antes de chegar à secretaria responsável.

No município, esse papel é cumprido pelo aplicativo Colab, ferramenta de participação cidadã que permite registrar demandas e acompanhar cada etapa do atendimento.

O secretário de Tecnologia da Serra, Pedro Trindade, explica que o sistema facilita o acesso da população e dá mais transparência ao processo.

Pedro Trindade, secretário de Tecnologia da Serra (Foto/reprodução: TV Vitória)
Pedro Trindade, secretário de Tecnologia da Serra, fala sobre o funcionamento do app Colab (Foto/reprodução: TV Vitória)

Hoje qualquer morador consegue solicitar um serviço pelo aplicativo. A demanda chega de forma online, passa por uma triagem e é direcionada para a secretaria competente, como a de Obras, que avalia se a solicitação é viável ou não naquele local.

Pedro Trindade, secretário de Tecnologia da Serra

Segundo ele, o encaminhamento das solicitações ocorre em até 24 horas após o registro. “Nem tudo que é solicitado é de responsabilidade direta da prefeitura. Quando não é, a gente devolve a informação ao cidadão e orienta qual órgão deve ser acionado. Quando é possível executar, o morador acompanha todas as etapas pelo aplicativo, desde a análise até a conclusão do serviço”, explicou.

A solução na prática

Após o registro, o pedido deixa o celular do cidadão e entra na central de gerenciamento, onde as demandas são organizadas e distribuídas conforme a natureza do serviço. O setor de tecnologia faz a triagem inicial e encaminha cada solicitação à secretaria responsável, respeitando critérios técnicos e de prioridade.

No caso de Laranjeiras Velha, a equipe do Departamento de Trânsito esteve no local para análise técnica. A vistoria avaliou fluxo de veículos, circulação de pedestres e condições da via, etapa necessária antes de qualquer intervenção.

A secretária de Obras da Serra, Izabela Roriz, explica que esse tipo de intervenção exige critérios técnicos e respeito às normas de trânsito.

Izabela Roriz, secretária de Obras da Serra, fala sobre como as demandas chegam nos órgãos (Foto/reprodução: TV Vitória)
Izabela Roriz, secretária de Obras da Serra, fala sobre como as demandas chegam nos órgãos (Foto/reprodução: TV Vitória)

Quando falamos de faixa elevada, falamos de segurança viária. Existem locais onde não é permitido instalar, como curvas, aclives ou declives. Por isso, a equipe foi ao local para fazer medições e entender qual ponto atende às exigências do Código Brasileiro de Trânsito.

Izabela Roriz, secretária de Obras da Serra

Durante a vistoria, foi identificado que a calçada em frente à escola passa por adequações devido à reforma do prédio. “Para instalar a faixa elevada, precisamos garantir acessibilidade. Assim que a escola concluir essa adequação, prevista para março, a prefeitura executa o serviço”, explicou Izabela.

Canais de atendimento na Grande Vitória

Cada município da Grande Vitória possui canais próprios para o registro de solicitações. A seguir, veja quais são e como acionar cada um deles.

Vitória

  • Telefone: 156 – Fala Vitória
  • Aplicativo e portal: Vitória Online
  • Limpeza urbana: Zap Lixo Zero – WhatsApp (27) 98181-0623

Vila Velha

  • Ouvidoria: 162 ou (27) 3149-7336
  • Iluminação pública: WhatsApp 800 002 1760

Cariacica

  • Atendimento pelo telefone: 162

Serra

  • Plataforma Colab, disponível em lojas de aplicativos ou pelo site oficial

Participação que gera resultado

Mais do que registrar um problema, o caminho entre o pedido e a solução mostra como a participação do morador é parte essencial do funcionamento da cidade. Ao acionar os canais oficiais, a população contribui para o planejamento, a organização dos serviços e a melhoria dos espaços públicos.

A experiência acompanhada pela reportagem revela que, quando a comunidade identifica, registra e acompanha as demandas, o poder público consegue agir de forma mais eficiente, aproximando a gestão da realidade de quem vive a cidade todos os dias.

Leiri Santana, repórter do Folha Vitória
Leiri Santana

Repórter

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.