Desde as primeiras horas da manhã, uma equipe se movimenta nos bastidores para levar informação, serviço e agilidade aos telespectadores do Espírito Santo. Nesta sexta-feira (29), o telejornal ES no Ar completa 18 anos de história, marcada por coberturas que emocionaram, mobilizaram e informaram. Mas você já se perguntou como tudo acontece antes das câmeras entrarem ao vivo às 6h30?
O telejornal, que já cobriu momentos marcantes no Estado, começa bem cedo. A equipe inicia os trabalhos por volta das 4h, para montar um jornal que atenda a população capixaba. A editora Hozana Fraisleben monta o jornal, a chefe de reportagem Lorena Pelissari e o time de produção organizam as informações das matérias e os repórteres vão para as ruas, para que as notícias cheguem aos capixabas.
Além disso, o trabalho continua acontecendo nas ilhas de edição, onde os editores de vídeo e texto fazem as alterações necessárias nas gravações.
No estúdio, os cinegrafistas também têm que organizar câmera, luz, som. E depois de todos esses passos, o apresentador Eduardo Santos ainda tem que enfrentar duas horas de jornal.
Manter o jornal duas horas no ar com a audiência lá em cima é desafiador, mas isso não é só eu. Por trás de mim tem uma equipe muito competente que ajuda a fazer o sucesso do jornal.”
Eduardo Santos, apresentador do ES no Ar
O Folha Vitória faz parte dessa história, já que o quadro “O que tá rolando?” do ES no Ar destaca as principais notícias para os capixabas do jornal online.
Veja como o ES no Ar é feito:
Momentos marcantes
O telejornal noticiou vários momentos importantes e marcantes do Espírito Santo, como o protesto de 2013, que começou devido aos 20 centavos de reajuste do pedágio da Terceira Ponte. Depois, se tornou uma manifestação por direitos e, em seguida, a ponte foi tomada por confusões e brigas.
Além disso, o jornal fez a cobertura de tragédias, especialmente os alagamentos de 2013 que afetaram os capixabas de Norte a Sul do Estado. Naquela ocasião, a Nasa chegou a emitir um alerta de que em 72h, o Espírito Santo tinha sido castigado com a pior chuva de todo o planeta. O ES no Ar revisitou os lugares e pessoas afetadas pela chuva na época.
Veja momentos marcantes:
Uma das entrevistadas pelo telejornal, Conceição Deorce contou que até hoje os traumas da tragédia continuam.
“Mexeu muito com o meu emocional. Ainda tomo remédio depressivo, porque quando o tempo muda para chuva, o meu emocional também começa a mudar. Não consegui me controlar ainda”, disse.
A chuva forte que durou 19 dias destruiu objetos e móveis de Conceição, como geladeira, fogão e máquina de lavar. Segundo a entrevistada, até hoje ela não foi ressarcida.
O telejornal também cobriu a greve da Polícia Militar em 2017, a maior crise que a segurança pública do Espírito Santo enfrentou. Sem polícia nas ruas, assaltos, arrombamentos e homicídios se multiplicaram e deixaram a população refém da criminalidade: 219 pessoas foram assassinadas.
Outra cobertura relembrada pelo ES no Ar foi o desabamento da área de lazer de um condomínio de luxo na Enseada do Suá, em Vitória, em 2016. Moradores de 160 apartamentos tiveram que deixar suas casas às pressas de madrugada. O porteiro do empreendimento morreu e quatro pessoas ficaram feridas.
O episódio foi relembrado pela empresária Flávia da Veiga, uma das moradoras do condomínio Grand Parc.
“A impressão que eu tive era de que um avião tinha caído aqui no prédio”, contou.
Telejornal muda para acompanhar as transformações
Ao longo de 18 anos, o ES no Ar mudou e acompanhou as transformações da comunicação, conforme destaca o superintendente de Conteúdo da Rede Vitória, Alexandre Carvalho.
“Se a gente pensar 18 anos, muita coisa mudou na sociedade. O jornal acompanhou essa tendência. Estava aqui pensando como mudou a tecnologia, como mudaram hábitos de consumo, o jeito de a gente comprar, de se relacionar, de conversar com os amigos. O jornal precisou acompanhar essas mudanças do tempo. O tempo é implacável: ou você muda ou fica para trás”, afirma.
Ele relembrou quando participou da cobertura das Olimpíadas de Pequim, na China, em 2008, e as dificuldades para se fazer uma transmissão de TV.
“Naquela ocasião, para transmitir o sinal da China para o Brasil, a gente tinha que comprar espaço num satélite. De lá para cá, você consegue fazer isso pela internet, num custo mais barato, com uma chamada de vídeo. Consigo falar com uma pessoa na China hoje olhando o celular e vendo essa pessoa. A televisão acompanhou essa mudança”, destacou.
Alexandre Carvalho também destacou que a transformação digital influenciou na forma de se fazer telejornal, sobretudo na linguagem.
As nossas transmissões ficaram mais leves, mais fáceis. A tecnologia ajudou a gente a mudar a linguagem, a estar mais perto do nosso público, a escutar o nosso público. Nesses 18 anos, essa talvez seja a mudança mais emblemática. Já não é mais uma voz em sentido único. A gente precisa escutar quem está do outro lado da tela, quem está nos assistindo, enfim, é uma outra relação.”
Alexandre Carvalho, superintendente de Conteúdo da Rede Vitória
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos, com informações do repórter André Falcão, da TV Vitória/Record