A estudante Raiane Leite Loiola foi atacada por piranhas enquanto tomava banho na Lagoa Nova, em Linhares, região Norte do Espírito Santo, neste fim de semana.
A lagoa fica dentro de um clube particular, e queixas sobre ataques de peixes têm sido recorrentes. Pelo menos outras 10 pessoas afirmaram terem sido mordidas por piranhas no local.
A estudante relata que foi atacada pouco tempo depois de entrar na água e precisou ser retirada às pressas da lagoa. Socorrida por guarda-vidas, Raiane recebeu os primeiros-socorros ainda no clube.
Eu e minha família chegamos na lagoa e entramos na água. Deu uns 5 minutos e o peixe me mordeu. Meu marido me pegou no colo e me tirou da água. Falaram que eu havia sido a 13ª pessoa a ser mordida”.
Raiane Leite Loiola, estudante
Veja relato da estudante:
Ataques são raros, diz biólogo
Biólogos que acompanham a região confirmaram a presença de piranhas na Lagoa Nova e alertam que os animais são naturalmente agressivos, mas que ataques são raros.
De acordo com o biólogo Daniel Motta, os ataques podem ser resultado de um comportamento mais territorial dos animais durante o período de reprodução, que acontece durante esta época do ano.
Além disso, os ataques podem ser sinal de algum tipo de desequilíbrio ambiental na região, que faz com que a ocorrência de animais naturalmente predadores de piranhas tenha reduzido drasticamente.
“As piranhas são naturalmente agressivas, mas os ataques são muito raros. É uma questão de proteção do ninho, ou no período de reprodução dela, em que ficam mais ativas, agressivas. Pode haver desequilíbrio ecológico, diminuição do número de presas do ambiente onde elas estão”, explicou.
Prefeitura orienta instalar redes de proteção
Por nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Linhares informou que, desde que tomou conhecimento dos incidentes, equipes foram enviadas para vistoriar a área e orientar o proprietário da lagoa quanto às medidas preventivas necessárias.
Ainda de acordo com a secretaria, por se tratar de uma propriedade particular, cabe ao dono adotar medidas que garantam a segurança dos frequentadores.
“No entanto, o município atua de forma preventiva e orientativa, com o objetivo de reduzir riscos e preservar a integridade das pessoas e do meio ambiente”, explicou em nota.
A secretaria informou também que, conforme orientado, o proprietário do local instalou redes de proteção em torno da área.

Mesmo assim, uma nova vistoria técnica no clube foi realizada pela prefeitura na tarde desta segunda-feira (12) para avaliar as condições do local e orientar o dono quanto à adoção de novas medidas de segurança, como instalação de mais redes em trechos de maior risco.
“Neste período do ano, é fundamental que a população redobre a atenção, uma vez que algumas espécies de peixes, como a piranha, encontram-se em fase de piracema, período reprodutivo em que há maior movimentação e comportamento mais defensivo desses animais”, afirma a secretaria.
A prefeitura também orientou a população a evitar o banho em locais não sinalizados, respeitar os avisos de segurança e comunicar imediatamente qualquer situação de risco aos órgãos competentes.
Parte da lagoa é interditada
Pelas redes sociais, o clube Cabana Serafim informou que instalou telas de proteção em torno do local e, por conta do período de reprodução dos peixes, não é autorizada a captura ou retirada dos peixes de dentro do cercado de proteção.
O clube também afirma que as redes passaram por uma vistoria realizada por um bombeiro em atividade, que atestou que estão em conformidade com os padrões exigidos. Uma parte lateral da lagoa ficará interditada durante a semana.
“Nesta semana, manteremos uma lateral da lagoa interditada e procederemos a retirada de uma parte da contenção de tela, a fim de realizar a remoção dos peixes do interior do cerco, transferindo-os para fora da área destinada aos banhistas“, informou o clube.
*Com informações do repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record