O encerramento de um ciclo de dois anos e meio de tratamento contra a leucemia enfrentada pelo pequeno Alvinho, de apenas 6 anos, foi comemorado com toda a alegria merecida, com uma carreata surpresa e a presença de um carretão da alegria.
Álvaro da Silva Maia tinha apenas 4 anos quando a família recebeu o diagnóstico da doença. A mãe dele, a professora de música Marília Frank da Silva Maia, contou à reportagem do Folha Vitória que a descoberta do câncer aconteceu após uma consulta médica por causa de sintomas respiratórios.

A médica pediu que fosse feita uma observação do quadro e um relatório das crises durante dois meses e prescreveu exames. O hemograma mostrou alterações importantes no resultado, o que acendeu imediatamente um alerta.
Eu bati o olho nas plaquetas, que estavam em 20 mil, e já vi que não estavam normais. Também havia a presença de blastos, que fomos pesquisar e vimos que são associados a leucemia. Comecei a ficar tensa e preocupada.
Marília Frank da Silva Maia, mãe da criança

Internação duas horas após a leitura do exame
Os pais enviaram o exame para a pediatra que acompanhava a criança, e a profissional já encaminhou o paciente a uma oncologista. O alerta sobre a gravidade do quadro foi imediato, e Marília foi buscar o filho na escola.
Em menos de duas horas após a visualização do resultado, Alvinho já estava internado em um hospital, em isolamento, de onde saiu após 40 dias. Foram feitos exames, e em poucos dias foi confirmado o diagnóstico de leucemia linfóide aguda tipo B.
Menino perdeu peso e deixou de andar durante tratamento
O tratamento com quimioterapia foi intenso nesse primeiro momento de internação. A criança chegou a perder sete quilos nessa fase.
Ele chegou com 23 quilos e saiu com 16 quilos e sem conseguir andar. Ele parou de comer, vomitava muito e tinha muita diarreia. E como ficava deitado o tempo todo dentro da UTI, meu filho não conseguia mais andar.
Marília Frank da Silva Maia, mãe da criança
Alvinho perdeu os cabelos e chegou a se alimentar por sonda. “Ele ficou todo furadinho, pois eram feitos muitos exames todos os dias. É um sofrimento muito grande”, relatou.
Após essa primeira fase, a criança pôde ir para casa passar dois dias e depois voltou para o hospital. “Ele não conseguia andar. Tínhamos que pegá-lo no colo”, disse.

Remissão veio com pouco mais de um mês de tratamento
Foi nessa época que os médicos deram uma notícia muito importante. Com pouco mais de um mês de tratamento, o câncer de Alvinho estava em remissão, o que significa que os exames não mostravam mais a presença de células cancerígenas.
Mesmo assim, o tratamento continuou, pois o protocolo para tratamento da leucemia leva dois anos e meio e deve continuar mesmo diante da remissão.
As sessões de quimioterapia continuaram, Alvinho foi se recuperando aos poucos, e o tratamento entrou em uma fase mista, em que a criança passava períodos mais longos em casa e depois voltava para o hospital.

Final do tratamento foi comemorado em grande estilo
Na última segunda-feira (29), a criança passou pela última sessão de quimioterapia, e um grupo da Igreja da Praia, na Praia do Canto, templo frequentado pela família, recebeu Alvinho na saída com uma carreata surpresa com a presença de um “carretão da alegria”, organizada pelo grupo “Fadas do Alvinho”, que foi uma importante rede de apoio durante o tratamento.
“Desde o início, a igreja foi muito presente em nossas vidas. Recebemos esse momento com alívio enorme e muita gratidão. É um milagre, damos graças a Deus”, registrou Marília.
A carreata saiu da Enseada do Suá, passou pela Praia de Camburi e voltou para a Praia do Canto, onde foi finalizada a Igreja da Praia.
Família comemora a volta de Alvinho à escola
A próxima fase da vida de Alvinho tem trazido empolgação e novos ares para o menino e a família: a volta à escola. Devido ao tratamento, o menino precisou deixar o colégio ode havia iniciado, mas teve alguma aulas domiciliares oferecidas pela prefeitura.
A mãe disse que está feliz e motivada com essa nova etapa. “A nossa expectativa é muito grande, porque o que é comum, normal para as pessoas, para nós é um milagre. Ele está aqui com a gente, vai para a escola, sabe? Ele está conseguindo fazer coisas que antes ele não podia fazer”, comemorou.