Os últimos dias de 2025 e os primeiros dias de 2026 têm sido difíceis para moradores de diversas cidades do Estado, que têm enfrentado falta d’água há vários dias. As reclamações foram recebidas pelas reportagens do Folha Vitória e da TV Vitória.

A maior quantidade de queixas vêm da população de Guarapari e de Vila Velha, mas outras cidades como Vitória, Cariacica, Viana e Anchieta também têm relatado o problema do desabastecimento de água. A Cesan esclareceu que ações criminosas têm causado os problemas em Guarapari e também houve uma tentativa de roubo no sistema elétrico, em Vila Velha, o que resultou na queima de uma bomba usada no abastecimento de Ponta da Fruta (veja a entrevista completa com o diretor-presidente da Cesan mais abaixo).

Em Vitória, o problema da falta d’água levou o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) a notificar a Cesan, exigindo o reestabelecimento imediato do abastecimento em diversos bairros. Os bairros que têm sofrido com a falta d’água na Capital são Santa Clara, Fonte Grande, Piedade, Jesus de Nazareth, Moscoso, Forte São João, Romão, Cruzamento e Região da Grande São Pedro.

Moradora de Cariacica enviou foto do relógio de água parado. Foto: leitor

Em Cariacica, a dona de casa Valesca Maria do Nascimento Rocha contou que as residências da região do Morro da Companhia, em Itaquari, estão há cerca de três dias sem água. “Acabei de tomar um banho com um fio de água, só para refrescar, porque está fazendo muito calor. Mas nem banho conseguimos tomar direito”, reclamou a moradora.

Tiago Ventura, morador do bairro Paturá, em Guarapari, contou à TV Vitória que os moradores estão há uma semana sem água. “A nossa situação é caótica. Estamos há uma semana sem água no bairro. Há quatro dias que houve falta total, esvaziaram todas as caixas d’água. Não tem água para absolutamente nada”, reclamou.

Tiago Ventura, morador de Paturá, em Guarapari, relata falta d’água há uma semana no bairro. Foto: Reprodução/TV Vitória

Preço da água mineral disparou em Guarapari

O morador de Guarapari esclareceu que a Cesan enviou um carro-pipa, mas que a quantidade de água não é suficiente para abastecer todas as casas. Além de Paturá, Santa Mônica, Jabaraí e Cachoeirinha também têm enfrentado desabastecimento. O morador também se queixou do preço da água mineral, que disparou na cidade.

“Antes, vendiam um galão de 20 litros de água por 10 reais, agora estão vendendo por 25. A pessoa que antigamente vendia uma caixa d’água dessas de mil litros, que custava 250 reais, hoje está custando 500. Eu liguei para quatro, cinco lojas de material de construção. Todos eles dobraram o preço”, registrou Tiago.

Outra moradora de Guarapari, Nilzete Betzel, também relatou problemas com a falta d’água. “A situação está crítica. Sem poder lavar louça, ontem a minha mãe dormiu sem banho, a minha cunhada dormiu sem banho, a gente não pode limpar a casa, mal varrer, passar uma vassoura. Está crítica a situação, está crítica mesmo”, disse a moradora.

Nilzete Betzel, moradora do bairro Paturá, em Guarapari, relata o drama vivido pela falta d’água há vários dias. Foto: Reprodução/TV Vitória

A comunidade de Cachoeirinha, em Guarapari, realizou um protesto na tarde na quinta-feira (1º) no trevo de Setiba, e a pista chegou a ser bloqueada. Alguns moradores relatam falta de água desde o Natal no bairro Jabaraí. Outros reclamam de falta de abastecimento desde segunda-feira (29). Em Vila Velha, a maior quantidade de reclamações vem da região de Ponta da Fruta.

Cesan diz que desabastecimento foi causado por ações criminosas

O diretor-presidente da Cesan, Munir Abud, conversou com a reportagem da TV Vitória na tarde desta sexta-feira e explicou o que a empresa tem feito para resolver a situação. Segundo ele, este ano, ações criminosas têm causado os problemas de desabastecimento.

Abud afirmou que desde o ano passado, a companhia montou um comitê em Guarapari, que na alta temporada tem a população da cidade turística aumentada em oito vezes, passando de 124 mil para quase 1 milhão de pessoas.

“Nos períodos de verão, nós criamos, desde o ano passado, o Comitê Verão. Nós trazemos empregados da companhia, gestores experientes de outras cidades para trabalharem aqui e auxiliarem a equipe de Guarapari, que acaba se tornando pequena diante do superlativo aumento da população. Essa equipe está aqui disposta a atender toda a população da nossa cidade, trabalhando, coordenando a distribuição de caminhões-pipa e eliminando vazamentos”, afirmou o diretor-presidente.

Abud disse que no verão passado a cidade não teve intercorrências, mas este ano, ações criminosas têm causado problemas. No bairro Cachoeirinha, a empresa identificou captações irregulares no sistema de distribuição, na tarde de terça-feira (30).

“Eliminamos algumas ligações irregulares, ligações essas que correspondiam a um bairro inteiro, roubando água da Cesan, que deveria ser direcionada à população que tanto precisa. Ato contínuo, essa população, revoltada com a atuação da Cesan, que combateu um crime que estava sendo praticado, vandalizou a nossa captação de água e isso acabou gerando um desabastecimento na cidade do dia 31 para cá. O sistema está em fase de recuperação”, detalhou o diretor-presidente.

Abud afirmou que ainda há pontos sem abastecimento, mas que a empresa está trabalhando para a recuperação total do sistema. O gestor admitiu que há problemas na região norte de Guarapari.

“Esses bairros ainda estão sofrendo com o desabastecimento, mas nós estamos trabalhando, direcionando caminhões-pipa para, através de um abastecimento complementar, poder entregar água à população”, alegou.

Já em Vila Velha, a Cesan informou que houve uma tentativa de roubo no sistema elétrico, também na terça (30), que resultou na queima de uma bomba usada no abastecimento de água de Ponta da Fruta. O problema já foi resolvido e o sistema voltou a funcionar, afirmou a companhia.

Munir Abud, diretor-presidente da Cesan. Foto: Reprodução/TV Vitória.

Ainda de acordo com a Cesan, devido às altas temperaturas e o elevado consumo, a normalização pode levar um tempo maior que o habitual. A empresa reforçou a importância do consumo consciente, para contribuir com a recuperação gradual do sistema.

A empresa também informou que está fornecendo carros-pipa para a complementação do abastecimento. Os moradores podem acionar a Cesan por meio do telefone 115, do aplicativo Cesan ou do Whatsapp 3422-0115.

Ministério Público notifica Cesan para restabelecimento no fornecimento de água em Vitória

Sobre a falta d’água em bairros de Vitória, o MPES informou que foi acionado na noite de quinta-feira (1º) sobre a interrupção prolongada do abastecimento de água em bairros de Vitória e encaminhou notificação à Cesan.

“No documento, o MPES requisitou a adoção imediata de medidas para o restabelecimento do fornecimento de água potável, bem como a apresentação, no prazo de 48 horas, de justificativa oficial e de cronograma concreto para a solução definitiva do problema”, diz a nota enviada pelo órgão.

A instituição informou que acompanha a situação e ressaltou que fiscaliza a prestação de serviços públicos essenciais e adota as providências cabíveis para garantir o bem-estar, a saúde e a dignidade humana da população capixaba.

Procurada pela reportagem sobre a situação, a Cesan informou que tudo será esclarecido ao órgão dentro do prazo legal.

*Com informações da repórter Eduarda Neves, da TV Vitória/Record.

Enzo Bicalho, estagiário do Folha Vitória
Enzo Bicalho Assis

Repórter

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Foi estagiário do Folha Vitória entre novembro de 2024 e outubro de 2025 e é repórter desde novembro de 2025.

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Foi estagiário do Folha Vitória entre novembro de 2024 e outubro de 2025 e é repórter desde novembro de 2025.

Patricia Maciel

Repórter

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.