Imagem aérea do porto de Capuaba e a região de Paul
Imagem aérea do Porto de Capuaba e a região de Paul. No canto inferior direito, é possível ver os tanques do Morro do Atalaia. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

Moradores do bairro Paul, em Vila velha, têm reclamado de um forte odor semelhante a gás de cozinha vindo de tanques utilizados para armazenamento de produtos químicos no Morro do Atalaia, na região do Porto de Capuaba.

O desconforto teria começado há alguns dias e teria se intensificado na última semana de dezembro. De acordo com depoimentos postados em redes sociais, o forte cheiro chega a fazer com que alguns moradores passem mal.

“Muita dor de cabeça com esse cheiro de gás forte”, comentou uma moradora. “Não dormi a noite toda”, desabafou outra. Uma terceira internauta comentou que o cheiro era tão forte que ela chegou a achar que havia deixado o gás da cozinha ligado. “Nossa, horrível! Parece um monte de rato morto”, registrou outra usuária.

Odor vem de carga de fertilizante

A reportagem do Folha Vitória procurou os órgãos responsáveis. A Vports, empresa responsável pela gestão dos terminais portuários de Vitória e Vila Velha, informou que o produto em questão é um fertilizante.

“Se trata de uma operação específica de fertilizante realizada no Cais de Capuaba, que atende a todos os requisitos ambientais e de segurança aplicáveis à referida carga, além de cumprir as exigências dos órgãos fiscalizadores”, disse a empresa, por meio de nota.

O texto diz ainda que a carga é classificada em sua ficha técnica como não perigosa e que está trabalhando para minimizar o desconforto gerado à população.

Condições climáticas podem intensificar o mau cheiro

A Secretaria de Meio Ambiente de Vila Velha informou que a empresa responsável pela carga química possui licenciamento ambiental válido, emitido pelos órgãos competentes, para suas atividades. A nota da secretaria explica, ainda, que certas condições climáticas podem favorecer o aumento dos odores.

“De acordo com o licenciamento, a empresa está autorizada a operar com produtos classificados como não perigosos, o que pode ocasionar odores fortes, especialmente em determinadas condições climáticas, como maior umidade ou variações de temperatura, o que explicaria a intensificação do cheiro durante a noite”, detalha o texto.

O órgão municipal acrescentou que a empresa não está autorizada a armazenar materiais contaminantes ou de risco à saúde humana, mas afirmou que está monitorando a situação e que eventuais descumprimentos das normas sofrerão as medidas cabíveis.

“Até o momento, não há evidências de que o odor represente risco direto à saúde dos moradores da região”, registra a nota.

Iema vai enviar equipe para averiguar situação

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) informa que os tanques estão sendo utilizados para armazenamento de produtos inodoros.

O Iema disse que não recebeu denúncias referentes aos odores na região, mas afirmou que iria enviar uma equipe ao local para averiguar a situação.

Problema é antigo

As reclamações relacionadas aos tanques instalados no Morro do Atalaia são antigas. Reportagem do Folha Vitória feita em 2015 já trazia questionamentos da população local sobre a presença dos reservatórios de produtos químicos.

Na época, a alegação dos moradores era de que a proximidade dos tanques em relação à área urbana representava um perigo. As estruturas foram erguidas coladas a casas, comércios, creches e igreja. Na ocasião, a informação era de que os tanques armazenavam combustível.

Patricia Maciel

Repórter

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.