Cotidiano

Nasce filho de advogada do ES que engravidou após a morte do marido por fertilização in vitro

O marido de Soraya Fardin, Alberto Santos, morreu em julho de 2023, aos 43 anos, em decorrência de um câncer

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Reprodução/Instagram
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Uma história de amor que comoveu o Espírito Santo ganhou mais um capítulo: com poucos quilinhos e cabelo. Nasceu Miguel, filho da advogada Soraya Fardin, de 44 anos.

Ela ficou conhecida por levar à frente uma gestação após a morte do marido, como forma de realizar o sonho de ser mãe e manter uma parte do amado viva na Terra.

Já se aproximando dos 20 dias, Miguel tem ganhado curtidas e despertado suspiros pelas redes sociais, onde foi homenageado pela mãe.

Fertilização in vitro

O marido de Soraya e pai do bebê, Alberto Santos, faleceu no mês de julho de 2023, aos 43 anos, por conta de um câncer nas vias biliares, com metástase no fígado. A gravidez da advogada foi possível após um tratamento de fertilização in vitro (FIV) em Vitória.

Em uma entrevista emocionante para a reportagem do Folha VitóriaSoraya descreve que ela e o marido se conheceram em 2012, começaram a namorar e se casaram em 2016.

Quando nos casamos, eu já tinha 35 anos e tinha o sonho de ter filhos, mas não sabia se iria dar certo. No momento em que fiz 39 anos, vi que não tinha mais tanto tempo e resolvi esperar chegar aos 40 para procurar ajuda.

Soraya e Alberto procuraram ajuda médica para engravidar no mês de janeiro de 2021, e logo começaram o tratamento. “Fiz a fertilização in-vitro com uma biópsia para saber se o embrião seria saudável. Dos quatro embriões coletados, apenas um era compatível com a vida”.

Mas a esperança de gerar uma vida seguia com o casal. Durante a segunda fase do tratamento – necessária preparar o endométrio para a recepção do embrião – foram realizados mais procedimentos. “Realizei uma nova FIV e o resultado foi mais um embrião compatível com a vida”.

Diagnóstico de câncer repentino na vida do casal

Entretanto, em meio aos momentos de alegria, Alberto foi diagnosticado com um câncer nas vias biliares, com metástase no fígado. A notícia foi recebida pelo casal no mês de outubro de 2022, deixando um buraco no peito, mas a permanência da esperança sempre estava presente.

“Até cair a ficha, você vai ao buraco e depois sobe. Mas eu sempre fui uma mulher de muita fé. Confesso que ele não era tanto, mas quando descobriu a doença, ele agarrou a fé também, eu sou kardecista”, descreve Soraya.

Diante da agressividade do câncer, não era possível a realização de uma operação ou de um transplante. Alberto, então, começou a fazer o tratamento de quimioterapia.

Ainda tínhamos dois embriões, o tratamento foi fluindo e resolvemos transferir um embrião, no início de 2023, para tentar ter nosso filho, mesmo em meio a doença. A gente fez a primeira transferência quatro meses antes de o Alberto falecer, e o embrião não vingou. Alguma coisa me falou que não era para ser o momento. Eu ouvi muitos ‘nãos’ para ter o ‘sim’, no final de 2024.

Após uma intensa luta contra o câncer, Alberto faleceu em julho de 2023. “Ele foi internado no dia 3 de julho, na segunda, e, no sábado, faleceu. Ficou apenas cinco dias no hospital”.

Gravidez após a morte do marido

Depois do falecimento de Alberto, a ideia de ser mãe ainda estava muito presente na cabeça de Soraya. Entretanto, com o passar do tempo, o luto acabou freando a ideia. A advogada relata que encontrou força com a ajuda da espiritualidade.

Voltei a sair, fazer viagens, inclusive algumas que planejava fazer com Alberto. Mas a presença do embrião e a vontade de ser mãe eram muito fortes. Em 2024, resolvi realizar a transferência, o que só aconteceu em novembro.

Guilherme Lage, repórter do Folha Vitória
Guilherme Lage

Repórter

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.