
A mesma informação, linguagens diferentes: por que isso importa?
Quando a Lei nº 15.263/2025 determinou que órgãos públicos deveriam utilizar linguagem simples, muita gente achou que era só trocar “doravante” por “a partir de agora”.
Mas não é. A lei toca em algo maior: a necessidade de adaptar a mesma informação para públicos diferentes. E se isso vale para o setor público, vale ainda mais para empresas.
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O problema da comunicação única
Imagine uma empresa anunciando novos benefícios. Se o comunicado for o mesmo para o CEO, o supervisor e o operador de máquina, alguém não vai entender. Provavelmente mais de um alguém.
A tentação é fazer um texto único, formal, que cubra tudo. Mas quem tenta falar com todo mundo ao mesmo tempo acaba não falando com ninguém. O diretor financeiro quer saber o impacto no orçamento.
O supervisor precisa entender como isso afeta a rotina da equipe. O funcionário só quer saber: “isso melhora minha vida como?”. É a mesma informação, mas o que interessa para cada um é diferente.
Sentar-se na cadeira do outro
A linguagem simples não é sobre ser simplório. É sobre clareza. Trocar “efetuar o pagamento” por “pagar”. Explicar siglas. Usar exemplos concretos. Mas vai além disso. Precisa identificar o que importa para quem está ouvindo.
Quando você divulga resultados trimestrais, o investidor quer números e projeções. O funcionário quer saber se o emprego dele está seguro e se vai ter participação nos lucros. São recortes diferentes da mesma realidade.
Sentar na cadeira do interlocutor significa perguntar: o que esta pessoa precisa saber? O que ela vai fazer com esta informação? Que dúvidas virão depois?
Comunicação que funciona custa menos
A lei menciona redução de custos no setor público. Em empresas, o raciocínio é o mesmo. Comunicação confusa gera retrabalho, dúvidas repetidas, erros de interpretação. Um manual incompreensível aumenta perguntas ao RH.
Um e-mail mal escrito vira reunião ou até uma crise interna. Quem comunica bem economiza tempo, dinheiro e desgaste.
Na prática
Antes de enviar aquele comunicado corporativo, pare. Pense nos públicos que
vão ler. Talvez precise criar versões diferentes. Uma para a diretoria, outra para as lideranças, outra para o operacional. Não é trabalho extra. É comunicação que chega aonde precisa chegar.
A nova lei é um marco. Mas não precisa esperar decreto para começar a falar mais claro. Quanto mais gente entender o que você quer dizer, melhor você se comunica. Para mais gente você se comunica. Simples assim.