
Você cuida da sua Pleomele com carinho, mas o tempo passa e ela começa a ficar com o caule fino, esticado demais, com folhas concentradas apenas na ponta — e aquele visual exuberante do início parece ter ido embora. A boa notícia é que esse comportamento é comum e pode ser revertido com uma técnica simples, quase cirúrgica: cortes estratégicos. Com apenas quatro intervenções bem posicionadas, é possível engrossar o caule da Pleomele e transformar completamente sua aparência, sem precisar trocar de vaso ou investir em adubos caros.
Pleomele responde com força aos cortes certos
A Pleomele, também conhecida como dracena-malaia, é uma planta resistente, versátil e muito usada na decoração de interiores por sua aparência tropical e elegante. No entanto, com o passar dos meses, ela pode se tornar esguia, com crescimento vertical exagerado e pouca ramificação. Isso acontece porque a planta tende a concentrar energia no topo, deixando o caule mais frágil e desprotegido.
É justamente aí que o corte entra como um estímulo poderoso. Quando o ápice do crescimento é removido, a planta ativa seus hormônios laterais, estimulando o surgimento de novos brotos e engrossando a base para sustentar a estrutura. Em outras palavras: cortar é sinal verde para a Pleomele se renovar.
Corte de topo: o primeiro passo para engrossar o caule
O corte mais importante é o corte de topo, feito logo acima de uma gema (pequena saliência no caule, onde pode surgir uma folha ou ramo). Esse tipo de corte interrompe o crescimento vertical e faz com que a planta direcione energia para os lados.
Para fazer corretamente, use uma tesoura de poda bem afiada e higienizada. Corte a cerca de 10 a 20 cm abaixo do topo da planta. Em alguns dias, você notará brotações laterais surgindo logo abaixo do corte. Esses novos ramos irão engrossar a estrutura e dar mais volume visual à planta.
E o melhor: você pode reaproveitar a ponta cortada para fazer uma muda nova — basta deixá-la em substrato úmido e bem drenado, em ambiente com boa luminosidade.
Corte intermediário: como forçar ramificações no meio da haste
Se sua Pleomele estiver com um caule muito longo e com folhas só na parte de cima, o corte intermediário pode fazer milagres. Ele é feito no meio da haste, geralmente a uma altura que fique visualmente equilibrada com o ambiente (por exemplo, entre 50 e 70 cm do solo).
Esse corte é ideal para estimular brotações mais distribuídas ao longo do caule, criando uma aparência mais densa e menos “palito”. Em plantas com múltiplos caules, o ideal é intercalar os cortes — alguns mais altos, outros mais baixos — para criar um visual mais natural e ramificado.
Corte de limpeza: remoção de galhos finos ou mal posicionados
Nem todo corte precisa ser drástico. O corte de limpeza é uma manutenção periódica que remove brotos fracos, galhos finos ou folhas que nascem tortas e comprometem a estética da planta.
Esse tipo de corte ajuda a concentrar a energia da Pleomele nas áreas mais vigorosas, além de melhorar a ventilação entre os galhos. Como consequência, a planta desenvolve caules mais firmes e simétricos.
Faça esse tipo de corte sempre com bom senso: retire apenas o que estiver visivelmente frágil ou fora de lugar. E jamais corte todos os brotos de uma vez — o excesso de poda pode estressar a planta.
Corte rente à base: para renovar uma planta muito esticada
Se a sua Pleomele já está com aspecto comprometido, com haste fina e comprida demais, o corte rente à base é a solução mais radical, porém eficiente. Basta cortar a planta a cerca de 10 cm do solo, deixando apenas o toquinho visível. Em poucas semanas, novos brotos começarão a surgir com muito mais vigor e já com caules mais grossos desde o início.
Essa técnica funciona especialmente bem quando acompanhada de substrato rico em matéria orgânica, boa luminosidade e rega controlada. É como apertar o botão de “reset” na planta, dando a ela uma nova chance de crescer com mais estrutura e beleza.
Cuidados após o corte: rega, luz e paciência
Após qualquer um dos cortes citados, a Pleomele precisa de atenção especial. Evite encharcar o solo, mantenha em local com luz indireta forte (sem sol direto nos primeiros dias) e monitore o surgimento de brotações.
Para ajudar no fortalecimento do caule, é possível usar um tutor nos primeiros dias ou aplicar adubo equilibrado (NPK 10-10-10) de forma moderada.
Em poucas semanas, a resposta é visível: novos brotos surgem com força, os caules se tornam mais robustos e o visual da planta ganha nova vida.
Cortar é cuidar: a poda como ferramenta de renovação
Muita gente evita cortar a Pleomele por medo de “machucar” a planta. Mas o que poucos percebem é que, na natureza, as podas acontecem o tempo todo — por vento, animais ou desgaste natural. Ao fazer cortes conscientes, você está apenas guiando esse processo para fortalecer ainda mais sua planta.
Em vez de uma Pleomele alta, fina e desengonçada, você terá uma versão mais cheia, estruturada e ornamental. E tudo isso com quatro cortes simples, feitos no momento certo, com as ferramentas certas e a paciência de quem entende que planta bonita é planta que recebe atenção — até na tesoura.