Rei em Miami: Messi é bi-MVP da MLS e dita a temporada

Foto: Miguel Ruiz/FC Barcelona/Fotos Públicas

Lionel Messi voltou a redefinir padrões em 2025. Aos 38 anos, o camisa 10 do Inter Miami foi eleito novamente o MVP da Major League Soccer, tornando-se apenas o segundo jogador na história da liga a conquistar o prêmio duas vezes, ao lado do sérvio Predrag Radosavljevic.

O reconhecimento coroa uma temporada de números impressionantes, títulos inéditos e impacto que extrapola o campo, consolidando Lionel Messi como o grande motor esportivo e simbólico da MLS e fazendo até seus fãs relembrarem o auge físico e técnico no Barcelona.

Messi, MVP pela 2ª vez: o que sustenta a escolha

A votação que consagrou Messi foi praticamente incontestável. Ele recebeu 70,43% dos votos de um painel formado por jornalistas, jogadores e representantes dos clubes da liga. O dinamarquês Anders Dreyer ficou em segundo lugar, com 11,15%, enquanto Denis Bouanga apareceu em terceiro, com 7,27%.

Os números explicam a vantagem. Messi terminou a temporada como artilheiro, com 29 gols em 28 rodadas, além de participações decisivas em praticamente todos os momentos-chave do Inter Miami.

Em 2025, ele marcou 43 gols em 49 partidas pelo clube, desempenho que remete ao auge vivido no Barcelona em 2018/19, quando anotou 51 gols em 50 jogos. É um nível que poucos acreditavam ser possível fora da Europa.

Inter Miami campeão: como a temporada foi construída

O título da MLS foi o primeiro da história do Inter Miami e encerrou com sucesso o capítulo inicial da era Messi no clube. Na final disputada em Fort Lauderdale, a equipe da Flórida venceu o Vancouver Whitecaps por 3 a 1, com participação direta do argentino nos três gols. Foi o retrato de uma campanha construída com protagonismo técnico e liderança silenciosa.

Após o Mundial de Clubes, Messi engrenou uma sequência impressionante. Marcou oito gols em cinco jogos e, a partir de agosto, somou 11 gols e 10 assistências nos últimos dez jogos da temporada regular. Nos playoffs, elevou ainda mais o nível, com seis gols e nove assistências em seis partidas. Não foi apenas eficiência ofensiva, mas também leitura de jogo, controle de ritmo e influência sem bola.

A virada de chave após a Copa do Mundo

O contraste com o período no PSG é evidente. Em 2022, ano do título mundial com a Argentina, Messi vivia fase discreta nos clubes, com 11 gols na temporada 2021/22 e 21 na seguinte. Na seleção, porém, seguia decisivo, com 18 gols em 14 jogos no ano da Copa, incluindo dois na final contra a França.

A ida aos Estados Unidos parecia, para muitos, um ensaio de despedida. O que se viu foi o oposto: um Messi revitalizado, confortável, competitivo e disposto a liderar um projeto ambicioso.

“Rei da América”: Messi x Arrascaeta em 2025

O domínio de Messi na MLS reacendeu um debate continental. Em 2025, Giorgian De Arrascaeta foi o grande nome do futebol sul-americano, conduzindo o Flamengo a uma histórica dobradinha de Brasileiro e Libertadores. A disputa simbólica pelo posto de Rei da América ganhou força, colocando frente a frente dois craques em contextos distintos, mas igualmente dominantes.

Neste dia 31 de dezembro de 2025, Arrascaeta foi anunciado como vencedor do “Rei da América” graças aos seus ótimos números individuais e aos títulos obtidos com o Flamengo.

O que não tira o brilho da temporada de Messi, que acabou perdendo a disputa para o uruguaio, sobretudo pela falta de um título continental do porte da Taça Libertadores na temporada. Além disso, Messi é cotado como o melhor jogador da história pelo IFFHS.

2026 no radar: físico, seleção, calendário e 1000 gols

O planejamento para 2026 será decisivo. Messi renovou contrato por mais três anos e esteve presente na assinatura no canteiro de obras do Miami Freedom Park, estádio bilionário que simboliza a próxima fase do clube. Sua transição futura para a condição de sócio e dirigente parece cada vez mais natural.

Dentro de campo, a gestão física será fundamental. Messi deverá ser convocado para a Copa do Mundo de 2026, mas sua participação dependerá de equilíbrio entre minutos, calendário da MLS e compromissos internacionais. Em entrevistas recentes, o argentino deixou claro o desejo de seguir competitivo e ajudar não apenas o Inter Miami, mas também a própria liga a evoluir.

Além disso, Messi ainda pode esticar a carreira para atingir a marca de 1000 gols. Atualmente, o argentino está com 896 tentos assinalados. O craque tem contrato com o Inter Miami até 2028.

Impacto fora de campo: audiência, patrocínio e legado

O efeito Messi vai muito além das quatro linhas. Audiência global, novos patrocinadores e crescimento da marca MLS caminham lado a lado com seu sucesso esportivo. A inclusão de Rodrigo De Paul como jogador designado e as saídas de Busquets e Jordi Alba indicam que o clube segue disposto a se reinventar, mantendo estrelas e ambição.

Esse impacto também se reflete na forma como o futebol é consumido. Jogos do Inter Miami viraram eventos globais, movimentando debates, projeções e análises de mercado. Não por acaso, as casas de apostas acompanham os passos de Messi, refletindo o interesse crescente do público em torno de cada atuação do argentino. Saiba quando apostar e quando parar.

Próximos passos: reforços, metas e o que acompanhar

O Inter Miami entra em uma nova era com estádio novo, elenco remodelado e Messi como catalisador de mudanças. A grande questão é se o clube buscará outro nome de peso para ocupar a vaga de jogador designado ou se apostará em profundidade e equilíbrio.

Uma coisa é certa: a imagem de Messi erguendo a taça da MLS já percorreu o mundo como propaganda do futebol norte-americano. Se “Messi em Miami 1.0” provou que uma estrela global pode transformar a liga, “Messi em Miami 2.0” aponta para algo maior. Não apenas títulos, mas legado, influência estrutural e um novo patamar de ambição para a MLS.

Dídimo Effgen

Colunista

Diretor Geral da Dicape Representações e Serviços Ltda.

Diretor Geral da Dicape Representações e Serviços Ltda.