Quando o primeiro emprego não chega, a juventude periférica fica presa a um ciclo injusto: não há vaga porque falta experiência e falta experiência porque não há vaga. Em Flexal 2, decidiram encurtar essa distância com o novo projeto da Act Br: Agência-Escola de Comunicação.
Flexal 2, em Cariacica, é um território de potência criativa. A cada oficina de Vídeo, Graffiti, Fotografia ou Moda, vejo adolescentes e jovens com repertório, disciplina e fome de mundo. O que falta? A porta certa. Entre o talento e o salário do fim do mês existe um corredor chamado experiência prática – e é nele que muita gente tropeça.
A Agência-Escola nasce para resolver exatamente isso: aprender fazendo, em um ambiente profissional, com prazos reais, clientes de verdade e acompanhamento de especialistas. O modelo é simples e exigente: formação teórica, prática e rede. Em três meses, os participantes circulam por todas as etapas do trabalho em comunicação, do briefing à entrega, passando por planejamento, criação e atendimento.
No primeiro eixo, vai ser estruturada a operação: processos claros, proposta de valor objetiva e um padrão de qualidade que respeita a identidade local. No segundo, formamos multiplicadores: quinze jovens participam dos módulos, mergulhando em tendências, estratégia e produção – e replicam o aprendizado a outros colegas.
No terceiro, abrimos o território: visitas técnicas a agências, departamentos de marketing e parques gráficos na Grande Vitória, para entender a cadeia produtiva e, principalmente, para que os jovens sejam vistos onde as decisões acontecem.
Essa travessia só funciona com referências sólidas: Invento Agência de Futuros e as mentoras/professoras do mercado, Aparecida Torrecillas e Liliane Ramos, que traduzem o funcionamento de uma agência para a nossa realidade, sem reduzir rigor. É método, não milagre. É gestão, não improviso.
Quem orienta o percurso
Hugo Mansur — administrador com especialização em gestão de marcas e gestão estratégica; mais de 10 anos de atuação; consultor de branding; professor do MBA em Marketing da Fucape e sócio da Lifebrand (Agência que completa 17 anos em 2025).
Pra trabalhar a inteligência emocional dos participantes: Bárbara Vitor — psicóloga clínica e social; mestra em Sociologia Política pela UVV; pesquisadora de afetividades e narrativas na luta antimanicomial; pós-graduanda em Fundamentos da Psicanálise.
E, Mariana Mota — publicitária com MBA em Gestão – Inteligência em Negócios Digitais; mais de 8 anos de experiência; sócia na operação de performance de negócio na Tris; estrategista e referência em TikTok Ads, uma das primeiras profissionais do Brasil e a primeira do ES com a certificação TikTok Buying Professional.
O impacto, aqui, tem duas camadas. A primeira é imediata: portfólios consistentes, repertório atualizado e capacidade de entregar sob pressão – o que qualquer contratante sério procura. A segunda é estrutural: pertencimento, autonomia e leitura crítica do território.
Quando um jovem entende que sua linguagem, seu bairro e sua história podem ser ativos profissionais, ele para de pedir licença para existir e passa a negociar como protagonista.
Há quem pergunte: “Mas existe demanda?”. Existe – e muito. O Espírito Santo expandiu seu ecossistema de comunicação, marketing e economia criativa. Prefeituras, negócios locais, indústrias e o próprio terceiro setor precisam de conteúdo, estratégia e design todos os dias.
O gargalo não está na falta de trabalho; está no acesso a ele. Ao encurtar o caminho entre escola e mercado, a Agência-escola também corrige ineficiências: forma gente boa para vagas reais e ajuda empresas a encontrarem equipes diversas, comprometidas e criativas.
Pense na cena: uma equipe de três jovens recebe um briefing de uma empresa do bairro. Eles pesquisam, definem público, criam a linha editorial, produzem fotos e vídeos, organizam o calendário, entregam e analisam resultados.
No processo, aprendem técnica e aprendem ética: responder com clareza, admitir ajustes, consultar a legislação, respeitar a imagem de quem aparece nas peças. Ao final, não ganham apenas um certificado: ganham um caminho.
Também aprende-se reciprocidade. Não se trata de romantizar a periferia nem de transformar os jovens em peças de marketing social.
Trata-se de estabelecer trocas justas. A Act oferece serviço com padrão profissional; as parcerias, por sua vez, não “dão uma força”: contratam, abrem portas para visitas e estágios, compartilham briefings e feedbacks. É assim que se constrói uma ponte que sustenta muito peso.
Encurtar as distâncias entre a sala de aula e o primeiro emprego
E aqui vai meu convite direto ao setor produtivo capixaba: se você é gestor(a) de marketing, dirige uma agência ou toca a comunicação de um negócio, teste esse modelo. Abra a sala para uma visita técnica; ofereça um problema real para esse time resolver em sprint; reserve uma vaga de estágio para quem concluir o percurso; inclua a periferia no seu funil de contratação. Você vai se surpreender – e sua marca também.
Flexal 2 está construindo uma vitrine de competência. A Agência-Escola é um passo dentro de uma trajetória maior, que inclui trilhas de carreira em arte, tecnologia e comunicação. É trabalho de longo prazo, com metas claras: consolidar a gestão da agência, formar multiplicadores e firmar parcerias que gerem contratos e renda. Mais do que “dar oportunidade”, queremos disputá-la – com currículo, portfólio e resultados.
Se a distância entre sala de aula e primeiro job sempre foi grande, agora temos um atalho. Ele passa por profissionalismo, por portas abertas e por uma ideia simples: talento não é exceção na periferia. É regra. O que faltava era um endereço onde ele pudesse trabalhar.
Contato para entrevistas e parcerias: [email protected] / (27) 99880-6252.