Em clima campestre, Sasha Meneghel estrela a capa e ensaio da revista Glamour de fevereiro e em entrevista, falou sobre como foi crescer em meio aos holofotes:

– Já fui muito presa à ideia de que precisava me desassociar da minha mãe para que conseguissem me enxergar. Hoje não vejo assim. Só quero que me chamem para trabalhar, por exemplo, pelos motivos certos, e que me enxerguem por quem eu sou, não por quem minha mãe é.

Ela também falou que sua experiência morando nos Estados Unidos a ajudou a se conhecer melhor:

– Lá pude explorar quem eu sou, não quem queriam que eu fosse. Me deu um alívio, uma noção de: Posso respirar aqui. Fico feliz em ver que, mesmo de volta ao Brasil, essa necessidade de ser livre continua presente em mim.

Sasha também desabafou sobre como lidou com a autoestima ao ser sempre observada desde que pequena:

– Amadurecer nesse meio não foi fácil nesse sentido. Achava que precisava sempre estar melhor, mas não caibo na caixinha que criaram para mim. Minha mãe foi modelo, então havia essa expectativa sobre quem eu seria. Cresci achando que meu rosto era muito grande. Eu tinha 12 anos quando vi na internet que parecia um biscoito. Ler isso com aquela idade mexeu demais comigo. Fazia de tudo para minimizar, sorria olhando para baixo, evitava levantar muito a cabeça. Nem sei se passou. É difícil, mas todos precisamos ajudar a mudar essa cultura. Não existe um só jeito de como a mulher deve ser, do que nos fazem acreditar que são falhas e que são só coisas normais, quem somos.

Sobre o que ela herdou de seus pais, Xuxa e Luciano Szafir, Sasha contou:

– Da minha mãe, a transparência. Sou transparente igual a ela. É muito fácil ver o que estamos sentindo. Como ela, também sou muito competitiva e um pouquinho perfeccionista. Do meu pai, herdei os olhos, o fato de gostar muito de comer, meu lado atleta. Também dormimos na mesma posição e somos chorões. Nós nos falamos muito por telefone. Com o isolamento, não me senti confortável para encontrar mais com ele e meus irmãos.

Ela também revelou como se interessou por temas de sustentabilidade quando foi estudar moda no exterior:

– Até entrar na faculdade, eu sempre soube o que eu queria fazer, mas quando cheguei lá, mudei de ideia porque eu entendi o que era a indústria da moda. De fato vi o mal que ela pode causar para o planeta. Foi quando descobri a especialização em sociedade e sistemas, que ensina como criar pensando em impacto social e ambiental. Sei que nenhuma marca consegue virar sustentável da noite para o dia, mas mudanças pequenas podem gerar a transformação maior depois. Só vou abrir uma empresa que tenha uma história por trás, que esteja ligada a alguma causa que toque meu coração, que empodere mulheres, que seja sustentável e em que eu possa ser transparente em relação aos processos que não forem, para poder ser cobrada em melhorar. Quero devolver para o mundo o que recebo.