
A primeira temporada de “Percy Jackson e os Olimpianos” havia estreado de forma promissora, mas havia sentido que a série perdia força ao longo do caminho, mas ainda assim, o saldo havia sido positivo. Agora eu finalizo a segunda temporada no Disney+ e, em grande parte, a produção conseguiu recuperar o fôlego.
Ao adaptar “O Mar de Monstros”, o segundo livro da saga de Rick Riordan, a série demonstra mais maturidade, mais segurança criativa e um entendimento bem mais claro do que funciona e do que precisa ser ajustado nesse universo mitológico para a televisão.
Uma narrativa mais direta e personagens maduros
O novo ano evita as “barrigas” logo de início. Percy retorna ao Acampamento Meio-Sangue um ano após descobrir sua origem como filho de Poseidon e rapidamente é jogado em um novo conflito: o desaparecimento de Grover e a ameaça que paira sobre o acampamento após o enfraquecimento de sua barreira mágica, sendo necessário realizar a busca pelo Velocino de Ouro.

Por outro lado, essa objetividade cobra um preço. Alguns saltos narrativos são rápidos demais, o que pode gerar estranhamento para quem não conhece o material original. Momentos marcantes para os leitores surgem quase sem transição, enquanto espectadores novatos podem sentir falta de mais contexto entre um evento e outro.
No entanto, o grande acerto da temporada está no desenvolvimento dos personagens. A série deixa de focar apenas na apresentação do universo e passa a investir nos conflitos internos do trio principal.
Percy ganha mais profundidade, Annabeth finalmente recebe o destaque que merece, e o reconhecimento que sempre mereceu, e Luke retorna com camadas mais complexas, indo além do antagonismo simples.
Tyson, o ciclope meio-irmão de Percy, ajuda a estabelecer o tom da temporada e tem uma interpretação tão querida que rouba todas as cenas em que aparece.
Não posso também deixar de citar o destaque que Clarisse, a filha de Ares, ganha neste novo ano, com um dos melhores arcos emocionais da temporada, trazendo uma nova curva para a personagem.
Ajustes espertos e reviravoltas
A segunda temporada também acerta ao equilibrar fidelidade ao livro com adaptações necessárias para a linguagem televisiva. O roteiro respeita os pontos centrais do livro, mas não tem medo de propor mudanças pontuais, especialmente em arcos mais simbólicos. Essas alterações, longe de prejudicar a história, ampliam o impacto e criam novas possibilidades para o futuro da série.
O caso de Thalia Grace, a filha de Zeus transformada na árvore protetora do acampamento, é o exemplo mais significativo. A produção apresenta uma releitura mais sombria de seu destino, adicionando tensão política entre deuses e semideuses e abrindo caminho para conflitos ainda mais ambiciosos nas próximas temporadas.
Tecnicamente, a série continua sem apostar em grandes excessos visuais. Os efeitos especiais seguem discretos, mesclando CGI simples e efeitos práticos para cumprir sua função narrativa. Embora pouco impressionante, essa escolha é inteligente, pois evita cenas artificialmente exageradas e mantém a coerência estética da série.
Com a terceira temporada já confirmada, “Percy Jackson e os Olimpianos” se consolida como uma das produções mais bem avaliadas do catálogo do streaming. Mais coesa, mais madura e claramente superior aos filmes feitos anteriormente, a série mostra que aprendeu com seus erros e, agora, está pronta para crescer junto com seu público.