A série corrige seus erros ao adaptar "O Mar de Monstros" no seu segundo ano (Foto: Reprodução/X/@DisneyPlusBR)
A série corrige seus erros ao adaptar "O Mar de Monstros" no seu segundo ano (Foto: Reprodução/X/@DisneyPlusBR)

A primeira temporada de “Percy Jackson e os Olimpianos” havia estreado de forma promissora, mas havia sentido que a série perdia força ao longo do caminho, mas ainda assim, o saldo havia sido positivo. Agora eu finalizo a segunda temporada no Disney+ e, em grande parte, a produção conseguiu recuperar o fôlego.

Ao adaptar “O Mar de Monstros”, o segundo livro da saga de Rick Riordan, a série demonstra mais maturidade, mais segurança criativa e um entendimento bem mais claro do que funciona e do que precisa ser ajustado nesse universo mitológico para a televisão. 

Uma narrativa mais direta e personagens maduros

O novo ano evita as “barrigas” logo de início. Percy retorna ao Acampamento Meio-Sangue um ano após descobrir sua origem como filho de Poseidon e rapidamente é jogado em um novo conflito: o desaparecimento de Grover e a ameaça que paira sobre o acampamento após o enfraquecimento de sua barreira mágica, sendo necessário realizar a busca pelo Velocino de Ouro.

O trio segue crescendo diante das novas missões (Foto: Reprodução/X/@DisneyPlusBR)

Por outro lado, essa objetividade cobra um preço. Alguns saltos narrativos são rápidos demais, o que pode gerar estranhamento para quem não conhece o material original. Momentos marcantes para os leitores surgem quase sem transição, enquanto espectadores novatos podem sentir falta de mais contexto entre um evento e outro.

No entanto, o grande acerto da temporada está no desenvolvimento dos personagens. A série deixa de focar apenas na apresentação do universo e passa a investir nos conflitos internos do trio principal.

Percy ganha mais profundidade, Annabeth finalmente recebe o destaque que merece, e o reconhecimento que sempre mereceu, e Luke retorna com camadas mais complexas, indo além do antagonismo simples.

Tyson, o ciclope meio-irmão de Percy, ajuda a estabelecer o tom da temporada e tem uma interpretação tão querida que rouba todas as cenas em que aparece.

Não posso também deixar de citar o destaque que Clarisse, a filha de Ares, ganha neste novo ano, com um dos melhores arcos emocionais da temporada, trazendo uma nova curva para a personagem.

Ajustes espertos e reviravoltas

A segunda temporada também acerta ao equilibrar fidelidade ao livro com adaptações necessárias para a linguagem televisiva. O roteiro respeita os pontos centrais do livro, mas não tem medo de propor mudanças pontuais, especialmente em arcos mais simbólicos. Essas alterações, longe de prejudicar a história, ampliam o impacto e criam novas possibilidades para o futuro da série.

O caso de Thalia Grace, a filha de Zeus transformada na árvore protetora do acampamento, é o exemplo mais significativo. A produção apresenta uma releitura mais sombria de seu destino, adicionando tensão política entre deuses e semideuses e abrindo caminho para conflitos ainda mais ambiciosos nas próximas temporadas.

Tecnicamente, a série continua sem apostar em grandes excessos visuais. Os efeitos especiais seguem discretos, mesclando CGI simples e efeitos práticos para cumprir sua função narrativa. Embora pouco impressionante, essa escolha é inteligente, pois evita cenas artificialmente exageradas e mantém a coerência estética da série.

Com a terceira temporada já confirmada, “Percy Jackson e os Olimpianos” se consolida como uma das produções mais bem avaliadas do catálogo do streaming. Mais coesa, mais madura e claramente superior aos filmes feitos anteriormente, a série mostra que aprendeu com seus erros e, agora, está pronta para crescer junto com seu público.

Gabriel Miranda

Repórter

Jornalista em formação pela Estácio de Sá, faz parte da redação da TV Vitória e está à frente do quadro "Só Soundtrack Boa" na Jovem Pan Vitória. Com olhar atento e conhecimento de cinema e cultura pop, escreve sobre filmes, séries, bastidores e tudo que movimenta esse universo pop.

Jornalista em formação pela Estácio de Sá, faz parte da redação da TV Vitória e está à frente do quadro "Só Soundtrack Boa" na Jovem Pan Vitória. Com olhar atento e conhecimento de cinema e cultura pop, escreve sobre filmes, séries, bastidores e tudo que movimenta esse universo pop.