
Quem já tentou multiplicar uma sansevieria em casa sabe que a ansiedade pode bater forte: será que estou cortando demais? Será que estou machucando a planta? Essa suculenta resistente e elegante, também conhecida como espada-de-são-jorge, se tornou queridinha de muitos lares brasileiros — não só pela estética moderna, mas pela fama de purificadora de ambientes. Porém, quando chega a hora de expandir a coleção ou presentear alguém, surge a dúvida crucial: quantos brotos separar da sansevieria sem comprometer sua saúde? Entender esse limite pode ser a diferença entre uma planta vibrante e uma planta estressada.
Quantos brotos de sansevieria posso separar sem riscos?
A sansevieria é uma planta que cresce lentamente, formando brotos laterais chamados rizomas, que brotam da base e formam novas folhas com o tempo. A multiplicação, nesse caso, é feita por divisão dessas touceiras. O ideal, para manter a vitalidade da planta-mãe, é separar no máximo 25% dos brotos disponíveis por vez.
Ou seja, se você identificar oito brotos bem desenvolvidos ao redor da planta principal, retire no máximo dois. Isso garante que ela não sofra um choque de crescimento e tenha força para continuar emitindo novas folhas saudáveis. O erro mais comum de quem está começando na jardinagem é querer multiplicar demais e acabar enfraquecendo tanto a planta-mãe quanto as mudas novas.
Como saber se os brotos da sansevieria estão prontos para retirada
Antes de qualquer corte, observe: os brotos devem ter ao menos 10 cm de altura e folhas firmes. Além disso, é importante que estejam conectados à base da planta por um rizoma visível e resistente. Brotos muito jovens ou finos demais têm pouca chance de sobreviver sozinhos após a separação.
Outro indicador é a quantidade de folhas maduras da planta-mãe. Se ela está robusta e com pelo menos 6 folhas grandes e saudáveis, provavelmente consegue suportar uma divisão controlada. Por outro lado, plantas recém-replantadas ou que passaram por períodos de estresse (como mudanças bruscas de luz, falta de água ou pragas) devem ser deixadas em paz por alguns meses antes de qualquer intervenção.
Multiplicação sem traumas: o momento certo e como fazer
O melhor período para multiplicar a sansevieria é no início da primavera, quando o clima começa a esquentar e a planta entra em fase ativa de crescimento. Evite fazer a separação no inverno ou em dias muito secos, pois isso reduz drasticamente o índice de sucesso das mudas.
Use uma faca ou tesoura de poda esterilizada e afiada. Faça um corte limpo na base do rizoma, o mais próximo possível da origem do broto, evitando machucar a planta-mãe. Depois, deixe o broto separado fora da terra por 24 horas para que o corte cicatrize — isso evita o apodrecimento quando ele for replantado.
Ao replantar a muda, use um vaso pequeno, com substrato leve e boa drenagem. Mantenha o solo levemente úmido nas primeiras semanas e posicione o vaso em local iluminado, mas sem sol direto. Em cerca de um mês, se tudo correr bem, o broto começará a emitir novas folhas por conta própria.
O que acontece se você exagerar na separação dos brotos?
Retirar muitos brotos de uma vez pode causar estresse fisiológico severo à sansevieria. Os sinais são perceptíveis: folhas murchas, bordas queimadas, crescimento estagnado ou até mesmo o aparecimento de manchas escuras.
Esse estresse acontece porque a planta perde boa parte de suas reservas de energia — afinal, os rizomas são estruturas de armazenamento. Além disso, a planta acaba redirecionando seus recursos para se recuperar, ao invés de crescer ou produzir novos brotos. Isso pode atrasar o desenvolvimento por meses, especialmente se a planta estiver em ambiente com pouca luminosidade.
Por isso, a palavra-chave aqui é equilíbrio. Multiplicar uma sansevieria deve ser um processo gradual e consciente. Menos é mais — e a paciência costuma ser recompensada com novas mudas saudáveis e plantas-mães vigorosas por muito tempo.
A multiplicação como cuidado, não como urgência
Separar brotos de sansevieria não é apenas uma forma de expandir sua coleção ou fazer presentes criativos. É também uma maneira de cuidar, renovar e até mesmo observar de perto o ciclo de vida dessa planta fascinante. Mas tudo isso só é possível quando feito com atenção e respeito ao ritmo da natureza.
Lembre-se: cada planta tem seu tempo. Forçar a multiplicação não só compromete a saúde da sansevieria como também prejudica o prazer de cultivar. Observar, esperar e agir no momento certo pode ser a lição mais valiosa para quem deseja manter plantas bonitas e duradouras em casa.