Conheça a importância da educação financeira nas escolas do futuro e como ela está sendo incorporada ao modelo de ensino.
Em ano com mais dinheiro na conta, com apelos de consumo como a Copa do Mundo, a educação financeira fará toda a diferença para as famílias. Crédito: Divulgação

Artigo escrito por Érico Colodeti Filho, especialista em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Especialista em criptomoedas pela Associação Nacional das Corretoras Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord). Professor universitário.

O ano de 2026 se desenha no horizonte como um caleidoscópio de eventos e transformações econômicas. E isso promete redefinir o comportamento do consumidor brasileiro. De um lado, a efervescência da Copa do Mundo e o fervor das eleições injetam ânimo no mercado. Enquanto a aguardada isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais promete colocar mais dinheiro no bolso de milhões de trabalhadores.

Naturalmente, a expectativa seria de um boom no varejo. Contudo, as projeções para o varejo de alimentos, um termômetro sensível do poder de compra das famílias, apontam para um cenário moderado. Por que essa discrepância? A resposta está na complexa teia de inflação persistente, crédito caro e, fundamentalmente, uma profunda reorganização dos hábitos de consumo. Neste cenário dinâmico, a educação financeira emerge não como um mero conselho, mas como o guia essencial para navegar por águas turvas e aproveitar as novas oportunidades.

A aparente bonança de um IR zerado para uma parcela significativa da população, aliada ao impulso de consumo gerado por eventos como a Copa, pode criar uma falsa sensação de segurança financeira. Mais dinheiro circulando, em tese, deveria se traduzir em maior poder de compra. No entanto, a realidade econômica é mais matizada.

Inflação e educação financeira

A inflação, com seu efeito corrosivo sobre o valor do dinheiro, continua a ser um desafio constante, exigindo que cada centavo seja gasto com inteligência. Paralelamente, a persistência de um crédito caro funciona como um freio invisível, desestimulando o endividamento e forçando as famílias a uma disciplina maior.

Sem uma compreensão clara desses mecanismos, o dinheiro extra pode evaporar sem deixar um legado de prosperidade, apenas a frustração de oportunidades perdidas. Estima-se que a isenção do IR injetará R$ 31,2 bilhões em 2026, dos quais cerca de 54,5% (R$ 16,98 bilhões) deverão ir para o consumo, e 33,6% (R$ 10,47 bilhões) para a quitação de dívidas. Este dado revela que, mesmo com mais recursos, a prioridade para muitos ainda é o saneamento financeiro, evidenciando a cautela necessária.

A reconfiguração do consumo em 2026 é um capítulo à parte, e o InfoMoney o descreve com precisão cirúrgica. Assistimos a um fenômeno fascinante: de um lado, as chamadas “canetas emagrecedoras” não apenas impactam a saúde, mas remodelam o carrinho de compras. Bebidas alcoólicas, doces e alimentos ultraprocessados perdem espaço, abrindo demanda para proteínas e alimentos frescos. Ou seja, uma mudança que, para o orçamento, significa uma troca de valor e, muitas vezes, de custo. Essa tendência reflete uma crescente busca por bem-estar e saúde, que tem levado consumidores a reavaliar suas escolhas alimentares e, consequentemente, seus gastos.

A consciência sobre a saúde se traduz em um consumo mais “racional” e “segmentado”, onde o valor percebido de um alimento saudável supera o custo de itens tradicionalmente mais baratos, mas menos nutritivos.

Perigos das bets e dos “tigrinhos”

De outro lado, a ascensão vertiginosa das apostas esportivas, as famosas “bets”, especialmente entre as classes C, D e E, representa um novo e poderoso competidor pelos recursos familiares, disputando espaço com itens essenciais. Pesquisas indicam que 71% dos brasileiros planejam assistir à Copa do Mundo de 2026. Do mesmo modo essa atmosfera de competição e torcida pode impulsionar ainda mais o interesse nas apostas. No entanto, a facilidade de acesso e o apelo rápido por ganhos podem mascarar os riscos inerentes, desviando recursos que seriam destinados à alimentação, educação ou saúde para uma atividade de alto risco.

Para muitas famílias, o dinheiro destinado às bets pode representar a diferença entre ter ou não ter o essencial, tornando a educação financeira um escudo contra decisões impulsivas e potencialmente devastadoras. É nesse “supermercado que vira campo de teste” que a educação financeira se revela mais vital do que nunca. Ela instrumentaliza as famílias a fazerem escolhas mais racionais e segmentadas, a definirem novas prioridades que reflitam seus valores e objetivos de longo prazo. Não se trata de privação, mas de alocação estratégica.

Como equilibrar o desejo de participar das celebrações da Copa com a necessidade de investir em alimentos mais saudáveis? Como gerenciar o apelo das bets sem comprometer o pagamento das contas essenciais? A resposta está na capacidade de construir um orçamento transparente, de rastrear gastos, de identificar vícios de consumo e de proativamente, destinar recursos para o que realmente importa. É a disciplina que permite aproveitar as oportunidades sem cair nas armadilhas.

Copa, consumo e educação financeira

Analistas de mercado, como os da Ipsos, observam que a disposição para o consumo durante eventos como a Copa é alta. Porém, alertam que essa euforia precisa ser dosada com responsabilidade para não comprometer o orçamento.

Um orçamento familiar bem estruturado atua como um mapa de guerra, identificando as fontes de receita e as saídas de recursos, permitindo que as famílias definam limites claros para gastos com lazer e entretenimento, garantindo que as despesas essenciais sejam sempre priorizadas. A educação financeira ensina a diferença entre querer e precisar, e, em um ano de tantos estímulos, essa distinção será crucial.

Em última análise, 2026, com suas particularidades e desafios, é um convite irrecusável para que cada família brasileira reassuma o controle de suas finanças. Analistas apontam que o “jogo do consumo mudou”, e para vencer, é preciso mais do que sorte ou um extrato bancário recheado temporariamente. É preciso estratégia, conhecimento, disciplina e educação finaceira.

Érico Colodeti Filho é especialista em investimentos e professor universitário. Foto: Divulgação

A educação financeira, neste contexto, não é um privilégio, mas uma necessidade fundamental. Ela capacita o indivíduo a entender o valor do seu trabalho, a proteger seu patrimônio da inflação, a resistir às armadilhas do crédito fácil e a investir em seu futuro e no de sua família, transformando um ano de incertezas em um ano de decisões assertivas e, consequentemente, de maior prosperidade e serenidade.

Redação Folha Vitória

Equipe de Jornalismo

Redação Folha Vitória é a assinatura coletiva que representa a equipe de jornalistas, editores e profissionais responsáveis pela produção diária de conteúdo do Folha Vitória. Comprometida com a excelência jornalística, a equipe atua de forma integrada para garantir informações precisas, atualizadas e relevantes, sempre alinhada à missão de informar com ética, democratizar o acesso à informação e fortalecer o diálogo com a comunidade capixaba. O trabalho do grupo reflete o padrão de qualidade da Rede Vitória de Comunicação, consolidando o veículo como referência em jornalismo digital no Espírito Santo.

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