
O planejamento é essencial para manter a saúde financeira em ordem. Porém, muitas falhas podem ocorrer nesse processo, o que pode resultar em endividamento e instabilidade nas finanças. A ausência de um orçamento, o acúmulo de despesas fixas e o uso de crédito de forma irresponsável são alguns dos erros que podem gerar problemas futuros.
O Folha Vitória conversou com os economistas Wallace Millis e Marcel Lima para entender como falhas podem prejudicar a vida financeira.
Veja abaixo 5 erros nas finanças que podem causar endividamento
Os economistas destacam que ausência de planejamento e controle de gastos, pensamento de curto prazo, gastos desnecessários, crescimento das despesas invisíveis e o não registro de gastos são algumas das falhas mais comuns que podem endividar e atrapalhar as finanças.
1 – Ausência de orçamento
Segundo Millis, a ausência de planejamento e de orçamento são um dos erros mais comuns e dele derivam outras falhas, como acúmulo de despesas de natureza contínua – prestações e outras despesas fixas -, crescimento das despesas invisíveis e descuidos com pequenos gastos.
Lima ressalta que não ter um orçamento gera insegurança e falta de controle, porque a pessoa não sabe quanto pode gastar, o que a faz gastar o que “acha” que tem.
2 – Ignorar despesas fixas e variáveis
Esquecer as despesas anuais, como IPVA, seguro do carro, ou matrícula escolar é um erro comum, de acordo com Lima. Além disso, as variáveis como luz, água e lazer oscilam e podem quebrar o planejamento.
“As pessoas devem ficar atentas para evitarem surpresas negativas que levam direto ao uso do cartão de crédito ou cheque especial.”
Millis também sugere uma organização das despesas por grau de essencialidade – das obrigatórias até as optativas -, diferenciando as contas de casa (aluguel, condomínio, energia); alimentação; saúde (plano e farmácia); educação (escola e materiais); transporte; vestuário; lazer e outros gastos diversos.
3- Não considerar uma reserva de emergência
Ter uma reserva de emergência é importante, já que sem ela, qualquer imprevisto vira um problema.
“É fundamental que, qualquer que seja o nível de renda, pelo menos 10% seja destinado para reservas de contingência, para os infortúnios ou eventos inesperados”, frisa Millis.
4 – Usar crédito de forma irresponsável
Os economistas ainda afirmam que usar o crédito de forma irresponsável pode ser prejudicial, e que, na verdade, deve ser usado como uma ferramenta estratégica para investimentos mais rentáveis que o custo da dívida.
De acordo com o economista Marcel Lima, tomar empréstimos para consumo pode ser perigoso para as finanças pessoais. Além disso, Millis informa que o crédito deve ser usado sempre adequado com a capacidade de pagamento mensal, no limite máximo de 30% da renda comprometida com as parcelas.
5 – Falta de educação financeira
Por último, a falta de educação financeira faz com que as decisões sejam tomadas de forma desorganizada, sem levar em conta outras despesas e fatores.
Entender sobre as finanças e se responsabilizar sobre elas é um passo importante para manter o equilíbrio financeiro.
Outros erros perigosos
Lima também destaca que o cheque especial pode ser perigoso porque “ele se torna uma extensão ilusória do salário.”
Como o saldo aparece somado ao limite na conta, a pessoa gasta o que não tem. A principal armadilha está na taxa de juro dessa linha de crédito. São juros muito altos que geram uma dívida com efeito de bola de neve.
Marcel Lima, economista e membro do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES).
Segundo o economista, pedir ao banco para que o limite seja reduzido ou cancelado pode ser interessante. Caso esteja usando o cheque, é importante avaliar os impactos no orçamento e negociar a quitação com o banco o quanto antes.
“Outra possibilidade é quitar a dívida do cheque especial com outras dívidas mais baratas, como empréstimo consignado”.
Além disso, ainda de acordo com Lima, pagar o mínimo do cartão de crédito também pode ser uma “roubada”, pois ao fazer esse tipo de pagamento é acionado o crédito rotativo. Isso gera juros muito altos, que incidem sobre o saldo devedor que ficou para trás.
“Em poucos meses, a dívida pode dobrar de tamanho. É o caminho mais rápido para a insolvência financeira.”
Como solucionar esses erros?
Millis sugere algumas medidas para evitar esses erros e manter a saúde financeira, entre elas: adotar um modelo de planilha simplificado para anotação de todas as despesas realizadas.
Essa tabela deve conter, se possível, a indicação das funções – aluguel, contas de casa, entre outros gastos – que devem ser comparadas com o salário e outros rendimentos.
Dívidas são resultados de decisões erradas que tomadas no passado, comprometem o presente. Mas é possivel renegociar, fazer ajustes e viver dentro de uma realidade saudável financeiramente. As decisões de futuro devem ser mais concentradas em gastos que aumentem a renda no futuro (aplicações financeiras e educação profissional) e menos em coisas que vão trazer apenas mais gastos.”
Wallace Millis, economista.