INSS Previdência Social
Previdência Social: quanto mais cedo começa o planejamento financeiro, mais tranquila é a transição para a aposentadoria. Foto: Divulgação/INSS

Artigo escrito por Thalita Fagundes dos Santos, graduada em Contabilidade, especialista em educação financeira para mulheres e assessora de investimentos.

O aumento da longevidade no Brasil representa uma conquista social importante, porém traz consigo um desafio econômico que ainda não está sendo enfrentado com a devida seriedade. A sustentabilidade do sistema previdenciário e o impacto direto desse desequilíbrio sobre as famílias. Ou seja, o país envelhece em ritmo acelerado, enquanto o modelo de aposentadoria segue estruturado para uma realidade demográfica que já não existe mais.

Em 2024, o déficit total somado de todos os regimes previdenciários brasileiros atingiu aproximadamente R$ 416,8 bilhões. Desse valor, cerca de R$ 304,6 bilhões correspondem ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que atende os trabalhadores do setor privado. Para 2025, a projeção oficial do governo federal, apresentada na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, indica que o déficit do RGPS deve alcançar R$ 328 bilhões, o equivalente a aproximadamente 2,58% do Produto Interno Bruto. Esses números mostram que o sistema gasta mais do que arrecada de forma recorrente. Ou seja, exige aportes crescentes do orçamento público para continuar funcionando.

Aposentadoria por mais tempo

Esse desequilíbrio tem causas estruturais bem definidas. A principal delas é o envelhecimento populacional. Nesse sentido, a expectativa de vida aumentou de forma significativa nas últimas décadas, enquanto as taxas de natalidade caíram. Na prática, isso significa menos trabalhadores contribuindo e mais pessoas recebendo aposentadoria por períodos cada vez mais longos. Do mesmo modo, o modelo previdenciário brasileiro funciona no regime de repartição simples, no qual as contribuições dos trabalhadores da ativa financiam os benefícios pagos aos aposentados e pensionistas no mesmo período. Esse sistema depende diretamente de uma base ampla de contribuintes, algo que vem se reduzindo ao longo do tempo.

Outro fator relevante é a informalidade no mercado de trabalho. Uma parcela significativa da população economicamente ativa trabalha sem contribuir regularmente para a previdência, o que limita a arrecadação. Ainda assim, essas pessoas envelhecem e passam a demandar algum tipo de proteção social no futuro, aumentando a pressão sobre um sistema de aposentadoria já fragilizado. Ou seja, o resultado é um cenário de desequilíbrio persistente, com impacto direto nas contas públicas e na capacidade do Estado de garantir benefícios adequados no longo prazo.

Embora o debate sobre previdência costume ficar restrito ao campo técnico, seus efeitos já são percebidos no dia a dia das famílias. Cada vez mais, filhos e filhas assumem parte dos custos relacionados ao envelhecimento dos pais, como despesas médicas, medicamentos, cuidadores e apoio financeiro complementar. Em famílias menores, com poucos filhos ou apenas um, esse impacto tende a ser ainda maior. A responsabilidade que antes era majoritariamente do Estado, com a aposentadoria, passa, de forma gradual, para o núcleo familiar.

Erro da previdência pública como única solução

Apesar disso, ainda não há uma preocupação proporcional por parte da população. Muitos brasileiros seguem contando exclusivamente com a previdência pública ou acreditando que haverá tempo suficiente para organizar a aposentadoria no futuro. Esse adiamento é um dos principais riscos quando se trata de planejamento financeiro. Quanto mais tarde o processo começa, menor é a margem de manobra e maior o esforço necessário para garantir segurança financeira na fase da aposentadoria.

Diante desse cenário, o planejamento financeiro de longo prazo deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. Instrumentos como previdência complementar, investimentos voltados para o longo prazo, reservas específicas para despesas com saúde e estratégias de proteção patrimonial tornam-se fundamentais para complementar a renda futura e reduzir a dependência exclusiva da aposentadoria pública. Mais do que escolher produtos financeiros, trata-se de criar organização, previsibilidade e capacidade de adaptação ao longo do tempo.

Primeiro passo é o mais importante

O ponto central está no início desse processo. Dar o primeiro passo, mesmo com valores pequenos, permite aproveitar o fator tempo, que é um dos principais aliados do planejamento financeiro.

A longevidade não representa um problema em si, mas exige preparo. Sem organização prévia, o custo do envelhecimento tende a recair de forma mais pesada sobre as próximas gerações, que precisarão conciliar o cuidado com os pais e a construção do próprio futuro financeiro.

Thalita Fagundes dos Santos é graduada em Contabilidade, especialista em educação financeira para mulheres e assessora de investimentos. Crédito: Divulgação

O Brasil já vive essa transição demográfica e econômica. A diferença entre atravessá-la com mais segurança ou com dificuldades passa, cada vez mais, por decisões individuais tomadas no presente. Planejar deixou de ser uma recomendação técnica e passou a ser um elemento essencial de estabilidade financeira para as famílias brasileiras.

Redação Folha Vitória

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Redação Folha Vitória é a assinatura coletiva que representa a equipe de jornalistas, editores e profissionais responsáveis pela produção diária de conteúdo do Folha Vitória. Comprometida com a excelência jornalística, a equipe atua de forma integrada para garantir informações precisas, atualizadas e relevantes, sempre alinhada à missão de informar com ética, democratizar o acesso à informação e fortalecer o diálogo com a comunidade capixaba. O trabalho do grupo reflete o padrão de qualidade da Rede Vitória de Comunicação, consolidando o veículo como referência em jornalismo digital no Espírito Santo.

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