A Onça que Veio para Ficar

No início do século XXI, era comum ver sua capital esvaziada em períodos de festas e férias escolares, e quase impossível ver um carro importado trafegando pelas suas ruas. Para seus habitantes, viajar para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro era como pisar em outro país, principalmente pela dificuldade de utilizar da malha aérea por meio de seu antigo aeroporto, que muitos comparavam com uma grande rodoviária. Uma lembrança do passado colonial e herança de um descolamento da política econômica brasileira nos últimos 300 anos.

Outrora visto como o “primo pobre” do Sudeste, o estado do Espírito Santo transformou-se em uma verdadeira onça político-econômica no cenário brasileiro. Não é coincidência essa alcunha fazer relembrar dos grandes Tigres Asiáticos. Assim como os tigres, e como a onça-pintada, símbolo de força e agilidade na natureza, o estado capixaba destaca-se pela sua capacidade de se adaptar, inovar e rugir alto em um país marcado por desafios estruturais. Essa ascensão não é obra do acaso, mas resultado de uma combinação virtuosa de políticas públicas eficientes, sinergia entre os setores público e privado e um compromisso firme com princípios liberais que priorizam a liberdade econômica e a responsabilidade fiscal.

Nos últimos anos, o Espírito Santo conquistou marcas impressionantes que o colocam como referência nacional. O estado lidera rankings de solidez fiscal, mantendo a nota máxima da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), e figura entre os primeiros em eficiência da máquina pública e transparência, segundo avaliações da Controladoria Geral da União (CGU) e da Transparência Internacional. Esses resultados refletem um modelo de gestão que valoriza a prudência fiscal e a segurança jurídica, elementos essenciais para atrair investimentos e fomentar o empreendedorismo. Como uma onça que se move com precisão e discernimento, o Espírito Santo soube criar um ambiente onde empresas nacionais e internacionais enxergam oportunidades, especialmente em setores como logística, siderurgia, celulose e petróleo.

Lei de Liberdade Econômica e o Ambiente de Negócios

A Lei de Liberdade Econômica, aprovada em 2019, encontrou no Espírito Santo terreno fértil para sua implementação. A redução de entraves burocráticos e a simplificação de processos para abertura de empresas são exemplos práticos de como o estado abraça a filosofia liberal de confiar na iniciativa privada como motor do desenvolvimento. Essa abordagem não apenas estimula a criação de empregos, mas também fortalece a competitividade capixaba em um mercado global cada vez mais exigente. O resultado é visível: o estado atraiu investimentos significativos, consolidando-se como um hub logístico e comercial estratégico, com o porto de Vitória como um dos pilares dessa expansão.

Desafios e o Futuro Econômico do Espírito Santo

No entanto, ser uma onça político-econômica não significa apenas rugir alto, mas também saber enfrentar desafios com astúcia. O Espírito Santo precisa continuar investindo em diversificação econômica, reduzindo a dependência de setores tradicionais como o petróleo e a mineração. A inovação tecnológica e o incentivo a startups podem ser o próximo salto, transformando o estado em um polo de economia criativa. Além disso, a educação e a capacitação profissional devem ser prioridades para garantir que a população acompanhe o ritmo desse crescimento, assegurando que os benefícios do progresso cheguem a todos.

Nesse sentido, um desafio essencial é equilibrar o crescimento econômico com a responsabilidade fiscal. Como a onça-pintada, que se move com precisão e força na natureza, o Espírito Santo deve combinar sua pujança econômica com uma gestão financeira rigorosa. A solidez fiscal, marca registrada do estado, deve ser mantida por meio de políticas públicas que promovam eficiência, reduzam a burocracia e incentivem a inovação no setor privado. A criação de incentivos fiscais bem estruturados, que atraiam investimentos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas, reflete o espírito liberal de confiar na iniciativa privada como motor do progresso. 

Dessa forma, o sucesso do Espírito Santo é uma lição para o Brasil. Em um país onde a burocracia e a ineficiência muitas vezes sufocam o potencial empreendedor, o Estado mostra que é possível combinar liberdade econômica, gestão eficiente e responsabilidade social. Como uma onça que avança com determinação, o Espírito Santo não apenas superou suas limitações históricas, mas também se posicionou como um exemplo de que o liberalismo, quando bem aplicado, pode transformar realidades.

Que o rugido do Espírito Santo ecoe pelo Brasil, inspirando outros estados a seguirem seu exemplo. A onça capixaba não é apenas uma força regional, mas um símbolo do que o país pode alcançar com coragem, visão e liberdade, e um exemplo de inovação, segurança e responsabilidade.

Lucas Pessanha Richa

Colunista

Grupo Comprocard. Associado do Instituto Líderes do Amanhã.

Grupo Comprocard. Associado do Instituto Líderes do Amanhã.