Fernando Cinelli, fundador e presidente da Apex. Foto: Apex/Divulgação
Fernando Cinelli, fundador e presidente da Apex. Foto: Apex/Divulgação

*Artigo escrito por Fernando Cinelli, fundador e presidente da Apex

À medida que o Brasil se consolida como uma potência econômica global, surgem novas perspectivas que redefinem seu papel no cenário internacional.

Atualmente classificado como a décima maior economia do mundo, o Brasil destaca-se não apenas por ser o maior exportador mundial de alimentos e por possuir uma matriz energética 80% renovável, mas também por sua estabilidade econômica e política. Com a inflação controlada e relações comerciais sólidas, o país se posiciona como uma potência em ascensão.

Tais fatores conferem ao Brasil a chancela de território seguro para negócios e investimentos, credenciando o país, inclusive, como um supridor crível, próximo e confiável para cadeias globais.

Grandes corporações, especialmente americanas e europeias, que utilizam cadeias produtivas globais de suprimento, estão se movimentando em busca de bases mais seguras e próximas de suas operações e dos mercados consumidores.

É nesse cenário de condições mais favoráveis e de novas oportunidades para realizar e expandir negócios que emergem os mercados regionais brasileiros – aqueles fora do eixo Rio-São Paulo.

Esses mercados oferecem um variado leque de oportunidades para investidores em busca de bases com ambientes de negócios saudáveis, previsibilidade e perspectivas que combinam bons e seguros retornos financeiros com sustentabilidade.

Essa incursão na direção dos mercados regionais parte de evidências e da constatação de que o Brasil, sobretudo do ponto de vista econômico, vai muito além do que indicam os olhares do mundo exterior, tradicionalmente voltados para os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

As “Onças Brasileiras”

Altamente promissores, os mercados regionais representam atualmente cerca de 60% do PIB do país, 95% do território nacional, 70% da população brasileira e aproximadamente 84% do total da energia gerada. Nesse novo contexto, emergem estados que podem ser considerados as “Onças Brasileiras” – numa analogia com os Tigres Asiáticos. São eles: Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Esse grupo de estados tem em comum um crescimento econômico acelerado e dinâmico, estabilidade institucional, Índice de Desenvolvimento Humano acima da média nacional, eficiência da máquina pública, entre outros fatores que os tornam mais competitivos.

Em 2023, esses estados despontaram no cenário econômico com um crescimento médio do PIB de 2,7% (enquanto o país cresceu 2,2%), configurando retomadas robustas de suas economias, principalmente em setores que os distinguem.

Vistos em conjunto, esses estados apresentam características comuns que os destacam, especialmente a participação ativa da iniciativa privada no desenvolvimento econômico, o ambiente de negócios saudável e frutífero e excelentes indicadores de educação e capital humano.

As Onças Brasileiras também apresentam uma taxa de desemprego bem abaixo da média nacional: 3,7%, ante 6,2%. Têm IDH superior ao índice nacional – 0,762 contra 0,730 –, além de uma melhor percepção da população sobre a qualidade da educação pública, segurança e saúde pública.

Esse grupo domina o topo do Ranking de Competitividade dos Estados, publicado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), ocupando oito das dez primeiras posições. Santa Catarina, segundo colocado nacional, lidera subindicadores como capital humano, segurança pública e sustentabilidade social.

O Paraná se destaca em eficiência da máquina pública (2º) e desenvolvimento sustentável (1º). O Espírito Santo, que ocupa o 6º lugar, apresenta destaque em responsabilidade fiscal (2º) e infraestrutura (2º). Outros estados lideram subindicadores de competitividade como investimento público, potencial de mercado, inovação e abertura econômica.

O Espírito Santo é um centro vital para indústrias globais de mineração, siderurgia e celulose, destacando-se como um dos principais produtores de café do mundo. O estado também desempenha um papel crucial como hub logístico no comércio internacional brasileiro, com 11 portos estratégicos.

Adicionalmente, ocupa a terceira posição nacional na produção de petróleo e gás. O governo estadual apresenta o maior índice proporcional de investimentos do país e o menor gasto com pessoal, além de registrar dívida líquida negativa. No setor imobiliário, o Espírito Santo também é notável, com duas cidades entre as que mais se valorizaram no país.

Por fim, uma característica comum que justifica a condição de protagonismo nos emergentes mercados regionais do Brasil é a “cultura do trabalho” – um atributo herdado, sobretudo, do espírito empreendedor e inovador do imigrante. Não por acaso, são economias dinâmicas do ponto de vista da ocupação da força de trabalho.

Quando desenvolvemos o movimento dos Mercados Regionais Brasileiros, nosso objetivo é apresentar ao Brasil e ao mundo as oportunidades de negócios e investimentos que são cruciais para destravar o desenvolvimento do país.

Os dados não deixam dúvidas de que os mercados regionais, sobretudo as Onças Brasileiras, têm capacidade de liderar o próximo ciclo de desenvolvimento do Brasil, com protagonismo na indústria, logística, no agronegócio e na tecnologia.

Um fator fundamental para que o crescimento desses estados seja sustentável no longo prazo é o desenvolvimento do ecossistema de mercado de capitais, propósito da Apex Partners. Países com os melhores índices de desenvolvimento humano têm um capitalismo pujante, ou seja, um mercado de capitais desenvolvido e descentralizado.