Imagem aérea do Porto de Capuaba e a região de Paul. No canto inferior direito, é possível ver os tanques do Morro do Atalaia. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
Imagem aérea do Porto de Capuaba e a região de Paul. No canto inferior direito, é possível ver os tanques do Morro do Atalaia. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

O acordo de livre comércio aprovado entre a União Europeia e o Mercosul ainda é provisório, mas já gera expectativa de impactos positivos para a economia do Espírito Santo.

A proposta prevê a redução de tarifas de importação e exportação. O que tende a beneficiar diretamente setores estratégicos do Estado, além de ampliar a competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu.

Espírito Santo como plataforma logística

O Espírito Santo é apontado como um dos estados mais beneficiados pelo acordo devido ao seu potencial logístico e, nesse sentido, à posição estratégica como porta de entrada e saída de produtos da economia capixaba e brasileira.

O Espírito Santo tende a se beneficiar desses acordos entre blocos econômicos porque o Estado é uma plataforma logística e concentra operações importantes de exportação e importação.

Pablo Lira, diretor-geral do Instituto Jones Santos Neves

Setores mais favorecidos

Entre os segmentos com maior potencial de ganho estão:

  • Minério de ferro
  • Rochas ornamentais
  • Café

No caso do café, o acordo traz vantagens adicionais para produtos industrializados, como café solúvel e café torrado e moído. O café verde já não sofre tributação para exportação à Europa, mas a isenção para os industrializados amplia oportunidades.

O acordo cria também a possibilidade de pequenos empreendedores exportarem café torrado e moído para a Europa sem imposto, o que fortalece toda a cadeia produtiva no estado.

Marcos Magalhães, CEO da MM Cafés

Impactos nas importações e no consumo

O acordo também prevê benefícios para as importações. Produtos como vinhos, chocolates e azeites europeus devem chegar ao Brasil com preços mais baixos, já que a tarifa de importação atual, em torno de 27%, tende a ser reduzida ou eliminada.

A expectativa é de que o consumidor final perceba uma queda de preços entre 20% e 30%, dependendo do produto.

Temos uma participação maior de produtos europeus do que a média do mercado. Com o acordo, o impacto tende a ser ainda mais favorável para empresas que já trabalham com esses países.

Alexandre Magno, CEO do Grupo Wine

Diversificação de mercados e estabilidade econômica

Além dos ganhos comerciais, o acordo amplia o leque de parceiros do Brasil e reduz a dependência do mercado norte-americano. A União Europeia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do país, com quase US$ 100 bilhões movimentados em 2024.

O diretor-geral do Instituto Jones Santos Neves, Pablo Lira, ainda destaca que parcerias entre blocos econômicos geram estabilidade e previsibilidade para os negócios, reduzindo a vulnerabilidade a crises e medidas protecionistas internacionais.

Próximos passos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a aprovação do acordo como histórica, mas o tratado ainda precisa ter analise e aprovação pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

Por fim, a Secretaria de Desenvolvimento e o Sindicato do Comércio de Importação e Exportação avaliam que o acordo pode abrir novas oportunidades de negócios e fortalecer a economia capixaba nos próximos anos.

*Com informações da repórter Patrícia Scalzer da TV Vitória/Record

Bernardo Mont'Mor *

Estagiário

Jornalista em formação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apaixonado por esportes e estagiário no jornal Folha Vitória

Jornalista em formação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apaixonado por esportes e estagiário no jornal Folha Vitória