Alexandre Billot Mori, gerente-executivo da Portocel. Foto: divulgação
Alexandre Billot Mori, gerente-executivo da Portocel. Foto: divulgação

O gerente-executivo da Portocel, Alexandre Billot Mori, foi mais uma vez reconhecido na categoria Serviços Logísticos da pesquisa Líder Empresarial. Com 47 anos de atuação no Espirito Santo, a Portocel é um terminal multimodal de alta performance, movimentando celulose, cargas gerais e de projeto, veículos, produtos siderúrgicos e granéis.

Em 2024, a empresa assumiu a operação do Terminal T32, no Porto de Santos, ampliando sua presença nacional. Para 2026, a estratégia é fortalecer a diversificação de cargas, consolidar a atuação em Santos e avançar no plano de dobrar de tamanho em dez anos, combinando solidez operacional com expansão responsável.

Portocel. Foto: divulgação

O tema deste ano é “Tradição se renova com excelência”. O que há de tradição, renovação e excelência na sua liderança?

Nossa trajetória é marcada por uma tradição construída com seriedade, responsabilidade e disciplina ao longo de 47 anos de história. A excelência sempre esteve presente no nosso padrão operacional, no cuidado com as pessoas e no compromisso com resultados consistentes. Ao mesmo tempo, entendemos que tradição só permanece viva quando se renova. Por isso, temos buscado constantemente evoluir, com coragem para ajustar rotas, adotar novas tecnologias, diversificar operações e expandir nossa atuação. Esse equilíbrio entre solidez e inovação orienta minhas decisões e reforça nosso propósito de construir um futuro cada vez mais sustentável, competitivo e humano para a Portocel.

O que você preservou (e ainda preserva) do legado da empresa que você lidera e o que reformulou ao longo do tempo para elevar o padrão?

Preservamos uma cultura fortemente orientada à excelência operacional, ao senso de responsabilidade e à entrega de resultados com segurança. Esses valores estão profundamente enraizados nas equipes e nos tornaram referência na movimentação de celulose, além de sustentar nossa expansão para novas cargas e operações.

O principal movimento de evolução tem sido no fortalecimento da gestão de pessoas. Temos ampliado o olhar para além do desempenho técnico, buscando uma liderança mais próxima, que valorize o desenvolvimento humano, o bem-estar, o propósito e o sentimento de pertencimento. Essa combinação entre alta performance e cuidado genuíno com as pessoas tem elevado o padrão da empresa de forma consistente, sustentável e profundamente alinhada aos novos tempos.

Alexandre Billot Mori, gerente-executivo da Portocel. Foto: divulgação

Que prática de gestão virou ritual na sua organização e que ajuda a explicar por seu reconhecimento como liderança no seu segmento?

Um dos rituais mais importantes da nossa gestão é o acompanhamento próximo e constante das pessoas e dos processos. Valorizamos muito as conversas frequentes, o alinhamento de expectativas e a análise sistemática dos resultados, sempre com foco em aprendizado e melhoria contínua. Esses momentos criam confiança, fortalecem o senso de responsabilidade e tornam a execução da estratégia mais viva no dia a dia. Acredito que liderança se constrói na presença, na escuta e na coerência entre discurso e prática. É isso que sustenta nosso modelo de gestão e nosso reconhecimento.

Qual risco uma liderança de excelência aceita e qual nunca aceitaria? O que é negociável e inegociável na sua gestão?

A liderança precisa ter coragem para assumir riscos estratégicos, especialmente aqueles que envolvem inovação, crescimento e transformação. Esses riscos são necessários para que a empresa evolua e se mantenha competitiva no longo prazo.

O que jamais aceito é qualquer risco que comprometa a segurança das pessoas, a integridade, a ética ou o respeito às relações. Esses são absolutamente inegociáveis.

Para mim, resultados só fazem sentido quando são alcançados com responsabilidade, respeito à vida, às pessoas e às regras. Crescer sem esses pilares não é crescimento sustentável. Esse é o princípio que guia todas as decisões na minha gestão.

Como você forma líderes abaixo de você? Quais critérios e atributos mais incentiva e desenvolve?

Ao longo da minha trajetória, tive líderes que marcaram profundamente meu desenvolvimento, e busco exercer esse mesmo papel com quem caminha comigo hoje. Acredito muito na liderança pelo exemplo, na presença e no diálogo aberto. Valorizo especialmente o cuidado genuíno com as pessoas e a capacidade de ouvir. Ouvir amplia o olhar, fortalece relações e cria um ambiente mais colaborativo e confiável.

Também incentivo a curiosidade, o senso de responsabilidade, a coragem para assumir desafios e a maturidade para aprender com os erros. A combinação dessas qualidades forma líderes preparados não apenas para entregar resultados, mas para sustentar o propósito da empresa no longo prazo.

Qual o papel da liderança diante de temas atuais como ESG, diversidade, saúde mental e gestão centrada nas pessoas?

A liderança exerce um papel determinante para transformar esses temas em prática real. Na Portocel, entendemos que uma gestão centrada nas pessoas é a base de qualquer avanço sustentável. Isso envolve respeito às diferenças, valorização da diversidade, cuidado com a saúde mental e promoção de ambientes seguros e equilibrados.

O ESG está integrado ao nosso modelo de gestão e orienta nossas decisões estratégicas. Nosso compromisso com o meio ambiente, com as comunidades e com a governança é parte do jeito Portocel de fazer. Desenvolvemos projetos de educação, bem-estar e consciência ambiental porque acreditamos que nosso impacto deve ir além dos limites do terminal. Liderar hoje é criar valor de forma responsável para todos os públicos, com visão de futuro.

A liderança precisa ter coragem para assumir riscos estratégicos, especialmente aqueles que envolvem inovação, crescimento e transformação.

Alexandre Billot Mori, gerente-executivo da Portocel.

Se tivesse que ensinar uma única regra de liderança, qual seria?

Se eu tivesse que sintetizar a liderança em uma única regra, diria: liderar é saber ouvir. A escuta verdadeira abre caminhos para compreender, inspirar, comunicar, conectar e transformar.  Quem ouve aprende mais, decide melhor e constrói ambientes mais fortes. A partir da escuta nascem o respeito, a confiança, o engajamento e os resultados consistentes. Essa é, para mim, a essência da boa liderança.