
Uma potencial gigante da logística capixaba bloqueada. Assim Aracruz fica sujeita a manifestações de povos indígenas da região. Além do bloqueio do ramal ferroviário da Vale que já dura 55 dias (começou em 22 de outubro), um trecho da ES-010 também foi bloqueado na cidade. Um pequeno grupo de indígenas voltou a gerar preocupação no setor produtivo do Norte do Espírito Santo. Nesse sentido, a manifestação ocorre em um dos principais corredores logísticos da área e causa impactos ao transporte de cargas e à mobilidade local, mesmo com adesão considerada baixa.
Se você tem dúvida do que insegurança pode significar para investimentos, é disso que se trata. Ou seja, não adianta ter posição privilegiada, incentivos fiscais, infraestrutura, se não há segurança para investir. Afinal, que empresa arriscaria milhões de reais em um empreendimento que pode ficar parado por causa de uma manifestação com meia dúzia de pessoas? E não se trata de julgar se o movimento é justo ou não. A livre manifestação é da democracia e deve ocorrer sempre. Porém isso não pode travar uma região inteira. Ou seja, é preciso ter alternativas.
Segundo André Giori, diretor administrativo da Associação Empresarial Movimento Aracruz e Região (Amear), os prejuízos vão além das perdas econômicas imediatas. “A região já convive com impactos do bloqueio ferroviário no ramal do Piraquê-Açu. Agora, mais uma interrupção gera um prejuízo de imagem incalculável. Do mesmo modo, isso vai na contramão da vocação logística de Aracruz”, afirma.

Giori destacou que a ES-010 é uma rodovia estadual estratégica, com grande fluxo diário, e que a situação exige uma posição mais firme do poder público. “Mesmo sendo uma manifestação de baixa adesão, com cerca de seis pessoas, o impacto é enorme. Em alguns momentos liberam a passagem, mas isso não resolve o problema”.
Diálogo necessário em Aracruz
Para a Amear, a solução passa por diálogo e pacificação com as lideranças indígenas da região, sem ignorar a relevância econômica e social do território.

O movimento pode ser legítimo, mas esse tipo de bloqueio acaba recaindo sobre a própria população, com perda de receita, de investimentos e de desenvolvimento. É uma questão de política de Estado.
André Giori, diretor administrativo da Amear
O bloqueio ocorre em frente ao posto policial de Coqueiral. A secretaria de Estado dos Direitos Humanos informou que a manifestação acompanha o Movimento Nacional pelo Marco Temporal. Do mesmo modo, a informação da secretaria é de que o bloqueio terminaria no final desta terça (16).
A Prefeitura de Aracruz afirmou que o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) se reúne mensalmente para discutir e propor ações integradas de fiscalização e segurança urbana formado por secretarias municipais, instituições do sistema de justiça criminal e as instâncias promotoras da segurança pública local.
“Diante da atual situação do fechamento de vias, a Polícia Militar está representando o município e tentando amenizar a situação, uma vez que o bloqueio está relacionado ao Marco Temporal”, informou em nota.