Interventor do Will Bank, o banco digital do Master, deverá agora reunir recursos para pagar credores. Crédito: Divulgação
Interventor do Will Bank, o banco digital do Master, deverá agora reunir recursos para pagar credores. Crédito: Divulgação

Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 21, pela liquidação extrajudicial do banco digital Will Bank. A instituição estava em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde novembro do ano passado, quando o BC decretou a liquidação do Banco Master. Nesse regime, as atividades da instituição não são suspensas nem interrompidas.

A liquidação do Master foi em novembro, menos de um dia após o Grupo Fictor ter indicado o interesse em comprar a instituição. Na época, o BC também decidiu aplicar o Raet sobre algumas empresas ligadas ao banco.

O Will Bank havia sido preservado pela avaliação de que poderia haver volta dos problemas enfrentados pela instituição, que tinha compradores interessados. Porém isso não se confirmou, segundo o BC. Na avaliação da autarquia, a liquidação foi necessária agora após o descumprimento de pagamento da instituição com a Mastercard. Nesta terça-feira, 20, a Mastercard parou de aceitar compras feitas por cartões de crédito do Will Bank e decidiu executar as garantias ligadas às dívidas do banco digital.

Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo

Banco Central, por nota

Banco Master e Will Bank: situação comprometida

Segundo a autarquia, a medida anunciada nesta quarta-feira considerou o “comprometimento da situação econômico-financeira da instituição”.

“Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira (Will Bank), em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master, já sob liquidação extrajudicial”, diz o BC.

O Will Bank tem cerca de R$ 7,5 bilhões em depósitos que entram na conta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O conglomerado Master era classificado como de porte pequeno pelo Banco Central, por deter apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O BC nomeou como liquidante Eduardo Félix Bianchini, que exerce a mesma função no Master. Ex-servidor do BC, ele já trabalhou em outros oito casos do tipo antes de assumir o controle das instituições de Daniel Vorcaro.

A autarquia ainda determinou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-controladores da Will Financeira: Will Holding Financeira, Master Holding Financeira, 133 Investimentos e Participações, Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Vorcaro, Felipe Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.

O que é a liquidação e como afeta o Will Bank?

A liquidação extrajudicial é um regime de resolução à disposição do BC para lidar com problemas graves em instituições financeiras, a fim de manter a estabilidade do sistema.

A medida interrompe o funcionamento da instituição, retirando-a do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que o banco fecha, deixa de funcionar. Nesse sentido, o regime é adotado quando a situação de insolvência, ou seja, de endividamento, é irrecuperável. Ou ainda quando houver graves infrações às normas que regulam sua atividade.

Nesse sentido, o BC nomeia um liquidante que buscará a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento, que for possível, aos credores. A instituição também aciona o FGC, uma espécie de “seguro” aos investidores e correntistas contra calotes. Do mesmo modo, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição bancária.

​Não há prazo determinado para o encerramento da liquidação. Ou seja, ela termina por decisão do Banco Central ou pela decretação da falência da instituição.