
Presidente do Conselho de Administração do Sicoob Central ES, Bento Venturim foi reconhecido em três categorias da pesquisa Líder Empresarial: Grupo Empresarial, Cooperativa e Instituição Financeira.
À frente de um sistema que reúne um milhão de cooperados, presença em 75 municípios capixabas e expansão nacional, Bento lidera um modelo que combina escala, responsabilidade e impacto social.
Em 2025, o Sicoob ES consolidou sua posição como maior grupo empresarial do Espírito Santo, ampliou investimentos em responsabilidade social e avançou na estratégia de chegar a 100% do território capixaba até 2026, mantendo coerência entre crescimento, governança e propósito.

O tema de Líder Empresarial deste ano é “Tradição se renova com excelência”. O que tem de tradição, de renovação e de excelência na sua liderança?
A expressão “tradição se renova com excelência” sintetiza muito do que vivi ao longo destas décadas. A tradição está nos valores que carregamos desde a origem do Sicoob, como o relacionamento e o desejo de fazer o melhor possível para quem é cooperado. A renovação aparece na capacidade de acompanhar o tempo sem perder esse DNA.
Ao longo dos anos, modernizamos processos, incorporamos tecnologia, ampliamos escala e nos tornamos mais eficientes, mas mantivemos a mesma lógica de gestão, com pessoas e resultados caminhando juntos. Essa combinação entre o que nos trouxe até aqui e o que precisamos fazer para continuar relevantes é o que sustenta a evolução da instituição.
A excelência, por sua vez, está na constância e no comprometimento com nosso propósito, de conectar pessoas para promover justiça financeira. Não vem de ações extraordinárias, mas da disciplina em manter coerência entre discurso e prática, em tomar decisões responsáveis e em preservar os pilares que orientam nossa gestão.
O que você preservou (e ainda preserva) do legado da empresa que você lidera e o que reformulou ao longo do tempo para elevar o padrão?
Preservamos a essência cooperativista que deu origem ao Sicoob, com relacionamento próximo e o entendimento de que uma instituição financeira só faz sentido quando melhora a vida das pessoas. Ao mesmo tempo, foi necessário reformular processos, ampliar estruturas e elevar a exigência em temas como governança, eficiência e inovação.

Que prática de gestão virou ritual na sua organização e que ajuda a explicar seu reconhecimento como liderança no segmento?
Manter o envolvimento permanente com as comunidades onde atuamos é um dos princípios cooperativistas e faz parte da nossa rotina desde a fundação, preservado com muita seriedade. Atrelado a nossa atuação em iniciativas de responsabilidade social, muitas das nossas reuniões de gestão envolvem a dimensão humana e como as decisões impactam colaboradores, cooperados e comunidades.
Qual risco uma liderança de excelência aceita e qual nunca aceitaria? O que é negociável e inegociável na sua gestão?
Ao longo dos anos, foi necessário revisar muitas rotinas para garantir que o Sicoob permanecesse atual e relevante, porque a forma de se relacionar com as instituições financeiras mudou. O risco de mudar para continuar crescendo com responsabilidade faz parte do nosso caminho.
O que é inegociável é nunca renunciar à nossa essência cooperativista, que dá forma ao nosso jeito de nos relacionarmos, que nos faz estar atuantes nas comunidades e que reforça a visão de que desenvolvimento só faz sentido quando é coletivo.
E como você forma líderes abaixo de você? Quais são os critérios e atributos que mais incentiva e desenvolve?
Formar líderes, para nós, é um processo contínuo e estruturado. Temos ciclos de desenvolvimento que envolvem capacitação, governança, critérios definidos de sucessão e espaços permanentes de alinhamento estratégico. Pela natureza do nosso negócio, ainda contamos com muitos dos nossos sócios-fundadores em atuação, o que fortalece a transmissão do nosso DNA cooperativista e mantém viva a mentalidade que deu origem ao sistema. Para se tornar uma liderança no Sicoob, é imprescindível o alinhamento de propósito pessoal com o da nossa instituição.
A combinação entre o que nos trouxe até aqui e o que precisamos fazer para continuar relevantes é o que sustenta a evolução da instituição.
Qual o papel da liderança para conduzir a empresa e liderados em relação a temas atuais, como ESG, diversidade, saúde mental, gestão pautada nas pessoas?
Um dos nossos pilares de gestão é o “pessoas felizes”. Ele orienta a forma como cuidamos das equipes, como estruturamos ambientes de trabalho para que sejam saudáveis e como conduzimos decisões que impactam a vida dos funcionários. Uma liderança que entende esse pilar não trata essas questões como iniciativas isoladas, mas como parte de uma cultura que precisa ser vivida todos os dias.
Se você tivesse que ensinar uma única regra de liderança, qual seria?
Nunca subverta os valores da instituição. Técnicas mudam, modelos de gestão evoluem e os contextos exigem adaptações, mas os valores são o que sustentam a confiança das pessoas e dão sentido ao nosso trabalho. No Sicoob, isso significa respeitar o DNA cooperativista, agir com responsabilidade, ouvir as comunidades e lembrar que decisões só fazem sentido quando constroem desenvolvimento coletivo.