
Artigo escrito por Érico Colodeti Filho, especialista em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Especialista em criptomoedas pela Associação Nacional das Corretoras Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord). Professor universitário e apresentador do “Me Tira do Perrengue“.
O ano de 2025, ao se despedir, abandona um panorama econômico repleto de nuances, com desafios persistentes e conquistas pontuais. Eles moldaram a trajetória do Brasil e, de forma mais acentuada, a do Espírito Santo. Nacionalmente, observamos um crescimento moderado do Produto Interno Bruto, impulsionado, em grande parte, pela resiliência do agronegócio e pela vitalidade do setor de serviços.
Nesse sentido, a Secretaria de Política Econômica, SPE, do Ministério da Fazenda, por exemplo, atualizou a perspectiva de crescimento do PIB brasileiro para 2,3% em 2025. Ou seja, um indicativo de que a economia nacional, apesar das intempéries, manteve certo dinamismo, conforme divulgado pelo próprio governo. No entanto, essa recuperação não se deu sem percalços.
As incertezas políticas internas e as flutuações erráticas nos mercados internacionais atuaram como ventos contrários, impactando o fluxo do comércio exterior e a captação de investimentos estrangeiros. A complexidade do cenário demandou cautela e adaptabilidade de agentes públicos e privados, em uma busca constante por estabilidade.
Contrastando com a média nacional, o Espírito Santo emergiu como um farol de resiliência e dinamismo. A economia capixaba surpreendeu, registrando um crescimento do PIB estadual de 3,0% no acumulado até setembro de 2025. Ou seja, superando, portanto, a marca nacional de 2,4% no mesmo período, conforme dados do Instituto Jones dos Santos Neves, IJSN. Esse desempenho notável foi impulsionado por pilares robustos.
Pilares da economia
Nesse sentido, a agropecuária, por exemplo, exibiu um crescimento expressivo de 11,1%, com o café conilon despontando como um motor vital. A indústria também contribuiu significativamente, com um avanço de 3,3%. Foi beneficiada pela expansão na pelotização de minério de ferro e, claro, pela exploração de petróleo e gás natural. Ou seja, setores que demonstram a diversificação e a força produtiva do estado.
O setor de serviços, por sua vez, acompanhou essa tendência ascendente. Nesse sentido, teve um avanço de 2,0%, refletindo o bom desempenho do comércio varejista ampliado, dos serviços prestados às famílias bem como das atividades de transporte e logística.
ES líder em crédito rural
Um dado particularmente revelador da força do agronegócio capixaba é o aumento nas aplicações de crédito rural. Nos dez primeiros meses do ano-safra 2024/2025, o Espírito Santo registrou um crescimento notável de 23,2% nesse segmento, atingindo um volume recorde de R$ 7,5 bilhões. Esse feito singular posicionou o Estado como líder nacional no quesito, contrastando drasticamente com a média nacional que, no mesmo período, amargou uma queda de 18%. Do mesmo modo, um dado que sublinha não apenas a vocação agrícola da região, mas também a eficácia das políticas de incentivo e do planejamento estratégico local.
O próprio governador Renato Casagrande, ao comentar esses resultados, ressaltou. “Estamos apresentando números importantes que mostram a nossa capacidade de investimento, que temos um governo organizado e um ambiente de negócios propício que dá confiança ao setor privado”.
Além disso, a infraestrutura recebeu um impulso significativo com a aprovação, em março de 2025, de um financiamento de US$ 162,4 milhões do Banco Mundial, destinado a aprimorar a resiliência e a segurança das estradas capixabas. Um investimento que promete não só melhorias logísticas, mas também maior resiliência climática e fomento à participação privada no desenvolvimento infraestrutural.
Olhando para o horizonte de 2026, as projeções econômicas sinalizam uma continuidade no crescimento, embora em um ritmo mais comedido. Para o Brasil, após o dinamismo de 2025, espera-se uma acomodação natural, porém com bases que podem sustentar uma expansão contínua. Em um cenário global ainda marcado por incertezas geopolíticas e por uma possível desaceleração nas grandes economias, a capacidade do Brasil de atrair investimentos e de gerir suas contas públicas será crucial.
Política monetária e disciplina fiscal
Analistas de mercado apontam que a manutenção de uma política monetária crível e a disciplina fiscal serão os pilares para garantir a estabilidade e o crescimento no próximo ano. Nesse sentido, evitando sobressaltos e preservando o poder de compra da moeda.
Para o Espírito Santo, a Federação das Indústrias do Estado, Findes, projeta um crescimento de 1,9% para 2026. Esse panorama, embora ligeiramente inferior ao desempenho excepcional de 2025, ainda indica uma trajetória positiva para a atividade econômica, impulsionada pelos mesmos pilares de sua força produtiva. O setor agropecuário deve continuar a desempenhar um papel crucial, sustentado por investimentos contínuos e por políticas de incentivo bem direcionadas.
Do mesmo modo, a indústria e os serviços devem manter sua trajetória de crescimento, beneficiados pelos projetos de infraestrutura em andamento bem como pela diversificação econômica que o estado tem promovido.
Atenção ao exterior
Porém, é fundamental que a gestão econômica capixaba permaneça atenta às variáveis externas. Como as flutuações nos mercados internacionais e as diretrizes da política econômica nacional, que podem, invariavelmente, influenciar o desempenho regional.

O ano de 2026, portanto, se desenha com otimismo, porém com a exigência de uma gestão econômica cautelosa e estratégica para assegurar um crescimento sustentável e enfrentar quaisquer desafios que possam surgir no horizonte. O Espírito Santo encerra 2025 com um balanço positivo, fruto de uma série de fatores internos e externos que, espera-se, continuarão a impulsionar seu progresso.