As operações com o Master levaram o BRB a descumprir temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
As operações com o Master levaram o BRB a descumprir temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) descartou qualquer risco de intervenção e afirmou que possui “suficiência patrimonial” para enfrentar os efeitos das investigações envolvendo o Banco Master

Em nota, a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal informou que estuda a venda de ativos recuperados do banco privado. Fazendo como forma de reforçar sua posição financeira.

A manifestação ocorre após a divulgação de notícias sobre uma suposta urgência de aporte de capital no BRB. 

Segundo o banco, eventuais medidas para recomposição de capital apenas terão avaliação após a conclusão das auditorias independentes e das análises conduzidas pelo Banco Central.

Caso seja necessário, o BRB dispõe de plano para recomposição de capital e destaca que eventuais aportes do acionista controlador não retiram recursos previstos no orçamento para políticas públicas.

Banco de Brasília (BRB)

Mais cedo, o Ministério da Fazenda divulgou nota negando que o ministro Fernando Haddad tenha tratado com o governo do Distrito Federal ou com a direção do BRB sobre a necessidade de um aporte imediato de capital, sob risco de intervenção na instituição.

O esclarecimento aconteceu após reportagens apontarem que o ministro teria cobrado prazos para um possível socorro financeiro ao banco estatal. A Fazenda não comentou, porém, sobre eventuais discussões técnicas mantidas com o Banco Central no acompanhamento do caso.

Auditorias e balanço

O BRB informou que os valores de eventuais prejuízos ainda estão sendo apurados por auditoria independente e pelo Banco Central. Por esse motivo, o banco não divulgou o balanço referente ao terceiro trimestre, e não há dados públicos atualizados sobre sua situação financeira.

Segundo a instituição, todas as operações relacionadas ao caso estão incluídas em investigação forense conduzida por um escritório independente, com acompanhamento das autoridades.

O banco reforçou que segue operando normalmente e que “qualquer número não oficial divulgado publicamente é meramente especulativo”.

Relação com o Banco Master

O BRB foi diretamente afetado pela crise do Banco Master, alvo de investigações por supostas fraudes em carteiras de crédito.

De acordo com informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público, o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que foram substituídas e ainda passam por avaliação.

Além disso, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações, incluindo a compra de cotas de fundos de investimento.

A nova administração do banco, que assumiu após a troca de comando no ano passado, tenta dimensionar o impacto dessas operações realizadas ao longo de 2024 e 2025.

Problemas de enquadramento

As operações com o Master levaram o BRB a descumprir temporariamente limites prudenciais exigidos pelo Banco Central. O banco ficou desenquadrado por pelo menos dois meses, em janeiro e fevereiro de 2025.

Portanto, como consequência, o BC determinou a limitação de novas aquisições de ativos financeiros e a elaboração de um plano de solução no prazo de seis meses, a contar de outubro do ano passado.

Por fim, apesar do cenário, a possibilidade de injeção de recursos do Governo do Distrito Federal aumenta a capacidade do BRB de enfrentar a crise. O banco, no entanto, afirma que não recebeu qualquer determinação formal do Banco Central para realizar um aporte imediato.

Agência Brasil

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A Agência Brasil é uma agência pública de notícias que coloca a cidadania em pauta por meio do jornalismo digital. Assim como outros veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ela tem como missão "criar e difundir conteúdos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica das pessoas". Para isso, prioriza a cobertura de políticas públicas a partir da perspectiva do cidadão, da sociedade civil organizada e dos Poderes Públicos (Executivo, Judiciário e Legislativo).

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