BRB admitiu que pode ter que receber ajuda do governo do Distrito Federal. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
BRB admitiu que pode ter que receber ajuda do governo do Distrito Federal. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

liquidação do Will Bank, banco digital do Master, pelo Banco Central pode ter efeitos colaterais sobre o Banco de Brasília (BRB). Segundo documentos obtidos pelo Estadão, o Banco Master havia dado R$ 1,75 bi de ativos do Will para o BRB, para compensar os R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito podre vendidas ao banco de Brasília.

Agora, com a liquidação do Will, o liquidante do Master terá que conferir esses contratos para determinar se eles realmente pertencem ao BRB ou se irão para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Caso o BRB não consiga comprovar que esses ativos de fato já pertencem ao banco, isso vai aumentar a necessidade de aportes por parte do governo do Distrito Federal (GDF), controlador do BRB, para que o banco consiga cumprir todas as regras do índice de Basileia.

Esse é um indicador que mede a “saúde” financeira dos bancos, considerando o patrimônio e os tipos de ativos e passivos da instituição.

Se esses ativos do Will não pertencerem ainda ao BRB, o banco terá que fazer uma provisão ou dar baixa em seu balanço, o que forçaria a um aporte ou a uma venda de outros ativos para reforçar o patrimônio do banco.

Em caso de liquidação bancária, como aconteceu nesta quarta-feira, 21, com o Will, o FGC é obrigado a honrar as obrigações do banco em valores de até R$ 250 mil por CPF. Mas também recebe os ativos do banco liquidado, para tentar vender posteriormente e recuperar esse prejuízo.

Pelo documento ao qual o Estadão teve acesso, que data de julho de 2025, há R$ 600 milhões em crédito rotativo do Will cedidos ao Master, mas “já liquidados”, e outros R$ 500 milhões em liquidação. Sobre o restante, não há detalhamento, como mostra a tabela abaixo.

Necessidade de aportes

Na semana passada, o BRB admitiu que pode ter que receber ajuda do seu controlador, no caso, o governo do Distrito Federal.

O entendimento de pessoas próximas ao banco é de que o plano de negócios da instituição contava com carteiras de crédito consignado do Master, considerados ativos mais seguros e por isso demandam menos necessidade de capital dentro do que tecnicamente é chamado de “fatores de ponderação de risco”.

O problema é que justamente as carteiras de crédito consignado foram parte de uma fraude que chegou a R$ 12,2 bilhões. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que cerca de R$ 2 bilhões dessas carteiras não chegaram a ter substituição por outros ativos.

O banco vem negociando a venda de uma carteira de crédito de R$ 1 bilhão, em contratos de empréstimos para Estados e municípios. Assim, havendo garantia da União, para melhorar os seus índices de Basileia.