
O Carnaval capixaba vem se consolidando como uma das principais buscas do turismo no país, e nesse sentido, a data festiva se mostra como um dos motores da economia no Estado. A expectativa é que o carnaval movimente cerca de R$ 228,7 milhões, representando um crescimento de 3,5% em relação a 2025, que teve a estimativa de R$ 221 milhões.
No cenário nacional, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o Carnaval gere R$ 14,48 bilhões em receitas. Apresentando um crescimento real de 3,8% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação.
As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da CNC.
Caso a estimativa se confirme, o resultado deste ano será o melhor da última década no estado e o maior volume registrado desde a pandemia da covid-19.
O crescimento projetado para o Carnaval no Espírito Santo indica um ambiente mais favorável para o consumo e para a atividade turística, com reflexos diretos na geração de renda e empregos temporários.
André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES
De acordo com o Connect Fecomércio-ES, a movimentação estimada deve se concentrar principalmente em Vitória, Guarapari e outros municípios litorâneos, que tradicionalmente recebem o maior fluxo de turistas no período.
Os maiores volumes de receita devem se concentrar em serviços de alimentação, hospedagem, lazer e cultura, além do transporte rodoviário e aéreo.
Do total estimado para o Espírito Santo, cerca de R$ 91,1 milhões devem estar associados aos serviços de alimentação, o equivalente a 39,8% da movimentação. Enquanto R$ 22,7 milhões devem vir dos serviços de hospedagem (9,9%).
Custos do Carnaval
Na Grande Vitória, a inflação acumulada da cesta de consumo para atividades domiciliares chegou a 4,99% até dezembro de 2025, acima da média nacional (4,26%).
A maior pressão veio do grupo bebidas e infusões, com alta de 16,97%, especialmente a cerveja, que acumulou variação de 9,27%.
Já a alimentação dentro de casa apresentou inflação mais moderada (0,78%), inferior à média nacional. Alguns itens, como frutas, tiveram aumento mais expressivo, enquanto pescados registraram deflação, ajudando a aliviar parte do custo para quem opta por comemorar em casa.
Para quem vai aos blocos, os custos também avançaram. A alimentação fora do domicílio acumulou alta de 9,31% na Grande Vitória, acima do Brasil. Lanches, muito consumidos durante as festividades de rua, subiram 14,17%, enquanto refrigerantes e água mineral tiveram alta de 8,05%.
O grupo de vestuário registrou aumento de 6,6%, com destaque para joias e bijuterias usadas em fantasias, que encareceram 20,15%.
Entre os foliões que planejam viajar, o grupo de transportes apresentou inflação acumulada de 3,59%, puxada principalmente pelo ônibus intermunicipal, que subiu 12,57%. As passagens aéreas tiveram aumento mais moderado, de 2,91%, e os custos para quem utiliza veículo próprio cresceram 3,6%, influenciados pela gasolina.
Mesmo com o avanço de preços em alguns itens, o cenário geral indica um Carnaval aquecido no Espírito Santo, com impactos positivos sobre o turismo, o comércio e os serviços.
Turismo
A Secretaria de Turismo trabalha com uma projeção de crescimento de 15% no fluxo turístico em comparação ao ano anterior. O que representa um volume estimado de 690 mil pessoas circulando pelo Espírito Santo no feriado.
Pela primeira vez, espera-se que o número de turistas de fora do ES empate tecnicamente ou supere levemente o público local. O número deve bater os 350 mil visitantes externos.
Embora a grande massa continue vindo de Minas Gerais e Rio de Janeiro via rodoviária, observa-se um crescimento expressivo de turistas de São Paulo chegando via aérea.
Quanto ao fluxo internacional, o cenário permanece estável e nichado. Ou seja, representa historicamente cerca de 1% do total, o que corresponde a uma estimativa de 5 a 7 mil estrangeiros.