
Com a alta de vendas de fim do ano, devido a compras de Natal e Ano Novo, bem como a circulação de dinheiro com o turismo, os empresários do Espírito Santo demonstraram confiança no mercado local pelo terceiro mês seguido, sendo destaque no Sudeste.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) registrou alta de 3,4% em relação a novembro, indo de 108,6 para 112,3 pontos no ES. Desde junho, o índice permanece acima da zona de satisfação (100 pontos), e este é o terceiro mês consecutivo de crescimento.
Enquanto o Brasil avançou 1,3% em dezembro, Minas Gerais cresceu 1,8% (101 pontos), São Paulo 2,1% (103,8) e o Rio de Janeiro 2,5% (101,3). Com 112,3 pontos, o estado liderou a região e ficou acima da média nacional, de 105,7 pontos.
Segundo André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, o resultado reflete um conjunto de fatores sazonais e estruturais.
O mês de dezembro concentra elementos que tradicionalmente impulsionam a confiança do empresário, como o aumento do fluxo de consumidores, as datas comemorativas e as ações promocionais. Esse ambiente favorece decisões menos defensivas e fortalece as expectativas para o curto prazo.
André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES
Condições atuais
Entre os subíndices do Icec, as “Condições atuais” avançaram 3% em dezembro, alcançando 86,2 pontos, sendo que a percepção sobre a economia cresceu 3,5% no mês.
“Apesar do avanço pontual em dezembro, a leitura do empresário ainda carrega certa cautela acumulada ao longo do ano. Especialmente diante de um cenário de juros elevados”, ponderou Spalenza.
Já a avaliação do setor evoluiu 3,2% no mês e cresceu 1,2% na comparação anual, enquanto a percepção sobre a própria empresa atingiu 103,5 pontos, indicando recuperação gradual das condições de operação.
Expectativas futuras
As “Expectativas futuras” no comércio tiveram o avanço mais expressivo, com alta mensal de 7,3% em dezembro, chegando a 136,7 pontos.
Nesse item, a percepção sobre a economia nos próximos meses cresceu 11,9% no mês, e a confiança no setor avançou 6%.
“Os empresários passaram a enxergar o início de 2026 com mais otimismo. Apoiados na melhora recente da demanda e na expectativa de continuidade do movimento positivo no curto prazo”, destacou Spalenza.
Intenção de investimentos
A “Intenção de investimentos” se manteve estável em dezembro, com 114,1 pontos, ainda acima da zona de satisfação.
O destaque foi a intenção de contratação de funcionários, que cresceu 1,1% no mês e alcançou 142,8 pontos, figurando entre os melhores componentes do índice.
“A contratação reflete a necessidade de sustentar o nível de atividade observado no fim do ano. Enquanto os investimentos seguem mais seletivos, voltados a ajustes operacionais”, explicou o coordenador.
Bens
Por tipo de produto comercializado, todos os segmentos permaneceram acima do nível de satisfação. Nesse sentido, o maior destaque foi o segmento de bens duráveis (eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e veículos), que cresceu 6,2% no mês e 1,2% no comparativo interanual. Sinalizando retomada gradual do consumo de itens de maior valor agregado.
Além disso, os bens semiduráveis (roupas, calçados e itens de cama, mesa e banho) e não duráveis (alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza) também apresentaram resultados positivos.
Por fim, as análises são do levantamento do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).